As besteiras que a gente faz com os filhos dos outros.

Eu tenho um afilhado de 5 anos, o Enzo, que é uma das grandes paixões da minha vida. Fiz – e ainda faço – todo o possível para acompanhar seu desenvolvimento nos primeiros anos de vida. Logo que minha prima, a mãe dele, me convidou para batizá-lo, aos 22 anos, eu logo decidi que tipo de madrinha eu gostaria de ser: a madrinha legal e divertida! Na época, eu não tinha contato com outras crianças, nenhuma experiência em desenvolvimento infantil, toda a expectativa de ser uma madrinha maravilhosa e um monte de ideias erradas.

Fiz muitas coisas por ele, das quais me arrependo. Por exemplo, lembro quando ele era pequenininho, eu estava fazendo brigadeiro branco e tive a ideia – nada – genial de dar para ele experimentar. Costumava dizer que quando a mãe dele o deixasse comigo, eu daria todas as besteiras para ele comer e entregaria para ela com dor de barriga, e achava super engraçado!

Com o tempo, amadurecimento, acompanhando de perto seu desenvolvimento e me interessando mais em saber como funciona o desenvolvimento de uma criança, além de planejar que tipo de mãe eu quero ser, passei a entender que para ser a madrinha legal que ele precisa, não seria necessário “deseducá-lo”. Crianças precisam de rotinas, os responsáveis por criar rotinas são os pais e todas as pessoas ao redor precisam respeitar. Me tornei uma madrinha um pouco brava e exigente, mas o amor dele por mim não diminuiu – pelo contrário, temos loucura um pelo outro, e olha que de vez em quando eu sou bastante dura com ele.

Digo tudo isso porque meu pavor nos últimos tempos tem sido justamente ter que lidar com pessoas parecidas com quem eu era. Como disse antes, as rotinas criadas pelos pais para a criança devem ser respeitadas pelas pessoas ao redor, e quebra-las não sé apenas um desrespeito com a família, como também um atraso para a criança.

Tenho verdadeiro horror à crianças mal-educadas e todos os dias peço a Deus muita paciência e sabedoria para ser uma boa mãe e boa educadora. Mas muitas vezes, percebo que avós e tios, ao invés de auxiliarem na criação da criança, acabam prejudicando sua boa educação na ânsia de agradar e mimar os pequenos. Acontece que nem sempre atender à uma birra momentânea vai contribuir para que aquela se torne uma criança bem educada. Muitas vezes os pais precisam ser duros, pegar firme mesmo, colocar regras e limites, e uma pessoa de fora quebrando tais regras não contribui em nada, além de se tornar até inconveniente.

O Enzo me ensinou muita coisa. Eu que não tinha qualquer experiência com crianças, aprendi que ser legal não é ser permissivo, que cada um tem seu papel na educação da criança, que os pais são os principais responsáveis e suas decisões são sempre as que realmente contam – afinal ninguém usa como justificativa para uma criança mal educada, os avós que mimam demais e os tios que cedem a todas as birras, né? – e que muitas vezes, o que a criança precisa e quer é alguém que lhe imponha regras. No fim, cuidar e garantir uma boa educação pro resto da vida é o que nos faz ser realmente legais com os pequenos.

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