Segunda Carta para João Otávio

Meu anjo João Otávio

 

Há quase dois meses eu penso que já deveria ter te escrito. Eu queria te desejar boas vindas e te dizer que a vida nem sempre é justa, mas será muito boa. E quero te dizer um monte de coisas, tantas que às vezes se confundem e se perdem na minha mente.

Eu te esperei desde o dia que soube que você havia sido concebido. Rezei imensamente para que você fosse uma criança saudável e tranquila. Sonhei com seu rosto e tentei imaginar com quem você se pareceria. Pois Deus me presenteou com um bebê melhor do que eu pedi.

A primeira vez que te vi, já te amei de um jeito absurdo. Na verdade, nem sei dizer se é amor. Acho que essa coisa que eu sinto é tão pura, tão forte, tão especial e diferente de tudo que deveria ter outro nome, porque a palavra amor não explica. Mas vamos chamar assim, de amor, por falta de um verbete melhor.

Mas confesso que amor não foi o sentimento mais forte. Eu senti uma necessidade gritante de te proteger e cuidar de ti. Todos os dias eu te olho e penso que você é tão pequeno, tão indefeso e precisa tanto de mim. Isso faz meu coração apertar. E justamente por isso, que desde que você nasceu eu sinto mais vontade de cuidar de mim, porque sei que não posso te faltar.

E você assim, na sua fragilidade me tornou uma pessoa mais forte e corajosa. Antes eu tinhas tantos medos, e agora só o que me aflige é te perder. Faz tão pouco tempo que você chegou e eu nem consigo imaginar o que seria da minha vida sem você.

Nesses quase dois meses eu aprendi a te conhecer, a ler tuas expressões, a diferenciar teu choro e é como se eu te conhecesse durante toda a minha vida. Eu sinto que tudo o que me trouxe até sua chegada aconteceu para que eu me preparasse para ser tua mãe. E essa sensação me torna uma mulher melhor.

Todos os dias quando você sorri, aquele sorriso tão cheio de verdade, tão sincero, faz meu coração derreter e me dá ânimo para mais um dia cheio de surpresas e, muitas vezes, de cansaço. Ah e quando você chora, meu amor, meu coração despedaça. Minha dor passou a ser a que você sente, e se eu pudesse, eu juro, sentiria doer em mim pra te poupar de qualquer sofrimento. É como se diariamente eu morresse um pouco: se não de amor, é de susto.

Ah meu pequeno, eu te amo tanto, tanto! Eu te olho e agradeço aos céus pela oportunidade de ser tua mãe. E eu vejo que do seu jeitinho, sem nem saber o que é isso que você sente, você também me ama. É como se você fosse uma extensão de mim, uma parte melhor do que eu sou. Quem me conheceu antes de você chegar talvez nem acredite que eu tenha deixado tantas coisas de lado pra te receber em minha vida. Você ocupa cada pedaço do meu coração e do meu tempo, mas é tão prazeroso acompanhar teu desenvolvimento que nada me faz falta.

Eu tento imaginar como você será, ao mesmo tempo que quero devorar cada segundo de sua vida de neném, para me lembrar de tudo no futuro. E penso que, talvez um dia, o mundo te fará sofrer ou alguém partirá teu coraçãozinho, e isso dói tanto, meu amor! Ah, como eu queria que você nunca sofresse. Eu quero que você seja tão feliz, e sinto que você já é! Você é tão abençoado e tranquilo, e nos trouxe tanta felicidade!

Meu anjo João Otávio, que bom que você chegou. Que Deus te abençoe todos os dias e que te permita uma vida próspera. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que sempre carregue o sorriso mais lindo do mundo nesse rostinho perfeito. Mamãe te ama cada dia mais.

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