Meu bebê está crescendo.

Segunda-feira, durante o almoço, sentado em sua cadeirinha, João Otávio esticou o bracinho, pegou seu pedaço de manga e começou a comer sozinho. Um grande passo para quem, até então, queria tudo na boca – literalmente. E ontem, depois de muito esforço e de desenvolver uma técnica própria e super elaborada de locomoção, ele engatinhou. Engatinhou de engatinhar, de verdade. Eu e o Fernando presenciamos a cena, e não posso falar por ele, mas meu coração se apertou: meu bebê está crescendo.

João Otávio vai completar oito meses na próxima quarta-feira, e meu Deus, como passa rápido! Até ontem ele era todo molinho e mal sabia que tinha mão, e até ante-ontem ele era do tamanho de um grão de arroz na minha barriga. Essa é uma constatação que venho tendo há alguns dias. Aos poucos, meu filhote deixa de ser um bebê e vai adquirindo ares de menino. Já tem cara de moleque, é forte e sapeca como tal. E deixa cada vez mais claro traços de seu temperamento.

Como bom ariano que é, ele é curioso e muito impaciente. É forte, teimoso e impulsivo. Gosta de coisas mais ácidas, adora banho, ama os controles remotos, não dá muita bola pros brinquedos e já descobriu que seu sorriso é meu ponto fraco. Só dorme se tiver uma manta no rosto. Faz um olhar sedutor que é só dele, me olha encantado, dá ataques de beijo e pula muito quase sempre que ouve seu nome. Pois é, meu pequeno já é cheio de presença, de vontades e determinação. E que sorte a minha poder acompanhar cada etapa de tão perto.

Benditos os que podem ver o desenvolvimento do seu filho. É um milagre diário, todo dia uma nova descoberta, todo dia um desafio, todo dia é cheio de aventuras. Por mais bem definida que seja a rotina, nenhum dia é igual ao outro e sempre tem algo a ser explorado. Meus últimos 8 meses foram longos, mas passaram voando. E por mais que eu espere as próximas fases, sinto uma dorzinha por ver o quanto tudo é tão rápido. E já tenho até um pouco de saudade de tudo – outro dia, eu percebi que nem sei mais pegar no colo um bebê menor!

Constantemente, faço uma anotação mental: “aproveita tudo, Jully! Devora cada minuto! Curte cada segundo que ele quiser estar nos teus braços, daqui a pouco o mundo será pequeno pra ele e terá pouco espaço pra ti! Aproveita enquanto ele é teu bebê, menina! O tempo é longo, os dias são desgastantes, mas vai passar, ele está crescendo e tu não terás outra oportunidade de ter teu bebêzinho no colo num piscar de olhos”.

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Aniversário de 1 ano!!

Hoje o Blog está completando 1 ano!

um ano

 

Lembro-me bem do que escrevi no primeiro post: eu sabia, desde que engravidei, que acabaria fazendo um blog, porque precisava compartilhar muita coisa que fervia na minha cabeça.

Neste um ano, eu desabafei, compartilhei experiência, declarei meu amor e escrevi um monte de coisas que eu queria dizer e às vezes não conseguia.

Por causa do blog, tornei-me próxima de outras amigas grávidas e fiz algumas outras novas amizades! E, também por causa do blog, descobri que tem muita, mas MUITA gente mesmo que gosta de mim e que torce pela minha felicidade e da minha nova família!

A todos vocês, muito obrigada por acompanhar nossa trajetória, compartilhar experiência comigo, me consolar, dividir medos, angústias, sonhos e felicidade!

Que venha mais um ano do Blog!

Beijinhos, beijinhos, com sabor de bolo de festa de criança!

Que tipo de mãe eu quero ser

Quando eu estava grávida, minha terapeuta me passou um exercício de coaching que eu nunca consegui fazer. Ela pediu para que eu “conversasse” com 2 ou 3 mulheres que servissem como modelos de mães para mim, e baseada nisso, decidisse coscientemente que tipo de mãe eu quero ser.

Explico melhor. Essa é uma ferramenta de coaching que chama modelagem. Somos resultado das pessoas com quem mais convivemos. Sem saber, repetimos padrões de comportamentos baseados no que vimos durante a vida. Só que nós temos a opção de escolher quem são as pessoas que nos influenciam e modelar como queremos ser. E isso serve para todos os campos da vida.

Pois bem. Grávida eu não consegui completar a tarefa, e hoje acho que é porque eu nem sabia por onde começar a ser mãe. Recentemente, no entanto, conversei com duas das minhas modelos e uma delas me disse algo que resume tudo: para ser uma boa mãe, você precisa olhar o seu filho. E por olhar significa olhar tudo, minuciosamente, conhecer cada expressão facial dele.

Parece pouca coisa, mas não é. E esse é o tipo de mãe que quero ser. Quero ser o tipo de mãe que observa o filho e reconhece seus defeitos, qualidades, talentos. E que incentiva o que há de melhor e auxilia no que tem para melhorar.

Quero ser o tipo de mãe que conhece e cuida da sua alimentação, que conhece sua saúde. Quero ser o tipo de mãe que se diverte com as coisas e com quem, no futuro, ele tenha prazer em conviver. E que ele esteja comigo por opção e não por falta de. Quero ser uma mãe que canta, ri, brinca, estuda junto, ensina o lado bom da vida e que prepara pras horas que ter força é questão de vida ou morte.

Quero ser uma mãe que ensina que pensar positivamente traz mais resultados do que qualquer outro método de querer uma coisa na vida. E que ensina que ter fé é muitas vezes é o que faz diferença entre ter sucesso ou não ter.

Quero ser o tipo de mãe que dá carinho, mas puxa a orelha. Que ensina valores de ética, lealdade, respeito e honestidade. Quero ser uma mãe que faz meu filho me amar, me admirar e ficar encantado quando me vê, por ter orgulho de ser meu filho. E pensando bem, acho que tenho seguido pelo caminho certo.

 

 

 

 

P.S: caso você se interesse em saber melhor sobra ferramentas de coaching e modelagem, indico o curso de Life Coaching da Vanessa Tobias.

Eu sou uma mãezona.

 

Vivemos numa sociedade machista, muito machista. E se você não é do tipo de pessoa que se engana e sabe que apesar de já termos evoluído muito nesse sentido, mas que ainda falta um caminho longo pela frente, sabe que não estou exagerando. Antes do meu bebê nascer eu achava que era besteira, mas não é. E tive uma série de situações que contribuíram para ter certeza disso. E na maior parte das vezes, ouvi como resposta coisas do tipo “é assim mesmo, a mãe sempre faz mais coisas”, “sempre sobra pra mulher” e “conforme-se”. Essas coisas me deixavam ainda mais convicta de que, infelizmente, muitas vezes o machismo parte mais das mulheres do que dos homens – ou pelo menos é o meu caso!

Aí com o passar do tempo, ficou mais evidente que sim, sobra muito mais pra mulher. Somos nós que deixamos mais coisas de lado pelos filhos. Somos nós que ficamos responsáveis pela maioria das coisas do dia-a-dia. Abdicamos de muita coisa que nos faz falta. Somos nós que nos desdobramos em mil para cuidar da casa e dos filhos. Somos nós quem ficamos muito mais cansadas, e quase sempre nem temos o direito de reclamar, afinal “este é o nosso papel”. Apesar disso, ainda temos que lidar com homens que acham que tem mais direito a decisões ou que “mandam mais”.

Tenho visto circular muito pelo Facebook frases como “meu marido é um paizão” e “aqui em casa tem um paizão”. Para minha total surpresa, nunca vi nada parecido referente às mães, e isso me deixa um pouco frustrada. Não tenho nada contra a esse tipo de elogio aos pais, eu mesma já compartilhei a frase e continuo dizendo que tenho um companheirão do lado, que é um pai incrível. Mas me choca perceber que ser bom pai ainda é mérito, enquanto nós mães não temos outra opção.

Basta fazer algumas comparações. Se o homem pouco ajuda com o filho, é porque é assim mesmo, não sabe, a gente tem que ter paciência. Mas adivinha pra quem sobra as tarefas? Agora pense na hipótese de uma mãe que não faz as coisas pelos filhos: desleixada, descuidada, irresponsável, pra dizer o minimo! Ou mais: quem não conhece algum caso de pai que simplesmente não assumiu o filho ou sumiu quando a criança nasceu? Eu mesma posso citar alguns! Mas nunca ninguém viu uma mãe simplesmente abandonar o filho, dar pra outra pessoa criar. Ou se viu, julgou de nomes que não vou dizer aqui! Eu particularmente não entendo como alguém consegue. Mas também concordo que não nos resta outra alternativa, e talvez essa seja a razão pela qual existe tanta gente criada de qualquer jeito pelo mundo.

Dito isto, proponho que nós, as mães, comecemos a admitir que somos incríveis. Infelizmente, a gente vive numa sociedade em que quase sempre é muito feio fazer um auto-elogio, porque soa como arrogância. Mas vou contar um segredo: não é! A gente pode sim, sair por aí dizendo que somos maravilhosas. Começo por mim. Sou uma mãe incrível. Me dedico de corpo e alma para meu pequeno, faço meu melhor. Cuido da casa e dele. Brinco, canto, danço, faço dormir, dou carinho, cozinho, faço qualquer coisa por ele. E sou completamente apaixonada. Deixei de lado muita coisa, mudei minha vida para recebê-lo. Poderia ter feito diferente, mas quis fazer o que achei que seria o melhor.

Cometemos erros, muitos deles. Mas somos insubstituíveis e ninguém conhece e cuida dos nossos filhos como nós cuidamos. Nem sempre, temos pessoas que reconhecem nosso valor e nos digam o quanto somos boas no que fazemos. Pois bem, digamos para nós mesmas o quão importante somos. Continuemos elogiando os maridos que cumprem seu papel com maestria, continuemos agradecendo pela parceria e comprometimento. Eu vou fazer isso. Mas vou deixar claro também que sou a melhor mãe do mundo para meu filho. Todas nós somos, ainda que nem sempre a gente escute isso dos outros!

A saga das papinhas

Começamos as papinhas do João Otávio dia 12 de setembro, com cinco meses e 1 dia de vida. Isto porque como ele estava tomando mais mamadeira do que LM (leite materno), a pediatra disse que era necessário entrar com frutas e verduras para garantir uma nutrição mais completa.

Eu estava ansiosa. MUITO ansiosa. Desde que engravidei, a questão da alimentação sempre foi muito importante pra mim. Se você acompanha o blog, já leu isso um milhão de vezes. Mas se você não acompanha, precisa saber: por eu ter sido obesa, tenho uma grande tendência a engordar e tive uma educação alimentar repreendível, aos vinte e quatro anos fiz redução do estômago e por isso tenho uma grande preocupação com a alimentação do meu filho. Todo mundo já ouviu falar em re-educação alimentar. Eventualmente precisamos fazer uma. Isso porque aprendemos a comer errado desde criança. Aí quando adultos, muitas vezes com a saúde em estado caótico precisamos aprender a comer de novo, coisa que é muito difícil de se fazer, porque exige mudanças de hábito. Partindo desse princípio, acredito que se educarmos bebês e crianças a se alimentar corretamente, vamos facilitar a vida deles enormemente. Mas isso exige esforço, paciência e determinação.

Pois bem. Voltando: eu estava muito ansiosa para a introdução das papinhas. Criei uma enorme expectativa, planejei como seria o primeiro dia de comida da vidinha dele. E como todo mundo sabe, expectativa quase sempre vem acompanhada de frustração. O primeiro dia não foi nem de longe como eu sonhava. A primeira fruta foi mamão e ele odiou, e eu nem julgo porque também detesto mamão. Apesar disso, fazia caras e bocas de “humm, que delícia!”, provei o mamão (eca!) e nada. Ele estranhou, cospiu tudo, chorou, fez cara de nojo. Um horror! Eu havia seguido a instrução da pediatra, que era não bater nenhum fruta, apenas amassar bem. Foi péssimo, mas com muita insistência ele comeu um pouco, quase nada.

papinha

No almoço, de novo segui a instrução: apenas uma verdura por vez pelo menos nos primeiros dias. Fiz um purezinho de cenoura, pouquinho sal, água e (pelo que me lembro) foi só. Odiou, detestou, esperneou, trancou a boca e nada! A essa altura, lembramos que o Fernando havia comprado uma dessas papinhas prontas da Nestlé, para uma emergência, e acabamos oferecendo. Ele comeu tudo e eu morri por dentro. Não era nem de longe o que eu pretendia, fazia questão de não oferecer comida pronta, queria eu mesma cozinhar todo o alimento dele.

Aí na parte da tarde, recebi uma visita que veio como um anjo. Ela tem dois filhos e me disse o seguinte: minha filha até os dois anos, só comia o que eu batia no liquidificador. Não é o melhor, mas era o jeito. No lanche da tarde, fiz uma banana bem amassadinha e coloquei um pouquinho do leite que ele já tomava. Também deu certo, mas não muito.

Por fim, às oito da noite eu estava morta de cansada, tinha chorado nas três refeições dele. Precisei de muita paciência, dedicação, e esforço. Fiquei frustrada, cansada, chateada. Não foi como eu imaginava, mas meio que foi. Graças a Deus, no segundo dia foi um pouco melhor, e a partir do terceiro optei por bater tudo no liquidificador. De novo: não é a melhor opção, mas fico pensando: ele não tem nenhum dente, se engasga e poxa! não preciso ser tão radical, posso ir ensinando aos pouco as diferentes texturas dos alimentos.

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Para minha alegria, tranquilidade e total orgulho, continuo ainda fazendo toda a comida dele e ele adora, come super bem! E como sou dessas mães bem chatas, não gosto que mais ninguém faça!

Eu que já encarei um bocado de desafios na vida, que fiz um tanto de coisas consideradas dificeis continuo achando que o primeiro dia de papinha do João Otávio foi o dia mais difícil da minha vida! Mas como tudo nessa brincadeira que é a maternidade, vale a pena o empenho e o cansaço.

O dia mais emocionante da minha vida

Sempre achei que o dia mais feliz da minha vida seria o dia que me descobrisse grávida. Não foi. Aí achei que seria depois do primeiro chute, primeiras mexidinhas. Também não. E preciso admitir: tampouco foi o dia do nascimento do João Otávio. Nesse dia, eu estava tão ansiosa e nervosa que não tive espaço dentro de mim para acomodar muita alegria. E, com a ajuda da anestesia, fiquei um pouco aérea quando pude finalmente olhar seu rosto pelo primeira vez.
Na minha vida, já tive a possibilidade de fazer um monte de coisas que posso definir como momentos de muita emoção e até “pura adrenalina”. Saltei de paraquedas, fiz raffiting, era enlouquecida por montanhas russas e afins. Vi Paris do alto da Torre Eiffel e New York do Empire State. Tive o prazer de morar na maior cidade do país, bem no centro econômico e cultural, com a possibilidade de conhecer gente de quase todo tipo. Passei curtos 3 meses em Barcelona – ah, Barcelona! Por onde começar a falar? – Vi o Rio pela perspectiva do Cristo, e em Londres não me aventurei muito, mas não deixei de ter o coração batendo a mil.
Posso citar mais um monte de pequenos e grandes momentos de perder o fôlego. E nenhum desses foi o mais emocionante e inesquecível da minha vida. O dia mais emocionante acontece todo dia por aqui.
É quando meu filho acorda e abre aquele sorriso. – sabe aquele, em que eu tanto falo? – é, na verdade, o sorriso que dá sempre que me vê. E descobri recentemente emoção maior: são seus bracinhos me procurando para me abraçar e sua mãozinha desajeitada me fazendo um carinho no rosto, e seus beijos desajeitados, que mais parecem com um monte de lambida ou qualquer coisa assim.
Mais emocionante ainda é ver seu desenvolvimento, é perceber que ele conseguiu fazer hoje o que estava tentando há dias, é vê-lo maior depois das noites longas de sono. É ver a felicidade diante de uma música e desenho novos. É dormir com ele em meus braços, com o rosto grudado no meu e seus olhinhos de admiração pra mim. (Suspiros eternos nesses momentos!)
Por aqui também tem minutos de muita excitação e adrenalina: experimenta limpar cocô e vômito na noite mais fria do ano. Tem que ser bem rápido e o coração quase sai pela boca!
Hoje me perguntaram se já me adaptei a minha nova vida. Já! Ser mãe em tempo integral me proporciona situações muito diferentes do que eu imaginava. Meu lado mãe, hoje, é o predominante e é bastante inusitado viver assim. Mas eu gosto. Amo, na verdade! Amo ver meu filho crescer, amo seu sorriso, amo saber que sou responsável por ele e tudo que o cerca e amo saber que as coisas são feitas como eu planejei que seriam. Ser mãe é uma loucura. É cansativo, desgastaste e dá dor nas costas. Mas é uma aventura, e eu aposto, é a melhor de todas!

O que meu filho já fez por mim

Semana passada, no programa da Fátima Bernardes, estava a apresentadora Regina Casé. A Fátima comentou sobre algo que Regina disse em seu programa no dia das mães. Ao invés de homenagear sua mãe, ela agradeceu a filha por existir e permitir que ela vivesse a experiência da maternidade. Sensacional! E serve para todas nós, e nem nos damos conta.
Eu, Jully, sou mãe porque o João Otávio existe. E, embora faça parte da minha maneira de viver a vida agradecer a tudo e a todos, e também por causa disso eu já tenha agradecido ao João Otávio por ser meu filho, ainda não havia agradecido pela oportunidade de ser sua mãe.
Costumo sempre parabenizar às mães de crianças no dia do aniversario de seus filhos, afinal quando nasce um bebê, nascem também os pais. E nascemos sem saber de nada.
Meu filho já me ensinou, em seus quase cinco meses de vida, mais do que aprendi com muitas experiências anteriores a ele. Tudo na minha vida ressignificou depois que ele nasceu.

Aprendi que ser mãe exige esforço físico, mental e financeiro. Aprendi a importância de não protelar as coisas. Descobri a necessidade de economizar tudo – de roupas limpas a dinheiro!
Redescobri o valor de cada segundo com quem eu amo, e principalmente cada segundo que tenha só meu. Aprendi que dormir é mais importante que comer.
Meu filho me fez rever o valor da família. Me fez aprender que, por mais cansada que eu esteja, seu sorriso sempre me ilumina. Me fez aprender que nem tudo está escrito nos livros, e que muita coisa que está não serve pra mim. Me fez aprender a importância de usar boas fraldas.
Observando o desenvolvimento do meu bebê, mudei minha relação com o meu corpo: ao perceber o quanto coisas simples pra mim são grandes desafios pra ele, senti vontade de desafiar meus próprios limites.

Meu filho me ensina a ser flexível na rotina, embora me exija uma rotina bem definida ( dessas contradições que só a gente entende). Me fez aprender a diferenciar choro, riso, barulho de pum, além de ler suas expressões. Me fez entender que eu posso saber exatamente quais são suas preferencias, embora ele não saiba dizer uma palavra.
Tenho aprendido todos os dias a controlar a ansiedade e curtir cada progresso dele. Tenho revisto meus objetivos e prioridades, reconstruído sonhos. Aprendi a não dar ibope a coisas sem importância.
Viver a oportunidade e experiência da maternidade tem me feito muito bem, mais que isso: me fez crescer como mulher. Aprendi e vivi coisas que só foram possíveis porque meu filhote deu o ar da graça. De todas, a mais importante é ser e amar como mãe!

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Guia prático sobre como cuidar de bebês ou Coisas que você só aprenderá com o tempo.

Seria muito bom se existisse uma enciclopédia sobre cuidar de bebês. Existem muitas obras sobre o assunto e realmente dá pra aprender muita coisa por lá, indico a leitura. Mas nenhum deles te dirá exatamente como cuidar do SEU filho.
Você pode fazer vinte cursos de gestantes, e não será suficiente. Somente a prática fará de você uma expert na sua cria, e na de mais ninguém.
Cuidar de neném, na verdade, não é difícil. Basicamente, você precisa mantê-los limpos, alimentados e agasalhados. Esse é o principio básico. O que os livros não contam e os cursos não ensinam é que muitas vezes seu bebê fará um cocô daqueles logo depois de trocar a fralda e fechar a roupa. Que, em outras vezes, vai ser tanto cocô que você vai achar melhor dar outro banho, mesmo sendo às onze da noite da madrugada mais fria do ano, porque simplesmente não dará conta de limpar tudo. Aliás, ninguém dirá que cocô de bebê se espalha pelas costas, rosto, mãos, cabeça – a dele e a sua também.
Especialistas não te dirão que, apesar de não existir “leite fraco”, em alguns momentos seu filho vai querer mamar a cada meia hora e vai continuar com fome. E que depois de tanto dar mamar, isso vai acabar com suas costas, sua postura, seus seios e seu bom humor.
Os livros não dizem que as trocas de fralda se tornarão malabarismos, porque afinal o bebê se mexe muito, quer pegar tudo e comer os pés. E nem que, apesar do trabalho dobrado, você vai achar muito engraçado.
Psicólogos e pedagogos dirão que o bebê tem que dormir no berço desde muito cedo, mas não serão claros sobre como isso exigirá de você um esforço extremo. E que aquele cochilinho de manhã cedo com o bebê encostado no seu peito será a parte mais gostosa do dia.
Dirão que às vezes é necessário deixar o bebê chorando, mas não que seus ouvidos e seu cansaço vão implorar para que ele simplesmente pare, não importa o que você precisa fazer pra isso.
Os livros, muitas vezes, não informam o quanto você precisará se tornar flexível no seu cotidiano, que nem tudo é cronometrado, que o intervalo de mamada a cada três horas pode durar uma hora e meia ou quatro horas. Que não existe oito ou oitenta, você precisa viver no equilíbrio, e precisa aprender a se adaptar e não se culpar porque as coisas não saíram como os outros disseram que seria.
Ninguém dirá que, mesmo tendo muitas informações sobre uma situação, algo em você gritará para fazer o contrário. Esse algo é aquele botão vermelho que ativa o Modo Mãe no instante que seu filho sai de dentro de você, e que vai apitar muitas vezes durante o dia. Se chama instinto. Aprenda a usá-lo e muitas vezes a obedecê-lo.
Se você procura um guia com todas as respostas sobre filhos, esqueça e conforme-se. E perdoe-me se causei desilusão. Livros e guias sobre bebês são ótimos e auxiliam muito nessa arte de criar filhos. Mas não dizem tudo. Aliás, não dizem um monte de pequenos detalhes que fazem o dia-a-dia acontecer. Tudo é descoberta e aprendizado. O convívio com o bebê te faz perceber que ele é um indivíduo com necessidades próprias, e que você terá que respeitar as particularidades dele. E esse tipo de coisa, você só aprende tentando, errando, fazendo de novo, observando, estando junto. E pasme: cansa e não é fácil, mas é a melhor parte de ser mãe. Acredite: nunca ninguém saberá cuidar melhor do seu filho do que você.

Crônica sobre um dia qualquer

São cinco pras seis de uma manhã de sábado gelada. No fundo do meu sono pesado, ouço um choro de criança e levo algum tempo até perceber que é meu filho que me chama. Chego no quarto e vejo que, como sempre, conseguiu se livrar da coberta. Sua fralda também está cheia, o que causa grande desconforto. Apesar disso, assim que me vê, ele abre aquele sorriso que eu tanto amo. Sei que é o início de mais um dia cansativo, e que ao fim estarei acabada, e ainda assim imensamente realizada.

Depois de trocar a fralda, me preparo para amamentar. Enquanto mama, ele me encara e eu sustento o olhar, segurando sua mãozinha. Adoro seus olhinhos apaixonados para mim. Quando acaba, ele se aninha ainda mais em meus braços, daquele jeito que é só comigo e me sorri de novo. Um sorriso cheio de gratidão e de amor. Meu coração derrete pela milésima vez.

Coloco-o em minha cama, e deito ao seu lado. Ofereço minha mão para sua adorada brincadeira e percebo que de repente se distrai com os próprios dedos, aqueles dedinhos que tantas vezes eu mesma já contei, só por insistência, e que até ontem ele não sabia que existiam. Lembro-me de que há três dias atrás, segurar objetos era tão mais difícil e que aos poucos ele faz movimentos com os braços com mais destreza. Penso que está passando tão rápido, que em pouco tempo ele estará preferindo os amigos a mim e que já não será mais o meu bebêzinho. Meus olhos se enchem de lágrimas e anoto mentalmente que preciso devorar cada segundo, para ter os momentos vivos na memória.

Ele segura novamente minha mão e adormece, mais um momento tão intímo a que já estamos acostumados. Enquanto escuto sua respiração tão tranquila, nino seu sono, analiso seu rosto, o rosto mais lindo que já vi e me dou conta que de vez em quando, meu amor de mãe é um pouco egoísta: por que eu não suportaria vê-lo sofrer, eu cuido tanto para que nada de ruim aconteça e por que eu não viveria mais sem ele, eu o protejo tanto.

Meu filho acorda e novamente me sorri – ah, como eu amo esse sorriso! – e eu sei que está na hora de mais uma maratona banho/ troca de roupa/preparação para passeio, tudo um ritual que, por vezes me desgasta. De novo, penso que em tudo ele depende de alguém, mas que não será sempre assim. Em pouco tempo, estaremos com outras pessoas e então meu bebê será um pouquinho de todo mundo. Meu amor egoísta mais uma vez me lembra de que seu sorriso apaixonado nem sempre será só para mim e que um dia eu já não caberei em seu caminho e em seus sonhos. Meu coração de mãe se aperta, mas tento me convencer que esse é o andar natural das coisas.

Como em todos os dias, eu agradeço a ele e a Deus por ser um filho tão abençoado, tão saudável e iluminado. Repito, de novo e quantas vezes forem necessárias, que é meu bebê, meu príncipe, meu amor, meu coração e que o amo além da conta. E acrescento: você só entenderá quando tiver seus filhos, muitas vezes me repreenderás como tua mãe, mas ainda assim eu te amarei mais do que eu acho que posso suportar!

Ele sorri – ah, meu bebê sorriso, como és feliz! – como se me entendesse e começa a dizer coisas. Ok, ele não diz nada exatamente, mas faz aqueles sons que nos permitem longas conversas. Eu o pego em meu braços para mais um abraço, e ele repousa a cabeça em meu ombro. Penso, de novo, que meu amor é infinto e que eu não viveria sem ele, que entre tantas coisas no mundo que eu poderia fazer, estar com ele é a melhor de todas. Agradeço de novo. Meu filho, em tão pouco tempo, já me fez aprender coisas sobre mim que eu desconhecia. E dá um novo sentido a minha existência, e então eu entendo que ser sua mãe é a melhor parte de mim.

 

Ter filho dá trabalho

Se você não tem filhos, não aguenta ler algumas verdades ou não é capaz de entender um ponto de vista de outra pessoa, esse texto não é para você, então pare agora.

 

Ter um filho dá trabalho, muito trabalho. E afirmo isso em meio à uma experiência com um bebê que é muito bonzinho e que não incomoda. Apesar disso, dá um cansaço enorme.

Ser mãe é uma delícia, é recompensador e somos apaixonadas por nossos bebês, mas nem sempre é maravilhoso.

Para ser mãe, é preciso ter um desprendimento enorme, e aprender a abrir mão de um monte de coisas. Acontece que se você fala algumas verdades, as pessoas te julgam, porque é muito feio admitir certas coisas. Admitir, por exemplo, que de vez em quando dá vontade de fugir e por mais que você ame seu filho, você vai sentir vontade de ter um tempo só pra você. Admitir que você tem vontades que muitas vezes não incluem um bebê.

Meu dia começa cedo e não tem hora pra acabar. Preciso fazer tudo enquanto o João Otávio dorme, e tem dias que esse período é bem curto, aí não dá tempo de fazer nada. Eu não tenho folga e meu expediente não acaba às seis da tarde. E se ele quiser mamar, às três da manhã, eu tenho que estar lá, firme e forte, mesmo querendo morar embaixo das cobertas por causa do frio.

Dar banho nem sempre é super divertido, cansa e dá dor nas costas. Amamentar é aquela lenda, e apesar de passada a fase de terror, muitas vezes dói. Músicas de ninar são chatas pra caramba. A gente se sente muito sozinha em grande parte do tempo, e de vez em quando dá vontade de conversar com alguém que vai responder com palavras e não só com um sorriso – o sorriso mais lindo do mundo, a propósito.

Mesmo amando ficar com nosso bebê, também dá saudade de sair pra jantar – outro dia vou contar a primeira vez que saímos sem nosso baby – pra dançar, beber além da conta, não ter hora pra acordar, receber convites, tudo como era antes e que a gente sabe que nunca mais será. E sair sem morrer de saudade do pequeno, nem morrer de culpa por não passar a noite com ele. Tudo uma confusão de sentimentos.

Um bebê em casa enche a vida de alegria, mas também enche de preocupação e de coisas que você não curte fazer o tempo todo, tipo trocar fraldas e lavar mamadeiras. E também priva de coisas que a gente nem percebia que era tão importante, como tomar banho e lavar o cabelo, sem precisar sair correndo do chuveiro.

Toda mulher sonha, em algum momento da vida, em ter um filho e continuo dizendo que é a coisa mais linda do mundo. Sou apaixonada pelo meu neném e não consigo imaginar como seria minha vida sem ele – toc toc toc. Mas dá um trabalho danado. Se você tem alguém que te ajude a fazer as coisas todos os dias, você talvez não entenda o que eu estou falando. Se você só vê os filhos dos outros, por meia hora e de banho tomado e roupa bonita, você tem menos ideia ainda. Nem sempre essa aventura de ser mãe é maravilhosa, nem sempre é um paraíso. Vale a pena, nossa, e como vale! Basta um sorriso ou uma nova descoberta pra gente quase esquecer de tudo. Isso, claro, se você estiver de banho tomado e sem a dor no corpo de cansaço.