A verdade sobre amamentar

Esqueça todas as vezes que te falaram que amamentar dói. E eu digo “esqueça” não porque é mentira, mas porque dizer que dói não é suficiente. Hoje, depois de doze dias amamentando sem parar, eu entendo porque as campanhas de amamentação repetem tanto que este é um gesto de amor: com o tempo você percebe que insiste em amamentar unicamente pelo fato de que beneficiará seu filho, e nem pensa no resto.

Se eu fosse pensar nos benefícios que a amamentação traz pra mim, eu certamente já teria desistido. Repito: continuo a amamentar por amor ao meu filho. Como eu já repeti um milhão de vezes no blog, sou bem chata e intolerante para a dor, então talvez seja por isso que a experiência de amamentar pra mim esteja tão ruim. Mas esses dias eu fiz uma comparação que a meu ver parece bastante razoável e minha mãe achou que foi sutil: use um grampo de roupa para beliscar continuamente a ponta do seu seio. Não desista. Faça isso a cada três horas, mesmo quando seus seios estiverem sensíveis e machucados. Dói só de pensar, certo? Pois é! É mais ou menos isso.

Eu confesso que em alguns momentos entro em pânico só de pensar que está na hora de ele mamar, com direito a crises desesperadas de choro. E confesso ainda mais: acho que outro motivo que não me fez desistir é  o Fernando, afinal João Otávio é filho dos dois e as decisões cabem a ambos.

Nas campanhas, amamentar é mais fácil do que parece. O que não dizem é que nem sempre o bebê consegue pegar o seio corretamente e isso causa ainda mais dor. Também não dizem que a gente chora de dor e de nervosismo, que a gente fica descabelada e que os seios fartos – sonho de toda mulher – na verdade latejam quando têm excesso de leite. Também não contam que a gente sente vontade de sair correndo a cada mamada e que morre de culpa por sentir isso.

A verdade é que amamentar não é lindo. Ok. Admito que quando o João Otávio acaba de mamar ele dá o sorriso de satisfação mais lindo do mundo e isso sim é de fazer o coração derreter. E que, quando o seio dói um pouco menos, é um momento tão íntimo que dá vontade de ficar ali pra sempre. Amamentar é um privilégio e um fardo exclusivo de cada mãe: se você não fizer, ninguém mais fará por você (e nossa, isso me assusta!). Dizem que essa dor absurda passa e que quase todas as mulheres passam por esse processo. Me julguem como queiram, talvez eu seja uma mãe horrorosa por falar essas coisas. Talvez eu seja honesta demais para admitir coisas que as outras não falam em voz alta. Quando seu filho nasce, existem verdades que você não admite nem pra você mesma, e o fato de pensar em desistir de amamentar é uma delas. Provavelmente a culpa não deixará você desistir, então relaxe e continue tentando.

Desabafo

Eu deveria, nessa fase da gestação em que estou, estar diminuindo o ritmo. Estou entrando na trigésima quarta semana, oitavo mês de gravidez, e para quem já passou por isso, sabe do que eu me refiro: pernas inchadas, dor nas costas, azia, contrações de treinamento, dores intermináveis na barriga e no corpo todo, tudo aquilo que a gente sabe que é normal, mas que é uma chatice.

Acontece que nem sempre as coisas são como deveriam. Embora  eu planejasse já estar desacelerando por essa época, a vida me trouxe surpresas que me fizeram correr ainda mais.

Imprevistos acontecem, nós sabemos, e aprender a lidar com eles nos torna pessoas melhores e mais eficazes, em todos os âmbitos da vida. Mas de vez em quando nos tiram do eixo. O fato é que por conta dos muitos imprevistos acontecendo ao mesmo tempo, minha vida ficou um pouquinho de cabeça pra baixo, e ando numa correria tremenda, a ponto de não conseguir realizar corretamente sequer minhas tarefas de rotina, quem dirá aprontar os últimos preparativos antes da chegada do João Otávio.

Se antes o cansaço já tomava conta de mim, agora está a ponto de me fazer chorar. Não me sobra tempo para muita coisa e o pouco que sobra, eu preciso descansar, por causa das dores no corpo. Aí as pessoas me falam que eu preciso descansar mais. A minha resposta é: não posso. E não posso, simplesmente, pelo fato de não ter quem faça as coisas por mim. Eu queria não precisar ir no mercado, eu queria já estar parando de trabalhar, queria ir uma ou duas vezes na semana fazer drenagem linfática, queria poder dormir à tarde com as pernas pra cima. Mas infelizmente não dá. E queria, principalmente, não sentir esse cansaço todo, que me faz uma pessoa reclamona.

Eu sei que não sou a única mulher que passa por isso. E sei que, provavelmente, tem coisa pior por vim e que meus dias serão ainda mais desgastantes. Mas eu realmente tô esgotada, física e emocionalmente. E, justamente, por saber que vai ficar ainda mais cansativo, eu preciso sossegar a mente e o corpo, preciso relaxar, amenizar as mil dores que sinto. Mas como? Como fechar os olhos diante das coisas, fingir que não me importo, deixar as coisas pela metade? Preciso de tempo. E preciso, mais que tudo, me transformar em duas pessoas para poder fazer todas as coisas que tenho que fazer.

Visitas na maternidade

Ontem fiz minha primeira consulta com pediatra, no papel de mãe – mas isso vai me render um outro post, prometo. Em meio à conversa, a médica falou uma coisa SENSACIONAL, que acho que tenho obrigação de compartilhar com vocês. Ela me disse o seguinte: a pior invenção na vida de uma mulher é a tal da visita na maternidade.

Gente! É genial! Eu já desconfiava disso desde que engravidei, mas quando o assunto é abordado por uma médica com mais de 30 anos de experiência, ganho respaldo científico para minha opinião.

Com a proximidade da data do parto – que até agora só Deus sabe qual é – tenho ficado cada vez mais ansiosa e angustiada, e tenho repetido isso aqui várias vezes. Afinal para mamãe de primeira viagem tudo é novo. Vou ter que aprender a lidar com choro, amamentação, vômito, umbigo, cólica e mais um monte de coisas que chegam junto com o bebê. Imagina em meio a tudo isso ter que parar pra servir cafezinho pra visita ou me preocupar em não estar de pijama?

De acordo com a médica – ok, eu também penso isso, mas vou usar o respaldo da profissional – o limite entre ajudar e se intrometer nesse período é uma linha muito tênue. E às vezes na ânsia de ajudar as avós, tias, sogras, primas, vizinhas, amigas acabam por atrapalhar nessa fase de adaptação da nova família que se formou. E vejam bem: muitas vezes independe da proximidade da visita com a mãe ou pai. A pessoa que visita – principalmente as que chegam dando muito palpite, muito conselho sem ser solicitado, acabam atrapalhando. Isso vale pra  QUALQUER PESSOA. Já falei isso em outros textos, todo mundo tem um super conselho pra grávida, e imagino que pra mãe de recém-nascido seja ainda pior. Só que ouvir palpite de gente que tem experiência no assunto, já é um saco, imagina de quem não entende bulhufas do que está falando!

Não sou uma pessoa cheia de dedos, e me conhecendo bem, já antecipo que existe a possibilidade de eu acabar sendo grosseira com quem quiser nos visitar no período pós-parto. Em minha defesa, meus hormônios estarão um turbilhão, não estarei dormindo bem e estarei nervosa por não saber muito bem como proceder com o baby. Mas não custa já avisar que prefiro visitas em casa, incluindo de familiares.

Eu entendo que meu pequeno é um bebê muito bem vindo, um anjo que abençoa nossas vidas e tudo o mais. Mas antes de ele conhecer o mundo, ele precisará conhecer mamãe e papai, e não sabemos como será nossa adaptação. Portanto, mais uma vez, adianto aqui que todas as visitas serão muito bem vindas, amaremos toda demonstração de carinho e afeto, mas só depois de 15 ou 20 dias, e com visitas comunicadas antecipadamente e super rápidas. Antes disso, qualquer um corre o risco de ver a mamãe aqui pirando.

 

 

 

leiam mais sobre o assunto:

 

As 10 regras de etiqueta para visitar um recém-nascido na maternidade ou em casa!

 

 

Será que acabou a magia?

Tenho tido uma dificuldade imensa em escrever nos últimos dias. O motivo principal é que, qualquer coisa que eu escrevesse, não seria tão bacana quanto antes. No último post, comentei sobre o fato de a minha ficha começar a cair: de repente me dei conta de que logo, logo terei meu bebê nos braços, e isso me assustou profundamente.

Junto a isso, vem o fato de que meus desconfortos – que não eram poucos – aumentaram nas últimas semanas. Minha barriga está maior e mais pesada a cada dia, e pequenas coisas do cotidiano se tornaram um pouco complicadas. Hoje, por exemplo, pela primeira vez, tive uma certa dificuldade em fechar minha sandália. Tá, é super engraçado. Mas é chato. Vou precisar adotar aquelas rasteirinhas de dedo, porque as fechadinhas já não são práticas.

Minhas roupas deixam de servir de um dia pro outro e dormir só é possível de lado: com a barriga pra cima, as costas doem bastante. Ah! e cada vez que eu troco de lado durante a noite, eu acordo por causa do peso da barriga, ou seja meu sono é picado. Junte a isso as corriqueiras câimbras, azia, inchaço nas pernas, falta de ar e o bom e velho cansaço, que voltou a me atormentar.

Para quem tem acompanhado o blog, nada disso é novidade. E para quem já passou por uma ou mais gravidez, a resposta é sempre a mesma: tudo isso é normal! E é, mesmo! Mas é um saco. Só que agora eu tenho um agravante para tudo isso: a ansiedade!

Não fiquei ansiosa, até agora, durante a gestação. Mas desde que o quarto está pronto, o tempo se arrasta, os dias parecem mais longos. Se até então, minha gravidez tinha voado, agora está a passos de tartaruga. E a espera é angustiante. Mais do que antes, penso no parto e fico nervosa, e me apavoro pelo fato de saber que eu não tenho a menor ideia de como serão meus dias quando João Otávio nascer.

Talvez eu tenha deixado de romantizar tudo – ok, desde que me falaram que eu romantizo tudo, eu tenho pensado muito nisso, e me sinto meio tola às vezes. Talvez a magia tenha acabado. Aliás, também já me falaram que a magia da gravidez é um mito. Talvez seja só ansiedade pela espera. Para tudo isso, tenho procurado me ocupar com outras coisas, tipo devorar livros, já que depois eu acho que não terei tempo, e também reconsiderar a ideia de fazer um chá de fraldas, já que pelo menos esse planejamento me dará outro foco. O fato é que, apesar da ansiedade e da angústia, eu sei que vou precisar esperar mais uns dois meses e meio para saber o que realmente acontecerá. E, pelo visto, esses próximos dois meses e meio serão beeemmm longos.

Desconfortos, Parte 2

Já comentei isso aqui no blog, mas acho muito engraçado quando alguém pergunta se eu tenho enjoada muito. É engraçado por dois motivos: primeiro que a “fase” dos enjoos pra mim já passou faz tempo, afinal já tô com quase 6 meses de gestação. Segundo porque, realmente, enjoos eu quase não tive, mas em compensação o resto…

Às vezes pareço um poço de reclamação. É azia, dor nas pernas, câimbras, dor nas costas, cansaço, cansaço e cansaço, cólicas, constipação, gases e por aí vai. Pois era só o que me faltava, além de tudo isso, sofrer  enjoando e vomitando!

Agora tô num período em que o que mais me incomoda é a azia. Azia todo dia, às vezes o dia todo, inclusive, independente do que eu como, se eu deito ou não. Minha médica até me deu um remédio pra aliviar, mas confesso que dura por uns 40 minutos e logo o incômodo volta. Já me falaram que banana, além de ser ótimo pra evitar câimbras também alivia a danada da azia, e na dúvida, como uma por dia, mas infelizmente não comprovei a eficácia.

E por falar em evitar câimbras… ai ai… de vez em quando elas aparecem, graças a Deus com menos frequência do que a queimação no estômago. Mas quando aparecem! Além de levar belos sustos de madrugada por causa da dor, fico com vestígios por vários dias depois da visita que recebo sempre durante a noite.

E ainda tem o inchaço nas pernas. Em dias de calor, minhas pernas incham a ponto do meus pés deixarem de servir nos sapatos. Não é agradável! O inchaço ainda traz aquela sensação horrível de peso nas pernas. Mas de todos, esse é o mais fácil de “curar”: drenagem linfática ajuda e muito, além de beber MUITA água. Um belo suco de couve logo de manhã também ameniza bastante.

Pois é, não posso dizer que enjoos, de fato, me incomodem, afinal eles são até bem amenos perto do resto. Mas acho que o que eu tenho já me basta e me dá bastante motivo pra parecer uma velha chata e reclamona, não é?

E vocês, o que fazem pra aliviar os incômodos da gestação. Ando aceitando sugestões, dicas e macetes!

Coisas que você não deve dizer para uma mulher grávida

Como eu sempre falo aqui, estar grávida é uma delícia. Costumo até brincar que se eu soubesse que era tão legal, teria engravidado antes. Mas, infelizmente, como em tudo na vida, passamos por algumas situações constrangedoras – ou nem tão constrangedoras, mas que simplesmente enchem o saco. Algumas pessoas não têm a menor ideia do que seja bom senso e extrapolam nos comentários que fazem. Por causa disso, listei algumas coisinhas que você pode deixar passar batido e nunca comentar com uma mulher grávida.

 

1-      “Nossa! Como sua barriga cresceu! ”(principalmente se for em tom de muita surpresa.) – pois é, minha gente! Tenho uma novidade: barriga de mulher grávida cresce. Aliás, TEM que crescer. Estranho seria, inclusive, se não crescesse. Nós sabemos, vemos esse crescimento acontecer diariamente. Acontece que esse tom de espanto, às vezes, nos deixa em um situação quase constrangedora demais. Nem todos os dias, acordamos nos sentindo mulheres lindas e maravilhosas com nossas formas arredondadas, e apesar de AMAR nosso bebê e AMAR saber que ele está se desenvolvendo bem, mostrar grande susto porque nossa barriga cresceu de uma semana pra outra, pode fazer nossa autoestima parar no pé. Sim, eu sei que a intenção é agradar, e não tem jeito, as pessoas vão fazer esse comentário até o dia do nascimento, mas por favor, seja discreto.

2-      “Parto normal? Você é louca!” – na minha última consulta de pré-natal, perguntei pra minha médica quando eu devo decidir que tipo de parto eu quero. A resposta dela foi mais ou menos a seguinte: ”a menos que você marque uma cesárea com antecedência, não tem muito como prever o que vai acontecer no momento exato do nascimento”. Acontece que a grande parte de nós já tem uma ideia do tipo que parto que quer, é uma decisão nossa querer tentar parto normal ou não, e esse tipo decisão, se é que diz respeito a alguém, é só ao pai de criança, que provavelmente vai acompanhar tudo de perto. Só que mesmo que essa seja nossa decisão, nós já morremos de medo, afinal existem histórias assombrosas sobre o assunto. Faça a gentileza de não nos deixar ainda mais apavoradas, e não comente nada caso seu parto normal tenha sido traumático, a não ser que 1- a gente pergunte 2- seja com uma mulher com 3 filhos pequenos, laqueadura e casada com um homem com vasectomia 3 – seja com uma mulher que nem pensa em engravidar nos próximos tempos, e menos ainda pensa no parto. Esses dias, escutei uma história cabulosa, durante a história falei 3 vezes que estava passando mal já, e a pessoa continuou falando o terror que foi o nascimento da filha. Fiquei apavorada. Gente, sério! Como disse antes, nós já temos medo, não precisa contribuir ainda mais pra isso, ok? Obrigada.

3-      “Cesárea? Você é louca!” – pois é, segue o mesmo raciocínio lógico do tópico anterior. Não temos a menor ideia de como nossos bebês vão nascer, mas ficamos assustadas e ansiosas só de pensar no assunto. Por favor, seja delicada e só toque no assunto se sua experiência tenha sido de conto de fadas. Não precisamos saber de pós-cirúrgico que deu errado nem de erro médico durante a cirurgia, nem o quanto a anestesia dói e é dada numa posição desconfortável, enfim. Deixe que, caso tenhamos curiosidade, pesquisamos o tema ou perguntamos.

4-      “Bom mesmo é quando estão na barriga, porque depois que nascem dão muito trabalho”- juro que escutei isso de uma pessoa. Fiquei completamente sem resposta. É de se imaginar que filho dá trabalho. Mas se não fosse bom, a humanidade estaria em extinção. Não é possível que tanta gente diga que a maternidade é uma coisa maravilhosa, se não fosse verdade, não é mesmo? Na maior parte do tempo, nós não temos a menor noção se seremos boas mães, se nossos filhos serão crianças saudáveis e bem educadas, ou verdadeiros pestinhas. Mas – de novo – não nos assuste! Já temos razões suficientes para entrar em parafuso a qualquer momento.

5-      “Dois filhos, um atrás do outro? Espera nascer pra você ver”- pois é, de novo vou seguir a ideia do tópico anterior. Meu povo, eu queria ter gêmeos, e infelizmente não foi dessa vez. Se eu tenho o sonho de ter dois filhos mais ou menos com a mesma idade, please, não tentem me apavorar e comprometer minha vontade. O corpo é meu, quem vai perder (ou ganhar, depende do ponto de vista) anos e passar trabalho sou eu. Deixem que eu mesma conclua que é melhor esperar um pouco mais antes de ter o segundo filho.

6-      “Não coma … (inclua aqui qualquer alimento) que faz mal”- existem muitos mitos e verdades a respeito dos alimentos que podemos ou não consumir. Esse comentário, pra mim, é um dos piores. Fomos devidamente instruídas desde o início do pré-natal quais alimentos fazem realmente mal pro bebê. E olha, não existe consenso nem entre os médicos, mas cada mulher segue a orientação do próprio médico. Só que comentários desse tipo, traumatizam. Um exemplo: existe toda uma história sobre o café durante a gestação. Eu fui orientada pela médica e nutricionista que posso consumir até duas xícaras de café por dia. Imagina o quão desagradável é quando vou tomar café e alguém pergunta se eu posso tomar! Se eu não pudesse, não tomaria. Outro exemplo: um dia me falaram que linhaça faz mal pra grávidas. Pesquisei sobre, perguntei para médica e para a nutricionista e nenhuma das duas apontou qualquer razão para isso ser verdade. Mas até hoje, tenho receio da tal da linhaça, porque vai que faz mal e acontece alguma coisa com meu bebê e a culpa é minha porque comi linhaça. Chato né? Como eu disse, fomos orientadas já pelo médico durante o pré-natal, então talvez seja uma boa ideia guardar suas super dicas para quem pergunta.

7-      “E aí? Enjoa muito?” – gente, existem outros sintomas da gravidez, e honestamente, enjoos não me parecem relevantes em meio ao turbilhão de coisas que acontece conosco.

 

Eu sei que, a maioria desses comentários – e muitos outros que não quis mencionar para não ser (mais) indelicada – são feitos por total inocência. Então me perdoem o desabafo. Acontece que de vez em quando são impertinentes e bastante incômodos, principalmente com os hormônios a flor da pele e um estado de intolerância de matar qualquer um. Mas, sinceramente, inconveniência tem limite, então principalmente quando se trata de coisas que nos apavoram, tenha cuidado.

Ao invés de dizer que nossa barriga cresceu, diga o quanto estamos lindas. E que nossa decisão sobre o parto foi a melhor de todas, essas coisas. Não custa nada, né. Afinal, nós também amamos quando o mimo é no sentido de nos deixarmos completamente tranquilas e relaxadas nessa fase conturbada pela qual estamos passando.

Crises da gravidez, Parte 2

Ontem comentei por aqui que durante o fim de semana passei por duas crises.

 

Pois bem. A segunda crise começou, na verdade, durante a semana e teve um desfecho no domingo. Acontece que, sem muitas amigas próximas grávidas, eu acabo me sentindo um pouco sozinha. E vivendo uma fase completamente diferente dos meus melhores amigos, me sinto numa ilha deserta.

Domingo fui numa festa, em que estavam alguns conhecidos. Se antes eu era das simpáticas, que sai conversando e fazendo amizades em qualquer evento, agora é a situação é outra. Meu assunto é muito diferente de todo mundo, minha fase é outra e nem tenho pique mesmo pra acompanhar a galera.

Enquanto vejo meus amigos e amigas se prepararem pra sair pra balada e nas intermináveis operações verões de todos os anos, eu me vejo dormindo às 9 da noite e me programando pra passar o verão na Caeira da Barra do Sul (longe e isolada da maior parte do mundo). E, eu admito, de vez em quando isso dói.

Um dia me falaram que é como se a gente entrasse numa comunidade secreto. E eu imagino mesmo que deve ser assim. Ao mesmo tempo que tenho visto muitas mulheres grávidas, tem horas que a solião e a carência batem forte.

É normal, eu sei. Principalmente porque a vida segue pra todo mundo. Mas sentir as pessoas se afastarem é estranho e doloroso. E não poder acompanhar os amigos de antes também.

Domingo me bateu uma saudade de estar como todo mundo – e claro, junto veio a culpa por me sentir assim. E me dei conta que é aquele tipo pior de saudade, que a gente sente e sabe que realmente não vai viver aquilo de novo.

Não tenho dúvidas de que estou vivendo o momento mais especial e maravilhoso da minha vida. Mas nunca soube lidar com esse sentimento de solidão. Todos os dias, alguém me dá parabéns e deseja luz e saúde pro Jota – e isso é uma das coisas que mais gosto da gestação, porque me sinto realmente muito querida pelas pessoas. Mas sinto falta de ter com quem compartilhar essa fase incrível. Graças a Deus, tenho um homem muito especial ao meu lado, que me acompanha em todas as fases. E a Internet, que me faz sentir um pouco menos isolada do mundo.