A saga das papinhas

Começamos as papinhas do João Otávio dia 12 de setembro, com cinco meses e 1 dia de vida. Isto porque como ele estava tomando mais mamadeira do que LM (leite materno), a pediatra disse que era necessário entrar com frutas e verduras para garantir uma nutrição mais completa.

Eu estava ansiosa. MUITO ansiosa. Desde que engravidei, a questão da alimentação sempre foi muito importante pra mim. Se você acompanha o blog, já leu isso um milhão de vezes. Mas se você não acompanha, precisa saber: por eu ter sido obesa, tenho uma grande tendência a engordar e tive uma educação alimentar repreendível, aos vinte e quatro anos fiz redução do estômago e por isso tenho uma grande preocupação com a alimentação do meu filho. Todo mundo já ouviu falar em re-educação alimentar. Eventualmente precisamos fazer uma. Isso porque aprendemos a comer errado desde criança. Aí quando adultos, muitas vezes com a saúde em estado caótico precisamos aprender a comer de novo, coisa que é muito difícil de se fazer, porque exige mudanças de hábito. Partindo desse princípio, acredito que se educarmos bebês e crianças a se alimentar corretamente, vamos facilitar a vida deles enormemente. Mas isso exige esforço, paciência e determinação.

Pois bem. Voltando: eu estava muito ansiosa para a introdução das papinhas. Criei uma enorme expectativa, planejei como seria o primeiro dia de comida da vidinha dele. E como todo mundo sabe, expectativa quase sempre vem acompanhada de frustração. O primeiro dia não foi nem de longe como eu sonhava. A primeira fruta foi mamão e ele odiou, e eu nem julgo porque também detesto mamão. Apesar disso, fazia caras e bocas de “humm, que delícia!”, provei o mamão (eca!) e nada. Ele estranhou, cospiu tudo, chorou, fez cara de nojo. Um horror! Eu havia seguido a instrução da pediatra, que era não bater nenhum fruta, apenas amassar bem. Foi péssimo, mas com muita insistência ele comeu um pouco, quase nada.

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No almoço, de novo segui a instrução: apenas uma verdura por vez pelo menos nos primeiros dias. Fiz um purezinho de cenoura, pouquinho sal, água e (pelo que me lembro) foi só. Odiou, detestou, esperneou, trancou a boca e nada! A essa altura, lembramos que o Fernando havia comprado uma dessas papinhas prontas da Nestlé, para uma emergência, e acabamos oferecendo. Ele comeu tudo e eu morri por dentro. Não era nem de longe o que eu pretendia, fazia questão de não oferecer comida pronta, queria eu mesma cozinhar todo o alimento dele.

Aí na parte da tarde, recebi uma visita que veio como um anjo. Ela tem dois filhos e me disse o seguinte: minha filha até os dois anos, só comia o que eu batia no liquidificador. Não é o melhor, mas era o jeito. No lanche da tarde, fiz uma banana bem amassadinha e coloquei um pouquinho do leite que ele já tomava. Também deu certo, mas não muito.

Por fim, às oito da noite eu estava morta de cansada, tinha chorado nas três refeições dele. Precisei de muita paciência, dedicação, e esforço. Fiquei frustrada, cansada, chateada. Não foi como eu imaginava, mas meio que foi. Graças a Deus, no segundo dia foi um pouco melhor, e a partir do terceiro optei por bater tudo no liquidificador. De novo: não é a melhor opção, mas fico pensando: ele não tem nenhum dente, se engasga e poxa! não preciso ser tão radical, posso ir ensinando aos pouco as diferentes texturas dos alimentos.

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Para minha alegria, tranquilidade e total orgulho, continuo ainda fazendo toda a comida dele e ele adora, come super bem! E como sou dessas mães bem chatas, não gosto que mais ninguém faça!

Eu que já encarei um bocado de desafios na vida, que fiz um tanto de coisas consideradas dificeis continuo achando que o primeiro dia de papinha do João Otávio foi o dia mais difícil da minha vida! Mas como tudo nessa brincadeira que é a maternidade, vale a pena o empenho e o cansaço.

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O dia mais emocionante da minha vida

Sempre achei que o dia mais feliz da minha vida seria o dia que me descobrisse grávida. Não foi. Aí achei que seria depois do primeiro chute, primeiras mexidinhas. Também não. E preciso admitir: tampouco foi o dia do nascimento do João Otávio. Nesse dia, eu estava tão ansiosa e nervosa que não tive espaço dentro de mim para acomodar muita alegria. E, com a ajuda da anestesia, fiquei um pouco aérea quando pude finalmente olhar seu rosto pelo primeira vez.
Na minha vida, já tive a possibilidade de fazer um monte de coisas que posso definir como momentos de muita emoção e até “pura adrenalina”. Saltei de paraquedas, fiz raffiting, era enlouquecida por montanhas russas e afins. Vi Paris do alto da Torre Eiffel e New York do Empire State. Tive o prazer de morar na maior cidade do país, bem no centro econômico e cultural, com a possibilidade de conhecer gente de quase todo tipo. Passei curtos 3 meses em Barcelona – ah, Barcelona! Por onde começar a falar? – Vi o Rio pela perspectiva do Cristo, e em Londres não me aventurei muito, mas não deixei de ter o coração batendo a mil.
Posso citar mais um monte de pequenos e grandes momentos de perder o fôlego. E nenhum desses foi o mais emocionante e inesquecível da minha vida. O dia mais emocionante acontece todo dia por aqui.
É quando meu filho acorda e abre aquele sorriso. – sabe aquele, em que eu tanto falo? – é, na verdade, o sorriso que dá sempre que me vê. E descobri recentemente emoção maior: são seus bracinhos me procurando para me abraçar e sua mãozinha desajeitada me fazendo um carinho no rosto, e seus beijos desajeitados, que mais parecem com um monte de lambida ou qualquer coisa assim.
Mais emocionante ainda é ver seu desenvolvimento, é perceber que ele conseguiu fazer hoje o que estava tentando há dias, é vê-lo maior depois das noites longas de sono. É ver a felicidade diante de uma música e desenho novos. É dormir com ele em meus braços, com o rosto grudado no meu e seus olhinhos de admiração pra mim. (Suspiros eternos nesses momentos!)
Por aqui também tem minutos de muita excitação e adrenalina: experimenta limpar cocô e vômito na noite mais fria do ano. Tem que ser bem rápido e o coração quase sai pela boca!
Hoje me perguntaram se já me adaptei a minha nova vida. Já! Ser mãe em tempo integral me proporciona situações muito diferentes do que eu imaginava. Meu lado mãe, hoje, é o predominante e é bastante inusitado viver assim. Mas eu gosto. Amo, na verdade! Amo ver meu filho crescer, amo seu sorriso, amo saber que sou responsável por ele e tudo que o cerca e amo saber que as coisas são feitas como eu planejei que seriam. Ser mãe é uma loucura. É cansativo, desgastaste e dá dor nas costas. Mas é uma aventura, e eu aposto, é a melhor de todas!

Fraldários

Esses dias, aconteceu uma coisa bastante inusitada pra mim. Estávamos numa dessas lojas que vende tudo pra casa – do alicerce ao acabamento – e o João Otávio fez cocô. Como sabem, não existe hora nem local pra isso, e sempre que os filhotes fazem, é uma alegria pros pais.
O Fernando resolveu trocar a fralda e foi se informar com um funcionário, onde ficava o fraldário. Para minha completa surpresa, assim que ele se dirigiu ao local com nosso pequeno, o tal funcionário veio me informar que o fraldário era exclusivo para mulheres.
Fiquei meio chocada! “Quer dizer então que meu filho não pode fazer cocô e xixi caso venha aqui só com o pai.”, eu pensei! Demorei a me dar conta que isso é reflexo de uma sociedade machista e despreparada para essa nova geração de pais que querem participar em tudo no criação de filhos – mas isso renderia um blog inteiro, praticamente!
Isso me fez lembrar da Kênia, uma amiga com bebê, que em algumas situações já mencionou em conversas a situação de alguns fraldários em shoppings e restaurantes. Já constatamos que não existe uma preocupação recorrente com isso nos estabelecimentos. Na maioria deles, existe um trocador improvisado, muitas vezes capengos – mas que cumprem a função, sejamos honestas!
Nisso tudo, tive uma idéia: estou abrindo um espaço aqui no blog para fazer analise dos fraldários e espaços família que eu conhecer ao longo do tempo. Pra isso, vou contar com a ajuda de todo mundo. Sempre que visitarem um local muito bacana, limpo, espaçoso, bem equipado, confortável, mandem e-mail que eu vou publicar nesse espaço do blog. Lembrando que aqui a intenção é só falar bem, então não vou publicar opiniões que falem muito mal de nenhum estabelecimento, ok?
Espero contar com a ajuda de vocês, pra gente fazer uma rede de informação. Quem sabe, restaurantes, shoppings, lojas se dêem conta da importância disso pra nós que temos bebês!
Vamos???

Em tempo: a tal loja tinha sim fraldário com acesso para homens, sim! Foi uma informação errada do funcionário. Mas valeu por me dar a idéia!

O que meu filho já fez por mim

Semana passada, no programa da Fátima Bernardes, estava a apresentadora Regina Casé. A Fátima comentou sobre algo que Regina disse em seu programa no dia das mães. Ao invés de homenagear sua mãe, ela agradeceu a filha por existir e permitir que ela vivesse a experiência da maternidade. Sensacional! E serve para todas nós, e nem nos damos conta.
Eu, Jully, sou mãe porque o João Otávio existe. E, embora faça parte da minha maneira de viver a vida agradecer a tudo e a todos, e também por causa disso eu já tenha agradecido ao João Otávio por ser meu filho, ainda não havia agradecido pela oportunidade de ser sua mãe.
Costumo sempre parabenizar às mães de crianças no dia do aniversario de seus filhos, afinal quando nasce um bebê, nascem também os pais. E nascemos sem saber de nada.
Meu filho já me ensinou, em seus quase cinco meses de vida, mais do que aprendi com muitas experiências anteriores a ele. Tudo na minha vida ressignificou depois que ele nasceu.

Aprendi que ser mãe exige esforço físico, mental e financeiro. Aprendi a importância de não protelar as coisas. Descobri a necessidade de economizar tudo – de roupas limpas a dinheiro!
Redescobri o valor de cada segundo com quem eu amo, e principalmente cada segundo que tenha só meu. Aprendi que dormir é mais importante que comer.
Meu filho me fez rever o valor da família. Me fez aprender que, por mais cansada que eu esteja, seu sorriso sempre me ilumina. Me fez aprender que nem tudo está escrito nos livros, e que muita coisa que está não serve pra mim. Me fez aprender a importância de usar boas fraldas.
Observando o desenvolvimento do meu bebê, mudei minha relação com o meu corpo: ao perceber o quanto coisas simples pra mim são grandes desafios pra ele, senti vontade de desafiar meus próprios limites.

Meu filho me ensina a ser flexível na rotina, embora me exija uma rotina bem definida ( dessas contradições que só a gente entende). Me fez aprender a diferenciar choro, riso, barulho de pum, além de ler suas expressões. Me fez entender que eu posso saber exatamente quais são suas preferencias, embora ele não saiba dizer uma palavra.
Tenho aprendido todos os dias a controlar a ansiedade e curtir cada progresso dele. Tenho revisto meus objetivos e prioridades, reconstruído sonhos. Aprendi a não dar ibope a coisas sem importância.
Viver a oportunidade e experiência da maternidade tem me feito muito bem, mais que isso: me fez crescer como mulher. Aprendi e vivi coisas que só foram possíveis porque meu filhote deu o ar da graça. De todas, a mais importante é ser e amar como mãe!

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Guia prático sobre como cuidar de bebês ou Coisas que você só aprenderá com o tempo.

Seria muito bom se existisse uma enciclopédia sobre cuidar de bebês. Existem muitas obras sobre o assunto e realmente dá pra aprender muita coisa por lá, indico a leitura. Mas nenhum deles te dirá exatamente como cuidar do SEU filho.
Você pode fazer vinte cursos de gestantes, e não será suficiente. Somente a prática fará de você uma expert na sua cria, e na de mais ninguém.
Cuidar de neném, na verdade, não é difícil. Basicamente, você precisa mantê-los limpos, alimentados e agasalhados. Esse é o principio básico. O que os livros não contam e os cursos não ensinam é que muitas vezes seu bebê fará um cocô daqueles logo depois de trocar a fralda e fechar a roupa. Que, em outras vezes, vai ser tanto cocô que você vai achar melhor dar outro banho, mesmo sendo às onze da noite da madrugada mais fria do ano, porque simplesmente não dará conta de limpar tudo. Aliás, ninguém dirá que cocô de bebê se espalha pelas costas, rosto, mãos, cabeça – a dele e a sua também.
Especialistas não te dirão que, apesar de não existir “leite fraco”, em alguns momentos seu filho vai querer mamar a cada meia hora e vai continuar com fome. E que depois de tanto dar mamar, isso vai acabar com suas costas, sua postura, seus seios e seu bom humor.
Os livros não dizem que as trocas de fralda se tornarão malabarismos, porque afinal o bebê se mexe muito, quer pegar tudo e comer os pés. E nem que, apesar do trabalho dobrado, você vai achar muito engraçado.
Psicólogos e pedagogos dirão que o bebê tem que dormir no berço desde muito cedo, mas não serão claros sobre como isso exigirá de você um esforço extremo. E que aquele cochilinho de manhã cedo com o bebê encostado no seu peito será a parte mais gostosa do dia.
Dirão que às vezes é necessário deixar o bebê chorando, mas não que seus ouvidos e seu cansaço vão implorar para que ele simplesmente pare, não importa o que você precisa fazer pra isso.
Os livros, muitas vezes, não informam o quanto você precisará se tornar flexível no seu cotidiano, que nem tudo é cronometrado, que o intervalo de mamada a cada três horas pode durar uma hora e meia ou quatro horas. Que não existe oito ou oitenta, você precisa viver no equilíbrio, e precisa aprender a se adaptar e não se culpar porque as coisas não saíram como os outros disseram que seria.
Ninguém dirá que, mesmo tendo muitas informações sobre uma situação, algo em você gritará para fazer o contrário. Esse algo é aquele botão vermelho que ativa o Modo Mãe no instante que seu filho sai de dentro de você, e que vai apitar muitas vezes durante o dia. Se chama instinto. Aprenda a usá-lo e muitas vezes a obedecê-lo.
Se você procura um guia com todas as respostas sobre filhos, esqueça e conforme-se. E perdoe-me se causei desilusão. Livros e guias sobre bebês são ótimos e auxiliam muito nessa arte de criar filhos. Mas não dizem tudo. Aliás, não dizem um monte de pequenos detalhes que fazem o dia-a-dia acontecer. Tudo é descoberta e aprendizado. O convívio com o bebê te faz perceber que ele é um indivíduo com necessidades próprias, e que você terá que respeitar as particularidades dele. E esse tipo de coisa, você só aprende tentando, errando, fazendo de novo, observando, estando junto. E pasme: cansa e não é fácil, mas é a melhor parte de ser mãe. Acredite: nunca ninguém saberá cuidar melhor do seu filho do que você.

Semana mundial da amamentação: andando no caminho inverso

Ontem foi o Dia MUndial do Aleitamento materno e começou a Semana Mundial de Amamentação com diversas campanhas sobre o assunto. Como sempre, repete-se o antigo clichê que amamentar é um ato de amor. E quem amamenta ou já passou por isso, sabe que é mesmo. Como eu já disse aqui no blog, só porque a gente ama muito é que insiste no processo, que muitas vezes é bem doloroso, até dar certo. E muitas vezes não dá.
Quem prestar atenção nos programas de tv, vai escutar falar dos muitos benefícios do ato de amamentar e do leite materno, tanto para o bebê quanto para a mãe. Que é o melhor alimento para as crianças, fortalece o sistema imunológico, serve como a primeira vacina do bebê não há dúvidas. Para a mãe: ajuda a voltar ao peso normal, diminui os riscos de obesidade e diabetes para o resto da vida, diminui os riscos de gravidez durante o período e aumenta o vínculo com o filho. Se você já ouviu, leu, discutiu sobre o assunto, sabe que não citei nada de novo.
O que eu vim escrever, na verdade, anda na contramão das campanhas. Penso que sim, você deve amamentar e sim, precisa insistir um pouco até dar certo. Não conheço ninguém que disse que foi fácil e que não teve nenhum problema até conseguir amamentar tranqüilamente. Mas não deixe que esse momento se torne um martírio.
Se você acompanha o blog, sabe a que me refiro. Minha experiência foi traumática até achar um jeito que funciona pra mim. E acho que pode servir de exemplo. Só cheguei ao sucesso nesse quesito quando me livrei do peso, da responsabilidade e da culpa. Penso que se fala tanto da importância da amamentação exclusiva que muitas vezes, ficamos sem alternativas. E não é verdade.
Se você não conseguir, tudo bem, existem outras formas de alimentar seu bebê, você não será uma mãe pior por isso. Quando dá certo, amamentar pode ser sim muito prazeroso. Mas nenhuma campanha diz que vai doer muito, vai dar vontade de chorar, você vai querer desistir. Do jeito que se fala, parece que é tudo simples e que quem desiste é horrível como mãe. E isso também não é verdade.
Tudo no início da chegada de um filho é muito complicado, precisamos aprender a descomplicar. Amamentar, repito, não pode ser um sacrifício. Aposto que uma mamadeira dada com carinho é muito mais benéfica do que o leite materno dada em momentos de aflição. Não se permita traumatizar, não dê ouvidos às críticas – ninguém conhece sua realidade como você- não se martirize se quiser desistir. Demorei a aceitar que meu filho precisava de complemento e até hoje me pego me justificando por isso, tamanho foi o estresse e o trauma que passei. Fuja dos radicais, principalmente pediatras, que te imponham um caminho e te deixem sem opção. Mais uma vez, eu digo que vale a pena insistir. Quando dá certo, é um momento único e muito gostoso. Mas se não dá, acredite, não é o fim do mundo.

Crônica sobre um dia qualquer

São cinco pras seis de uma manhã de sábado gelada. No fundo do meu sono pesado, ouço um choro de criança e levo algum tempo até perceber que é meu filho que me chama. Chego no quarto e vejo que, como sempre, conseguiu se livrar da coberta. Sua fralda também está cheia, o que causa grande desconforto. Apesar disso, assim que me vê, ele abre aquele sorriso que eu tanto amo. Sei que é o início de mais um dia cansativo, e que ao fim estarei acabada, e ainda assim imensamente realizada.

Depois de trocar a fralda, me preparo para amamentar. Enquanto mama, ele me encara e eu sustento o olhar, segurando sua mãozinha. Adoro seus olhinhos apaixonados para mim. Quando acaba, ele se aninha ainda mais em meus braços, daquele jeito que é só comigo e me sorri de novo. Um sorriso cheio de gratidão e de amor. Meu coração derrete pela milésima vez.

Coloco-o em minha cama, e deito ao seu lado. Ofereço minha mão para sua adorada brincadeira e percebo que de repente se distrai com os próprios dedos, aqueles dedinhos que tantas vezes eu mesma já contei, só por insistência, e que até ontem ele não sabia que existiam. Lembro-me de que há três dias atrás, segurar objetos era tão mais difícil e que aos poucos ele faz movimentos com os braços com mais destreza. Penso que está passando tão rápido, que em pouco tempo ele estará preferindo os amigos a mim e que já não será mais o meu bebêzinho. Meus olhos se enchem de lágrimas e anoto mentalmente que preciso devorar cada segundo, para ter os momentos vivos na memória.

Ele segura novamente minha mão e adormece, mais um momento tão intímo a que já estamos acostumados. Enquanto escuto sua respiração tão tranquila, nino seu sono, analiso seu rosto, o rosto mais lindo que já vi e me dou conta que de vez em quando, meu amor de mãe é um pouco egoísta: por que eu não suportaria vê-lo sofrer, eu cuido tanto para que nada de ruim aconteça e por que eu não viveria mais sem ele, eu o protejo tanto.

Meu filho acorda e novamente me sorri – ah, como eu amo esse sorriso! – e eu sei que está na hora de mais uma maratona banho/ troca de roupa/preparação para passeio, tudo um ritual que, por vezes me desgasta. De novo, penso que em tudo ele depende de alguém, mas que não será sempre assim. Em pouco tempo, estaremos com outras pessoas e então meu bebê será um pouquinho de todo mundo. Meu amor egoísta mais uma vez me lembra de que seu sorriso apaixonado nem sempre será só para mim e que um dia eu já não caberei em seu caminho e em seus sonhos. Meu coração de mãe se aperta, mas tento me convencer que esse é o andar natural das coisas.

Como em todos os dias, eu agradeço a ele e a Deus por ser um filho tão abençoado, tão saudável e iluminado. Repito, de novo e quantas vezes forem necessárias, que é meu bebê, meu príncipe, meu amor, meu coração e que o amo além da conta. E acrescento: você só entenderá quando tiver seus filhos, muitas vezes me repreenderás como tua mãe, mas ainda assim eu te amarei mais do que eu acho que posso suportar!

Ele sorri – ah, meu bebê sorriso, como és feliz! – como se me entendesse e começa a dizer coisas. Ok, ele não diz nada exatamente, mas faz aqueles sons que nos permitem longas conversas. Eu o pego em meu braços para mais um abraço, e ele repousa a cabeça em meu ombro. Penso, de novo, que meu amor é infinto e que eu não viveria sem ele, que entre tantas coisas no mundo que eu poderia fazer, estar com ele é a melhor de todas. Agradeço de novo. Meu filho, em tão pouco tempo, já me fez aprender coisas sobre mim que eu desconhecia. E dá um novo sentido a minha existência, e então eu entendo que ser sua mãe é a melhor parte de mim.

 

Ter filho dá trabalho

Se você não tem filhos, não aguenta ler algumas verdades ou não é capaz de entender um ponto de vista de outra pessoa, esse texto não é para você, então pare agora.

 

Ter um filho dá trabalho, muito trabalho. E afirmo isso em meio à uma experiência com um bebê que é muito bonzinho e que não incomoda. Apesar disso, dá um cansaço enorme.

Ser mãe é uma delícia, é recompensador e somos apaixonadas por nossos bebês, mas nem sempre é maravilhoso.

Para ser mãe, é preciso ter um desprendimento enorme, e aprender a abrir mão de um monte de coisas. Acontece que se você fala algumas verdades, as pessoas te julgam, porque é muito feio admitir certas coisas. Admitir, por exemplo, que de vez em quando dá vontade de fugir e por mais que você ame seu filho, você vai sentir vontade de ter um tempo só pra você. Admitir que você tem vontades que muitas vezes não incluem um bebê.

Meu dia começa cedo e não tem hora pra acabar. Preciso fazer tudo enquanto o João Otávio dorme, e tem dias que esse período é bem curto, aí não dá tempo de fazer nada. Eu não tenho folga e meu expediente não acaba às seis da tarde. E se ele quiser mamar, às três da manhã, eu tenho que estar lá, firme e forte, mesmo querendo morar embaixo das cobertas por causa do frio.

Dar banho nem sempre é super divertido, cansa e dá dor nas costas. Amamentar é aquela lenda, e apesar de passada a fase de terror, muitas vezes dói. Músicas de ninar são chatas pra caramba. A gente se sente muito sozinha em grande parte do tempo, e de vez em quando dá vontade de conversar com alguém que vai responder com palavras e não só com um sorriso – o sorriso mais lindo do mundo, a propósito.

Mesmo amando ficar com nosso bebê, também dá saudade de sair pra jantar – outro dia vou contar a primeira vez que saímos sem nosso baby – pra dançar, beber além da conta, não ter hora pra acordar, receber convites, tudo como era antes e que a gente sabe que nunca mais será. E sair sem morrer de saudade do pequeno, nem morrer de culpa por não passar a noite com ele. Tudo uma confusão de sentimentos.

Um bebê em casa enche a vida de alegria, mas também enche de preocupação e de coisas que você não curte fazer o tempo todo, tipo trocar fraldas e lavar mamadeiras. E também priva de coisas que a gente nem percebia que era tão importante, como tomar banho e lavar o cabelo, sem precisar sair correndo do chuveiro.

Toda mulher sonha, em algum momento da vida, em ter um filho e continuo dizendo que é a coisa mais linda do mundo. Sou apaixonada pelo meu neném e não consigo imaginar como seria minha vida sem ele – toc toc toc. Mas dá um trabalho danado. Se você tem alguém que te ajude a fazer as coisas todos os dias, você talvez não entenda o que eu estou falando. Se você só vê os filhos dos outros, por meia hora e de banho tomado e roupa bonita, você tem menos ideia ainda. Nem sempre essa aventura de ser mãe é maravilhosa, nem sempre é um paraíso. Vale a pena, nossa, e como vale! Basta um sorriso ou uma nova descoberta pra gente quase esquecer de tudo. Isso, claro, se você estiver de banho tomado e sem a dor no corpo de cansaço.

Coisas que ninguém me contou

Ninguém me contou que quando meu filho nascesse, eu sentiria dores nos braços e costas e nao me importaria de segurá-lo só mais um minutinho, pelo simples prazer de olhar a carinha dele.
Ninguém me contou que aquele cochilinho pós mamada nas madrugadas seria o momento de maior amor e intimidade da minha vida.
Ninguém me contou que o cocô do meu filho ou a falta dele seriam minha maior preocupação durante dias e me renderiam tantas conversas.
Não me contaram que as fofocas da balada e dos peguetes das minhas amigas perderiam espaço totalmente para conversas sobre cólicas, chupetas, fraldas e amamentação.
Não disseram que eu amaria passar horas conversando com alguém que ainda nao sabe falar.
Não me disseram que duas horas longe do meu filho seriam uma eternidade e que eu morreria de saudade.
Ninguém disse que, depois de ter sonhado em conhecer o mundo e ter viajado para algumas das maiores cidades do mundo, meu universo ficaria completo num quartinho de paredes verdes.
Ninguém me disse que uma chupeta e uma mamadeira mudariam e salvariam minha vida.
Ninguém me disse que eu me tornaria neurótica com roupinhas sujas.
Ninguém disse que eu nem perceberia um vômito na minha blusa quando meu filho estivesse com dor.
Ninguém me disse que eu passaria todos os dias por intensos testes cardíacos e nem que ficaria sem ar de tanto amor.
Ou talvez alguém tenha dito, mas eu não acreditava que era verdade.

Segunda Carta para João Otávio

Meu anjo João Otávio

 

Há quase dois meses eu penso que já deveria ter te escrito. Eu queria te desejar boas vindas e te dizer que a vida nem sempre é justa, mas será muito boa. E quero te dizer um monte de coisas, tantas que às vezes se confundem e se perdem na minha mente.

Eu te esperei desde o dia que soube que você havia sido concebido. Rezei imensamente para que você fosse uma criança saudável e tranquila. Sonhei com seu rosto e tentei imaginar com quem você se pareceria. Pois Deus me presenteou com um bebê melhor do que eu pedi.

A primeira vez que te vi, já te amei de um jeito absurdo. Na verdade, nem sei dizer se é amor. Acho que essa coisa que eu sinto é tão pura, tão forte, tão especial e diferente de tudo que deveria ter outro nome, porque a palavra amor não explica. Mas vamos chamar assim, de amor, por falta de um verbete melhor.

Mas confesso que amor não foi o sentimento mais forte. Eu senti uma necessidade gritante de te proteger e cuidar de ti. Todos os dias eu te olho e penso que você é tão pequeno, tão indefeso e precisa tanto de mim. Isso faz meu coração apertar. E justamente por isso, que desde que você nasceu eu sinto mais vontade de cuidar de mim, porque sei que não posso te faltar.

E você assim, na sua fragilidade me tornou uma pessoa mais forte e corajosa. Antes eu tinhas tantos medos, e agora só o que me aflige é te perder. Faz tão pouco tempo que você chegou e eu nem consigo imaginar o que seria da minha vida sem você.

Nesses quase dois meses eu aprendi a te conhecer, a ler tuas expressões, a diferenciar teu choro e é como se eu te conhecesse durante toda a minha vida. Eu sinto que tudo o que me trouxe até sua chegada aconteceu para que eu me preparasse para ser tua mãe. E essa sensação me torna uma mulher melhor.

Todos os dias quando você sorri, aquele sorriso tão cheio de verdade, tão sincero, faz meu coração derreter e me dá ânimo para mais um dia cheio de surpresas e, muitas vezes, de cansaço. Ah e quando você chora, meu amor, meu coração despedaça. Minha dor passou a ser a que você sente, e se eu pudesse, eu juro, sentiria doer em mim pra te poupar de qualquer sofrimento. É como se diariamente eu morresse um pouco: se não de amor, é de susto.

Ah meu pequeno, eu te amo tanto, tanto! Eu te olho e agradeço aos céus pela oportunidade de ser tua mãe. E eu vejo que do seu jeitinho, sem nem saber o que é isso que você sente, você também me ama. É como se você fosse uma extensão de mim, uma parte melhor do que eu sou. Quem me conheceu antes de você chegar talvez nem acredite que eu tenha deixado tantas coisas de lado pra te receber em minha vida. Você ocupa cada pedaço do meu coração e do meu tempo, mas é tão prazeroso acompanhar teu desenvolvimento que nada me faz falta.

Eu tento imaginar como você será, ao mesmo tempo que quero devorar cada segundo de sua vida de neném, para me lembrar de tudo no futuro. E penso que, talvez um dia, o mundo te fará sofrer ou alguém partirá teu coraçãozinho, e isso dói tanto, meu amor! Ah, como eu queria que você nunca sofresse. Eu quero que você seja tão feliz, e sinto que você já é! Você é tão abençoado e tranquilo, e nos trouxe tanta felicidade!

Meu anjo João Otávio, que bom que você chegou. Que Deus te abençoe todos os dias e que te permita uma vida próspera. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que sempre carregue o sorriso mais lindo do mundo nesse rostinho perfeito. Mamãe te ama cada dia mais.