Coisas que ninguém me contou

Ninguém me contou que quando meu filho nascesse, eu sentiria dores nos braços e costas e nao me importaria de segurá-lo só mais um minutinho, pelo simples prazer de olhar a carinha dele.
Ninguém me contou que aquele cochilinho pós mamada nas madrugadas seria o momento de maior amor e intimidade da minha vida.
Ninguém me contou que o cocô do meu filho ou a falta dele seriam minha maior preocupação durante dias e me renderiam tantas conversas.
Não me contaram que as fofocas da balada e dos peguetes das minhas amigas perderiam espaço totalmente para conversas sobre cólicas, chupetas, fraldas e amamentação.
Não disseram que eu amaria passar horas conversando com alguém que ainda nao sabe falar.
Não me disseram que duas horas longe do meu filho seriam uma eternidade e que eu morreria de saudade.
Ninguém disse que, depois de ter sonhado em conhecer o mundo e ter viajado para algumas das maiores cidades do mundo, meu universo ficaria completo num quartinho de paredes verdes.
Ninguém me disse que uma chupeta e uma mamadeira mudariam e salvariam minha vida.
Ninguém me disse que eu me tornaria neurótica com roupinhas sujas.
Ninguém disse que eu nem perceberia um vômito na minha blusa quando meu filho estivesse com dor.
Ninguém me disse que eu passaria todos os dias por intensos testes cardíacos e nem que ficaria sem ar de tanto amor.
Ou talvez alguém tenha dito, mas eu não acreditava que era verdade.

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Como é estar grávida

Há duas semanas atrás, uma menina me perguntou durante a aula de pilates: “Como é estar grávida?” Que perguntinha difícil de responder! Minha resposta foi aquele clichê mais antigo da humanidade: “não tem como explicar”. E não tem mesmo. Só uma mulher que tem ou espera um filho sabe qual é a sensação. Mas desde então não paro de pensar nisso.

Estar grávida é uma loucura, e isso é algo que vivo repetindo por aqui. João Otávio está quase nascendo e não há um dia que eu não pense no quão louco e espetacular é ter uma pessoinha dentro de mim. É gerar uma vida e ser responsável por um serzinho que depende, em cada célula do seu corpo, unicamente de você.

Estar grávida é morrer de ansiedade para conhecer seu filho e ao mesmo tempo, morrer de medo de colocar nesse mundão cada vez mais doentio uma criança completamente indefesa. E só por isso sentir o coração apertar de aflição.

Estar grávida é não conseguir imaginar sua vida de agora em diante sem uma pessoa que você sequer sabe com quem se parece – e eu desafio qualquer mulher grávida a dizer, sinceramente, que imagina sua vida sem seu bebê.

Estar grávida é viver numa gangorra emocional por conta dos hormônios. É se irritar a toa com qualquer palavra dita errada, e dois minutos depois chorar de emoção só de pensar em ter seus filhos nos braços.

Estar grávida é ver seus relacionamentos – todos eles – mudarem drasticamente. Amar ainda mais seus pais, ver alguns amigos cada vez mais distantes e outras se aproximarem de repente. É ter sua vida sob tutela dos outros – mentira! não é, mas às vezes é como se fosse, afinal todo mundo vai querer cuidar e dar muito palpite na sua vida. Por mais irritante que isso seja, você acaba se acostumando.

Estar grávida é não ter vergonha de ligar pro médico porque fez mais xixi do que o normal ou perguntar se você pode usar qualquer desodorante, por achar que seu bebê está sempre correndo risco. Outra mentira: você vai morrer de vergonha, mas vai perguntar mesmo assim, porque a ideia de perder seu neném é muito mais desesperadora do que o constrangimento que vai sentir. E juro, eu fiz isso.

Estar grávida é se emocionar muito, chorar além da conta pelos motivos mais bestas, é se sentir a pessoa mais especial do mundo por estar levando dentro de si o ser mais especial do mundo, mesmo sabendo que milhões de mulheres passam por isso todos os dias. Estar grávida é sensacional! E depois de tudo isso dito, é ter uma certeza: estar grávida é algo que você nunca vai conseguir explicar.

 

Meus dias com João Otávio (na barriga)

Escrevi esse texto a pedido da Rejane, do Cheirinho de mãe. Ela tá preparando uma série super bacanas sobre a gestação, vista sob ângulos de diferentes mulheres grávidas. Eu adorei a ideia, super topei participar e compartilho meu texto aqui também.

 

 

 

Essa semana completo 18 semanas de gravidez, e hoje completo 13 semanas que descobri que estou grávida. treze semanas de muito altos e baixos, de expectativa, ansiedade, energia boa e muitas coisas maravilhosas.

Não foi tão simples me acostumar com a ideia de esperar um filho. Na verdade, de vez em quando tenho pequenos momentos de epifania em que me ocorrem novamente que estou grávida. E o sentimento é o mesmo de quando vi o resultado de gravidez – “Cara, eu tô grávida! Que loucura!” – e me emociono sempre e sempre.

Nessas 13 semanas, mudei minha alimentação, abandonei meu cafezinho preto com adoçante de todos os dias – tudo bem, nem foi tão difícil, já que o cheiro começou a me incomodar – e minha cervejinha do fim de semana. Eu que sempre fui preguiçosa para comer frutas, as coloquei no cardápio, coisa que me deixou realmente satisfeita.

Também tive dois pequenos sustinhos, que me obrigaram a pegar leva e evitar esforço físico por um pouco mais que duas semana. E por causa disso, ainda não iniciei minha tão planejada hidroginástica.

E senti um cansaço absurdo – coisa que já falei no meu blog! Um cansaço fora do comum. E minha barriga começou a crescer, mudando minha forma.

Tirando as coisinhas chatas, passei a viver as semanas mais mágicas da minha vida. Ter um bebêzinho se desenvolvendo na barriga, não canso de dizer, é um milagre, e pensar nisso quase sempre me dá vontade de chorar. Às vezes, fico tentando imaginar a carinha dele, o cheirinho de bebê (e vômito de bebê, e cocô de bebê!), e fico com cara de boba. João Otávio já ocupa a maior parte do meu coração e da minha vida, mesmo que eu ainda nem saiba com quem ele se parece.

Em alguns momentos também me pego pensando como será a educação dele. Será que vou ser uma boa mãe? E isso me atormenta completamente.

Em meio a todas as dúvidas e preocupações, vi um pai nascer ao meu lado – bom, quando nasce um filho, também nascem um pai e uma mãe, não é mesmo? – e estou cada vez mais apaixonada por ele.

Meus dias esperando nosso Jotinha têm sido, em geral animados. Se não são animados pelos eventos que pouco acontecem, são pelo turbilhão de pensamentos e hormônios que me dominam. Apesar de sempre falar da parte incômoda da gestação, estar grávida é uma delícia e me assusto como está passando rápido! Eu tô amando e tô feliz, muito feliz!