Um sonho: amamentação exclusiva

Tem uma coisa nessa história de maternidade que se tornou, pra mim, um sonho quase impossível: a história de amamentação exclusiva até os seis meses. Eu acho lindo quem consegue, admiro imensamente, mas pra mim não deu.

Eu falei aqui no blog sobre o início da minha tragetória com a amamentação. Contei, em resumo, o meu pequeno drama dos primeiros dias, e propositalmente não mencionei a proporção do drama que foi pra mim amamentar nos primeiros dias. Não, meus caros! Acreditem: eu não mencionei, o troço todo foi bem pior do que relatei pra vocês.

Graças a Deus, passou, e eu posso dar a minha palavra de que vale a pena insistir, porque depois que passa o período mais difícil – e passa! – amamentar se torna um prazer. Atualmente, eu adoro dar de mamar, curto muito esse momento, por ser algo que será uma história só minha e do João Otávio. Mas preciso admitir que eu tive um anjo que salvou meus seios e mudou minha vida: o Santo Nan.

nan

Acontece que durante o período de terror a responsabilidade de ser a única que podia alimentar meu filho pesou demais, se tornou uma pressão. Nas horas em que o pânico tomava conta de mim, escutar ele chorando e o pensamento de que se eu não o alimentasse, ninguém mais poderia fazer, se tornou um fardo pesado demais para eu carregar. Pois bem… quando o Nan entrou em nossas vidas, esse peso todo saiu e foi então que, de fato, meus seios cicatrizaram e a experiência passou de traumatizante para prazerosa.

O Nan chegou num momento de pânico total, com o seio empedrado. Juro que a sensação que eu tinha era a de que estava me mutilando – imagina o horror!! Pedi “pelo amor de Deus” para que o Fernando fizesse uma mamadeira para nosso pequeno e pedi perdão mil vezes: me senti um verdadeiro fracasso por não conseguir continuar amamentando naquele momento. Três dias depois, precisamos recorrer novamente à fórmula mágica, depois do João Otávio ficar nada mais, nada menos do que 3 horas seguidas mamando. Acho até que ele sugava e nem leite tinha mais, coitadinho! Desde então, não larguei mais a mamadeira.

mamadeira

Vejam bem: não abandonamos a amamentação, ele continua mamando 4 ou 5 vezes por dia no peito, mas em 2 ou 3 mamadas por dia ele toma Nan. E confesso, facilitou nossas vidas absurdamente. O motivo principal é realmente porque em alguns intervalos de mamada, eu não tenho leite suficiente – as próteses de silicone influenciam bastante na produção de leite. mas junto a esse motivo, tem os efeitos colaterais que são ótimos, do tipo: se vamos sair, dou uma das mamadeiras um pouco antes, ele fica mais tempo sem querer mamar. Outra coisa é que é mais fácil dar uma mamadeira em local público, do que o peito, porque é mais rápido e menos íntimo. E mais: se eu preciso sair e ele fica com alguém, não preciso voltar correndo se ele chora de fome.

Não estou fazendo apologia às fórmulas, e nem induzindo que alguém abondone à amamentação. É claro que, se fosse possível, eu ficaria na amamentação exclusiva, e como disse, admiro quem consegue. Mas minha experiência foi um pouco traumática no início, e a culpa foi um fator muito relevante, afinal de contas, a sensação que eu tinha era que seria uma mãe horrível por não conseguir amamentar. Percebi, no entanto, que mãe horrorosa eu me tornaria se deixasse meu filho com fome, que era o que estava acontecendo. Eu entendo que todas as campanhas incentivem a amamentação, até porque a vontade de desistir é muito grande. Mas não podemos nos deixar pressionar. Hoje eu penso que, se for necessário, a complementação deve ser, sim, introduzida, e que ninguém vai ser uma mãe menos dedicada e amorosa por isso.

Por isso repito: tente amamentar quantas vezes conseguir, mas se não for possível, recorra à alguma ajuda, sem culpa. A ciência, a tecnologia estão aí para nos auxiliar, portanto recursos existem. Ninguém precisa morrer de fome, nem perder os seios. E que Deus abençoe e o Santo Nan.

P.S: João Otávio continua lindo, saudável e com o peso ótimo.

 

Conselho

Se eu pudesse dar um conselho sobre a gravidez seria, além de usar filtro solar: cuide da sua alimentação.

A gente  sabe, já escrevi no blog inclusive, sobre o quão importante é para o bebê que a mamãe se alimente corretamente, em prol da sua boa formação desde o princípio.

Mas a gente fala pouco do quão importante é, para a mulher, estar em boa forma física no fim da gravidez. O sobrepeso para mulheres grávidas traz uma série de complicações. Aliás, não só para as mulheres grávidas, mas não é disso que quero falar, afinal não sou médica especialista para abordar o assunto com tanta propriedade. Quero falar, sim,  da minha experiência.

Como muitos já devem saber pelo tanto de vezes que mencionei no blog, fiz redução do estômago e emagreci 41 kg. Um dos motivos que me levaram a decidir pela cirurgia foi exatamente o desejo de ser mãe: eu sabia que com o peso que estava – 115 kg – seria complicado engravidar, e depois de grávida, teria uma série de possíveis problemas.

Desde a cirurgia, agradeço todos os dias a mim mesma por ter encarado o processo todo. Embora algumas pessoas ainda pensem que a gastroplastia é um caminho fácil para o emagrecimento, quem por ela passa sabe que as coisas não são tão simples. Nós passamos por várias adaptações, dificuldades, desconfortos – muitos dos quais, inclusive, nos acompanharão por toda a vida – para conseguir nosso objetivo. Mesmo com tudo isso, continuo dizendo que vale a pena cada segundo. E agora, grávida, tenho cada vez mais convicção disso.

Estou no oitavo mês de espera do meu baby e engordei quase 9 kg. Totalmente dentro do que eu pretendia pra mim. Mas não sei se conseguiria isso se não tivesse meu estômago reduzido, porque há de se convir que a fome é grande – cada vez maior aliás! E, claro, se eu disser que minha alimentação é 100% perfeita o tempo todo eu estaria mentindo, mesmo porque sou do tipo que tem vontade de comer muitas coisas ao mesmo tempo. Mas sou ciente de que, se estou chegando no fim do prazo dentro do que eu planejava aumentar de peso e dentro do recomendável, é graças, em maior parte,  ao meu esforço.

Mas o esforço compensa. Eu fico imaginando (ou melhor eu nem imagino e nem tento muito!) o tamanho do desconforto que sentiria se tivesse engordado tipo uns 15 kg ou mais. Embora antes eu tivesse passado dos 100 kg, acho que eu não sentia todo esse peso no corpo. Em contrapartida, sinto agora, tudo na barriga. Me sinto às vezes do tamanho de um elefante, ou coisa parecida, não pelo tamanho, mas pelo cansaço.

Por isso reforço meu conselho de cuidar da alimentação. Lá pelo oitava mês você, suas pernas e suas costas  vão agradecer  por não ter comido tanta coisa quanto gostaria e ter abdicado de algumas delícias, eu aposto!

 

Alimentação

Cuidar da alimentação durante a gravidez é, a meu ver, um dos pontos mais importantes do período.

Precisamos considerar que todo o alimento e nutriente de que nosso bebê precisa provém unicamente do que comemos, e ser negligente com isso pode comprometer o desenvolvimento da criança durante toda a vida.

Levando isso em conta, procurei uma nutricionista assim que soube que estou grávida. Na verdade, procurei a mesma que me acompanhou no período pós-redução de estômago. Já conhecia e gostava do trabalho dela, além de ela já conhecer meu histórico. Penso que toda mulher deveria fazer o mesmo, em especial as que passaram por uma intervenção cirúrgica como eu. Minha preocupação desde o início era garantir um crescimento saudável, sem qualquer risco de subnutrição, por exemplo.

Confesso que não tenho mais seguido à risca a dieta que me foi passada. Mas abri mão do meu café preto: tinha o hábito de tomar café sem leite desde criança, pelo menos duas vezes ao dia. Adotei então o leite e reduzi para uma dose diária, pela manhã. Troquei o adoçante. Fui acostumada desde criança a não usar açúcar no café, e tenho pavor dessa combinação. Mas como o adoçante pode ser muito prejudicial ao bebê, mudei para sucralose, que é derivado da cana-de-açúcar e não entra na corrente sanguinea. É o único permitido para grávidas, e hoje tenho certeza de que foi uma boa troca.

Outra coisa que mudei foi o consumo de frutas. Nunca tive problemas para comer verduras, mas sempre fui chatinha para frutas, seja por preguiça ou por sempre querer algo mais saboroso. Mas passei a consumi-las diariamente e hoje em dia sinto até falta delas no cardápio.

Frutas diariamente

Passei a consumir mais produtos derivados de leite, como iogurte, coisa que pra mim sempre teve um gosto horroroso. Troquei a mussarela por queijo branco. E de vez em quando, faço um esforço e como granola, coisa que também não me agrada nem um pouco, mas é necessário.

Iogurte, leite, queijo

Depois da cirurgia, criei uma certa resistência a carne vermelha, mas passei a me obrigar a comer pelo menos 3 vezes na semana, por conta de uma anemia que já tinha antes de engravidar.

Basicamente, essas foram minhas mudanças mais significativas, embora tenha deixado de lado algumas coisas que gosto, como sushi. Há controvérsias sobre o consumo de comida japonesa na gravidez, e honestamente minha médica não pediu pra deixar de comer, apenas reduzir. Eu, por conta, tenho evitado qualquer contato, porque sei que a tendência a querer sempre mais é grande.

Apesar de tudo, minha alimentação continua bem tranquila, e admito, não deixo de comer as coisas que tenho vontade, tipo farinha láctea e leite ninho – duas coisas que fazia tempos que eu não comia, mas passei a desejar absurdamente. E chocotonne, que antes eu nem gostava.

Com tudo isso e mesmo com minhas escapulidas, o saldo na balança está de fazer orgulho até para uber model: 2 kg e 900 g em cinco meses de gestação! Minha meta é engordar até 11 kg no total, então tô indo super bem até agora!

Não tenho dúvidas que o fato de ter o estômago reduzido tem me ajudado muito, afinal em alguns períodos, a fome é quase insuportável. Mas ter consciência do que se come é dever de todas nós. O que não pode é cair na besteira de acreditar que precisamos comer “por dois”. Na verdade, a necessidade extra de calorias para uma mulher grávida é bem pequena e deve ser supriao por alimentos mais saudáveis, ricos em fibras e que sejam fonte de cálcio e ferro, por exemplo. Às vezes, é chato, porque a gente realmente quer comer mesmo, e quer comer bem. Mas não custa abrir mão. Esse tipo de cuidado, pode não parecer, mas também é uma prova de amor para nossos babies.