Semana mundial da amamentação: andando no caminho inverso

Ontem foi o Dia MUndial do Aleitamento materno e começou a Semana Mundial de Amamentação com diversas campanhas sobre o assunto. Como sempre, repete-se o antigo clichê que amamentar é um ato de amor. E quem amamenta ou já passou por isso, sabe que é mesmo. Como eu já disse aqui no blog, só porque a gente ama muito é que insiste no processo, que muitas vezes é bem doloroso, até dar certo. E muitas vezes não dá.
Quem prestar atenção nos programas de tv, vai escutar falar dos muitos benefícios do ato de amamentar e do leite materno, tanto para o bebê quanto para a mãe. Que é o melhor alimento para as crianças, fortalece o sistema imunológico, serve como a primeira vacina do bebê não há dúvidas. Para a mãe: ajuda a voltar ao peso normal, diminui os riscos de obesidade e diabetes para o resto da vida, diminui os riscos de gravidez durante o período e aumenta o vínculo com o filho. Se você já ouviu, leu, discutiu sobre o assunto, sabe que não citei nada de novo.
O que eu vim escrever, na verdade, anda na contramão das campanhas. Penso que sim, você deve amamentar e sim, precisa insistir um pouco até dar certo. Não conheço ninguém que disse que foi fácil e que não teve nenhum problema até conseguir amamentar tranqüilamente. Mas não deixe que esse momento se torne um martírio.
Se você acompanha o blog, sabe a que me refiro. Minha experiência foi traumática até achar um jeito que funciona pra mim. E acho que pode servir de exemplo. Só cheguei ao sucesso nesse quesito quando me livrei do peso, da responsabilidade e da culpa. Penso que se fala tanto da importância da amamentação exclusiva que muitas vezes, ficamos sem alternativas. E não é verdade.
Se você não conseguir, tudo bem, existem outras formas de alimentar seu bebê, você não será uma mãe pior por isso. Quando dá certo, amamentar pode ser sim muito prazeroso. Mas nenhuma campanha diz que vai doer muito, vai dar vontade de chorar, você vai querer desistir. Do jeito que se fala, parece que é tudo simples e que quem desiste é horrível como mãe. E isso também não é verdade.
Tudo no início da chegada de um filho é muito complicado, precisamos aprender a descomplicar. Amamentar, repito, não pode ser um sacrifício. Aposto que uma mamadeira dada com carinho é muito mais benéfica do que o leite materno dada em momentos de aflição. Não se permita traumatizar, não dê ouvidos às críticas – ninguém conhece sua realidade como você- não se martirize se quiser desistir. Demorei a aceitar que meu filho precisava de complemento e até hoje me pego me justificando por isso, tamanho foi o estresse e o trauma que passei. Fuja dos radicais, principalmente pediatras, que te imponham um caminho e te deixem sem opção. Mais uma vez, eu digo que vale a pena insistir. Quando dá certo, é um momento único e muito gostoso. Mas se não dá, acredite, não é o fim do mundo.

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Um sonho: amamentação exclusiva

Tem uma coisa nessa história de maternidade que se tornou, pra mim, um sonho quase impossível: a história de amamentação exclusiva até os seis meses. Eu acho lindo quem consegue, admiro imensamente, mas pra mim não deu.

Eu falei aqui no blog sobre o início da minha tragetória com a amamentação. Contei, em resumo, o meu pequeno drama dos primeiros dias, e propositalmente não mencionei a proporção do drama que foi pra mim amamentar nos primeiros dias. Não, meus caros! Acreditem: eu não mencionei, o troço todo foi bem pior do que relatei pra vocês.

Graças a Deus, passou, e eu posso dar a minha palavra de que vale a pena insistir, porque depois que passa o período mais difícil – e passa! – amamentar se torna um prazer. Atualmente, eu adoro dar de mamar, curto muito esse momento, por ser algo que será uma história só minha e do João Otávio. Mas preciso admitir que eu tive um anjo que salvou meus seios e mudou minha vida: o Santo Nan.

nan

Acontece que durante o período de terror a responsabilidade de ser a única que podia alimentar meu filho pesou demais, se tornou uma pressão. Nas horas em que o pânico tomava conta de mim, escutar ele chorando e o pensamento de que se eu não o alimentasse, ninguém mais poderia fazer, se tornou um fardo pesado demais para eu carregar. Pois bem… quando o Nan entrou em nossas vidas, esse peso todo saiu e foi então que, de fato, meus seios cicatrizaram e a experiência passou de traumatizante para prazerosa.

O Nan chegou num momento de pânico total, com o seio empedrado. Juro que a sensação que eu tinha era a de que estava me mutilando – imagina o horror!! Pedi “pelo amor de Deus” para que o Fernando fizesse uma mamadeira para nosso pequeno e pedi perdão mil vezes: me senti um verdadeiro fracasso por não conseguir continuar amamentando naquele momento. Três dias depois, precisamos recorrer novamente à fórmula mágica, depois do João Otávio ficar nada mais, nada menos do que 3 horas seguidas mamando. Acho até que ele sugava e nem leite tinha mais, coitadinho! Desde então, não larguei mais a mamadeira.

mamadeira

Vejam bem: não abandonamos a amamentação, ele continua mamando 4 ou 5 vezes por dia no peito, mas em 2 ou 3 mamadas por dia ele toma Nan. E confesso, facilitou nossas vidas absurdamente. O motivo principal é realmente porque em alguns intervalos de mamada, eu não tenho leite suficiente – as próteses de silicone influenciam bastante na produção de leite. mas junto a esse motivo, tem os efeitos colaterais que são ótimos, do tipo: se vamos sair, dou uma das mamadeiras um pouco antes, ele fica mais tempo sem querer mamar. Outra coisa é que é mais fácil dar uma mamadeira em local público, do que o peito, porque é mais rápido e menos íntimo. E mais: se eu preciso sair e ele fica com alguém, não preciso voltar correndo se ele chora de fome.

Não estou fazendo apologia às fórmulas, e nem induzindo que alguém abondone à amamentação. É claro que, se fosse possível, eu ficaria na amamentação exclusiva, e como disse, admiro quem consegue. Mas minha experiência foi um pouco traumática no início, e a culpa foi um fator muito relevante, afinal de contas, a sensação que eu tinha era que seria uma mãe horrível por não conseguir amamentar. Percebi, no entanto, que mãe horrorosa eu me tornaria se deixasse meu filho com fome, que era o que estava acontecendo. Eu entendo que todas as campanhas incentivem a amamentação, até porque a vontade de desistir é muito grande. Mas não podemos nos deixar pressionar. Hoje eu penso que, se for necessário, a complementação deve ser, sim, introduzida, e que ninguém vai ser uma mãe menos dedicada e amorosa por isso.

Por isso repito: tente amamentar quantas vezes conseguir, mas se não for possível, recorra à alguma ajuda, sem culpa. A ciência, a tecnologia estão aí para nos auxiliar, portanto recursos existem. Ninguém precisa morrer de fome, nem perder os seios. E que Deus abençoe e o Santo Nan.

P.S: João Otávio continua lindo, saudável e com o peso ótimo.

 

Atualização sobra amamentação

Fiquei surpresa com a repercussão do post de ontem. Estava receosa de escrever sobre minha experiência com a amamentação, afinal de contas sempre surgem mil pessoas julgando, criticando e com várias sugestões – muitas das quais eu já tentei sem sucesso e outras um tanto descabidas. Aí você que está sensível por causa dos hormônios, cansada, com sono atrasado, cheia de dores pelo corpo e se sentindo um fracasso porque afinal todas as mulheres do mundo conseguem amamentar e você não, ainda precisa encontrar paciência pros comentários de gente sem noção.

Mas o retorno que tive foi o oposto: muitas mulheres com experiência parecida escreveram e contaram que se sentiam da mesma forma e que também pensaram em desistir muitas vezes. Isso me deixou aliviada, afinal não sou a única e também não sou um fracasso.

Ontem no fim da tarde precisei recorrer à ajuda da maternidade, fui conversar com a enfermeira que auxilia as mães na amamentação enquanto estão internadas. Durante a tarde, enquanto fazíamos a sessão de fotos, ele ficou super tranquilo, mas na hora de mamar foi um tormento. Não conseguia pegar o seio, ficamos os dois nervosos, eu comecei a chorar junto primeiro por causa do dor e segundo porque o choro dele era aquele desesperado de fome, e isso corta o coração de qualquer mãe.

Enquanto aguardava na recepção para ser atendida, o João Otávio chorava de fome e eu chorava de desespero. Duas senhoras sentadas atrás de mim conversavam entre si coisas do tipo: “tadinho, ele tá com fome!”, “olha, a mãe chora junto, por que ela não coloca ele pra mamar”, “coitadinho, como ele chupa o dedo desesperado”! Juro que precisei reunir todas as minhas forças para não responder de uma forma nem um pouco educada, afinal tudo o que eu não precisava naquele momento era alguém me lembrando de que meu filho estava com fome e me fazendo lembrar que mãe horrorosa eu estava sendo por não conseguir colocá-lo para mamar.

Fomos atendidos pela enfermeira que muito gentilmente me explicou que o problema estava na cicatrização do meu seio.  Ao contrário de todas as dicas que recebi, ela me falou para não usar lanolina, afinal não existe nenhum estudo confirmando sua eficácia e há controvérsias quanto seu uso, afinal a maioria das mulheres acaba usando mais do que deveria, o seio não cicatriza e a pele não fica mais resistente. Aí estava o principal motivo para tanta dor.

Ela também disse para não usar a concha, já que esta acaba apertando os ductos e estimulando ainda mais a produção do leite, o que deixava meus seios latejando de dor. Além disso, por estar sempre úmido, o seio fica mais propenso a criar fungos.

A solução: o próprio leite para cicatrizar, absorvente de seios ou uma fralda para evitar que o leite vaze e sutiã com boa sustentação. Bem simples, sem nenhuma complicação. Depois das super dicas, colocamos meu anjo para mamar ali na maternidade mesmo e deu certo.  Incrivelmente, fazendo uso das recomendações dela, meus seios já melhoraram consideravelmente e tanto durante a madrugada quanto hoje de manhã ele mamou muito bem.

Agradeço a todas as palavras de solidariedade. De verdade: saber que não sou a única me deu tranquilidade e me encheu de coragem para continuar tentando. Acredito que em poucos dias, a situação já estará bem melhor e vou começar a curtir realmente esse momento – afinal, dizem que a dor passa e depois a gente adora, então estou contando com isso. Espero que as dicas da enfermeira possam auxiliar outras mulheres que estejam passando pela mesma situação que eu tanto quanto já me ajudaram. Estamos todas no mesmo barco e saber que não estou sozinha nessa é verdadeiro um alívio.

A verdade sobre amamentar

Esqueça todas as vezes que te falaram que amamentar dói. E eu digo “esqueça” não porque é mentira, mas porque dizer que dói não é suficiente. Hoje, depois de doze dias amamentando sem parar, eu entendo porque as campanhas de amamentação repetem tanto que este é um gesto de amor: com o tempo você percebe que insiste em amamentar unicamente pelo fato de que beneficiará seu filho, e nem pensa no resto.

Se eu fosse pensar nos benefícios que a amamentação traz pra mim, eu certamente já teria desistido. Repito: continuo a amamentar por amor ao meu filho. Como eu já repeti um milhão de vezes no blog, sou bem chata e intolerante para a dor, então talvez seja por isso que a experiência de amamentar pra mim esteja tão ruim. Mas esses dias eu fiz uma comparação que a meu ver parece bastante razoável e minha mãe achou que foi sutil: use um grampo de roupa para beliscar continuamente a ponta do seu seio. Não desista. Faça isso a cada três horas, mesmo quando seus seios estiverem sensíveis e machucados. Dói só de pensar, certo? Pois é! É mais ou menos isso.

Eu confesso que em alguns momentos entro em pânico só de pensar que está na hora de ele mamar, com direito a crises desesperadas de choro. E confesso ainda mais: acho que outro motivo que não me fez desistir é  o Fernando, afinal João Otávio é filho dos dois e as decisões cabem a ambos.

Nas campanhas, amamentar é mais fácil do que parece. O que não dizem é que nem sempre o bebê consegue pegar o seio corretamente e isso causa ainda mais dor. Também não dizem que a gente chora de dor e de nervosismo, que a gente fica descabelada e que os seios fartos – sonho de toda mulher – na verdade latejam quando têm excesso de leite. Também não contam que a gente sente vontade de sair correndo a cada mamada e que morre de culpa por sentir isso.

A verdade é que amamentar não é lindo. Ok. Admito que quando o João Otávio acaba de mamar ele dá o sorriso de satisfação mais lindo do mundo e isso sim é de fazer o coração derreter. E que, quando o seio dói um pouco menos, é um momento tão íntimo que dá vontade de ficar ali pra sempre. Amamentar é um privilégio e um fardo exclusivo de cada mãe: se você não fizer, ninguém mais fará por você (e nossa, isso me assusta!). Dizem que essa dor absurda passa e que quase todas as mulheres passam por esse processo. Me julguem como queiram, talvez eu seja uma mãe horrorosa por falar essas coisas. Talvez eu seja honesta demais para admitir coisas que as outras não falam em voz alta. Quando seu filho nasce, existem verdades que você não admite nem pra você mesma, e o fato de pensar em desistir de amamentar é uma delas. Provavelmente a culpa não deixará você desistir, então relaxe e continue tentando.