Eu sou uma mãezona.

 

Vivemos numa sociedade machista, muito machista. E se você não é do tipo de pessoa que se engana e sabe que apesar de já termos evoluído muito nesse sentido, mas que ainda falta um caminho longo pela frente, sabe que não estou exagerando. Antes do meu bebê nascer eu achava que era besteira, mas não é. E tive uma série de situações que contribuíram para ter certeza disso. E na maior parte das vezes, ouvi como resposta coisas do tipo “é assim mesmo, a mãe sempre faz mais coisas”, “sempre sobra pra mulher” e “conforme-se”. Essas coisas me deixavam ainda mais convicta de que, infelizmente, muitas vezes o machismo parte mais das mulheres do que dos homens – ou pelo menos é o meu caso!

Aí com o passar do tempo, ficou mais evidente que sim, sobra muito mais pra mulher. Somos nós que deixamos mais coisas de lado pelos filhos. Somos nós que ficamos responsáveis pela maioria das coisas do dia-a-dia. Abdicamos de muita coisa que nos faz falta. Somos nós que nos desdobramos em mil para cuidar da casa e dos filhos. Somos nós quem ficamos muito mais cansadas, e quase sempre nem temos o direito de reclamar, afinal “este é o nosso papel”. Apesar disso, ainda temos que lidar com homens que acham que tem mais direito a decisões ou que “mandam mais”.

Tenho visto circular muito pelo Facebook frases como “meu marido é um paizão” e “aqui em casa tem um paizão”. Para minha total surpresa, nunca vi nada parecido referente às mães, e isso me deixa um pouco frustrada. Não tenho nada contra a esse tipo de elogio aos pais, eu mesma já compartilhei a frase e continuo dizendo que tenho um companheirão do lado, que é um pai incrível. Mas me choca perceber que ser bom pai ainda é mérito, enquanto nós mães não temos outra opção.

Basta fazer algumas comparações. Se o homem pouco ajuda com o filho, é porque é assim mesmo, não sabe, a gente tem que ter paciência. Mas adivinha pra quem sobra as tarefas? Agora pense na hipótese de uma mãe que não faz as coisas pelos filhos: desleixada, descuidada, irresponsável, pra dizer o minimo! Ou mais: quem não conhece algum caso de pai que simplesmente não assumiu o filho ou sumiu quando a criança nasceu? Eu mesma posso citar alguns! Mas nunca ninguém viu uma mãe simplesmente abandonar o filho, dar pra outra pessoa criar. Ou se viu, julgou de nomes que não vou dizer aqui! Eu particularmente não entendo como alguém consegue. Mas também concordo que não nos resta outra alternativa, e talvez essa seja a razão pela qual existe tanta gente criada de qualquer jeito pelo mundo.

Dito isto, proponho que nós, as mães, comecemos a admitir que somos incríveis. Infelizmente, a gente vive numa sociedade em que quase sempre é muito feio fazer um auto-elogio, porque soa como arrogância. Mas vou contar um segredo: não é! A gente pode sim, sair por aí dizendo que somos maravilhosas. Começo por mim. Sou uma mãe incrível. Me dedico de corpo e alma para meu pequeno, faço meu melhor. Cuido da casa e dele. Brinco, canto, danço, faço dormir, dou carinho, cozinho, faço qualquer coisa por ele. E sou completamente apaixonada. Deixei de lado muita coisa, mudei minha vida para recebê-lo. Poderia ter feito diferente, mas quis fazer o que achei que seria o melhor.

Cometemos erros, muitos deles. Mas somos insubstituíveis e ninguém conhece e cuida dos nossos filhos como nós cuidamos. Nem sempre, temos pessoas que reconhecem nosso valor e nos digam o quanto somos boas no que fazemos. Pois bem, digamos para nós mesmas o quão importante somos. Continuemos elogiando os maridos que cumprem seu papel com maestria, continuemos agradecendo pela parceria e comprometimento. Eu vou fazer isso. Mas vou deixar claro também que sou a melhor mãe do mundo para meu filho. Todas nós somos, ainda que nem sempre a gente escute isso dos outros!

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O dia mais emocionante da minha vida

Sempre achei que o dia mais feliz da minha vida seria o dia que me descobrisse grávida. Não foi. Aí achei que seria depois do primeiro chute, primeiras mexidinhas. Também não. E preciso admitir: tampouco foi o dia do nascimento do João Otávio. Nesse dia, eu estava tão ansiosa e nervosa que não tive espaço dentro de mim para acomodar muita alegria. E, com a ajuda da anestesia, fiquei um pouco aérea quando pude finalmente olhar seu rosto pelo primeira vez.
Na minha vida, já tive a possibilidade de fazer um monte de coisas que posso definir como momentos de muita emoção e até “pura adrenalina”. Saltei de paraquedas, fiz raffiting, era enlouquecida por montanhas russas e afins. Vi Paris do alto da Torre Eiffel e New York do Empire State. Tive o prazer de morar na maior cidade do país, bem no centro econômico e cultural, com a possibilidade de conhecer gente de quase todo tipo. Passei curtos 3 meses em Barcelona – ah, Barcelona! Por onde começar a falar? – Vi o Rio pela perspectiva do Cristo, e em Londres não me aventurei muito, mas não deixei de ter o coração batendo a mil.
Posso citar mais um monte de pequenos e grandes momentos de perder o fôlego. E nenhum desses foi o mais emocionante e inesquecível da minha vida. O dia mais emocionante acontece todo dia por aqui.
É quando meu filho acorda e abre aquele sorriso. – sabe aquele, em que eu tanto falo? – é, na verdade, o sorriso que dá sempre que me vê. E descobri recentemente emoção maior: são seus bracinhos me procurando para me abraçar e sua mãozinha desajeitada me fazendo um carinho no rosto, e seus beijos desajeitados, que mais parecem com um monte de lambida ou qualquer coisa assim.
Mais emocionante ainda é ver seu desenvolvimento, é perceber que ele conseguiu fazer hoje o que estava tentando há dias, é vê-lo maior depois das noites longas de sono. É ver a felicidade diante de uma música e desenho novos. É dormir com ele em meus braços, com o rosto grudado no meu e seus olhinhos de admiração pra mim. (Suspiros eternos nesses momentos!)
Por aqui também tem minutos de muita excitação e adrenalina: experimenta limpar cocô e vômito na noite mais fria do ano. Tem que ser bem rápido e o coração quase sai pela boca!
Hoje me perguntaram se já me adaptei a minha nova vida. Já! Ser mãe em tempo integral me proporciona situações muito diferentes do que eu imaginava. Meu lado mãe, hoje, é o predominante e é bastante inusitado viver assim. Mas eu gosto. Amo, na verdade! Amo ver meu filho crescer, amo seu sorriso, amo saber que sou responsável por ele e tudo que o cerca e amo saber que as coisas são feitas como eu planejei que seriam. Ser mãe é uma loucura. É cansativo, desgastaste e dá dor nas costas. Mas é uma aventura, e eu aposto, é a melhor de todas!

O que meu filho já fez por mim

Semana passada, no programa da Fátima Bernardes, estava a apresentadora Regina Casé. A Fátima comentou sobre algo que Regina disse em seu programa no dia das mães. Ao invés de homenagear sua mãe, ela agradeceu a filha por existir e permitir que ela vivesse a experiência da maternidade. Sensacional! E serve para todas nós, e nem nos damos conta.
Eu, Jully, sou mãe porque o João Otávio existe. E, embora faça parte da minha maneira de viver a vida agradecer a tudo e a todos, e também por causa disso eu já tenha agradecido ao João Otávio por ser meu filho, ainda não havia agradecido pela oportunidade de ser sua mãe.
Costumo sempre parabenizar às mães de crianças no dia do aniversario de seus filhos, afinal quando nasce um bebê, nascem também os pais. E nascemos sem saber de nada.
Meu filho já me ensinou, em seus quase cinco meses de vida, mais do que aprendi com muitas experiências anteriores a ele. Tudo na minha vida ressignificou depois que ele nasceu.

Aprendi que ser mãe exige esforço físico, mental e financeiro. Aprendi a importância de não protelar as coisas. Descobri a necessidade de economizar tudo – de roupas limpas a dinheiro!
Redescobri o valor de cada segundo com quem eu amo, e principalmente cada segundo que tenha só meu. Aprendi que dormir é mais importante que comer.
Meu filho me fez rever o valor da família. Me fez aprender que, por mais cansada que eu esteja, seu sorriso sempre me ilumina. Me fez aprender que nem tudo está escrito nos livros, e que muita coisa que está não serve pra mim. Me fez aprender a importância de usar boas fraldas.
Observando o desenvolvimento do meu bebê, mudei minha relação com o meu corpo: ao perceber o quanto coisas simples pra mim são grandes desafios pra ele, senti vontade de desafiar meus próprios limites.

Meu filho me ensina a ser flexível na rotina, embora me exija uma rotina bem definida ( dessas contradições que só a gente entende). Me fez aprender a diferenciar choro, riso, barulho de pum, além de ler suas expressões. Me fez entender que eu posso saber exatamente quais são suas preferencias, embora ele não saiba dizer uma palavra.
Tenho aprendido todos os dias a controlar a ansiedade e curtir cada progresso dele. Tenho revisto meus objetivos e prioridades, reconstruído sonhos. Aprendi a não dar ibope a coisas sem importância.
Viver a oportunidade e experiência da maternidade tem me feito muito bem, mais que isso: me fez crescer como mulher. Aprendi e vivi coisas que só foram possíveis porque meu filhote deu o ar da graça. De todas, a mais importante é ser e amar como mãe!

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Crônica sobre um dia qualquer

São cinco pras seis de uma manhã de sábado gelada. No fundo do meu sono pesado, ouço um choro de criança e levo algum tempo até perceber que é meu filho que me chama. Chego no quarto e vejo que, como sempre, conseguiu se livrar da coberta. Sua fralda também está cheia, o que causa grande desconforto. Apesar disso, assim que me vê, ele abre aquele sorriso que eu tanto amo. Sei que é o início de mais um dia cansativo, e que ao fim estarei acabada, e ainda assim imensamente realizada.

Depois de trocar a fralda, me preparo para amamentar. Enquanto mama, ele me encara e eu sustento o olhar, segurando sua mãozinha. Adoro seus olhinhos apaixonados para mim. Quando acaba, ele se aninha ainda mais em meus braços, daquele jeito que é só comigo e me sorri de novo. Um sorriso cheio de gratidão e de amor. Meu coração derrete pela milésima vez.

Coloco-o em minha cama, e deito ao seu lado. Ofereço minha mão para sua adorada brincadeira e percebo que de repente se distrai com os próprios dedos, aqueles dedinhos que tantas vezes eu mesma já contei, só por insistência, e que até ontem ele não sabia que existiam. Lembro-me de que há três dias atrás, segurar objetos era tão mais difícil e que aos poucos ele faz movimentos com os braços com mais destreza. Penso que está passando tão rápido, que em pouco tempo ele estará preferindo os amigos a mim e que já não será mais o meu bebêzinho. Meus olhos se enchem de lágrimas e anoto mentalmente que preciso devorar cada segundo, para ter os momentos vivos na memória.

Ele segura novamente minha mão e adormece, mais um momento tão intímo a que já estamos acostumados. Enquanto escuto sua respiração tão tranquila, nino seu sono, analiso seu rosto, o rosto mais lindo que já vi e me dou conta que de vez em quando, meu amor de mãe é um pouco egoísta: por que eu não suportaria vê-lo sofrer, eu cuido tanto para que nada de ruim aconteça e por que eu não viveria mais sem ele, eu o protejo tanto.

Meu filho acorda e novamente me sorri – ah, como eu amo esse sorriso! – e eu sei que está na hora de mais uma maratona banho/ troca de roupa/preparação para passeio, tudo um ritual que, por vezes me desgasta. De novo, penso que em tudo ele depende de alguém, mas que não será sempre assim. Em pouco tempo, estaremos com outras pessoas e então meu bebê será um pouquinho de todo mundo. Meu amor egoísta mais uma vez me lembra de que seu sorriso apaixonado nem sempre será só para mim e que um dia eu já não caberei em seu caminho e em seus sonhos. Meu coração de mãe se aperta, mas tento me convencer que esse é o andar natural das coisas.

Como em todos os dias, eu agradeço a ele e a Deus por ser um filho tão abençoado, tão saudável e iluminado. Repito, de novo e quantas vezes forem necessárias, que é meu bebê, meu príncipe, meu amor, meu coração e que o amo além da conta. E acrescento: você só entenderá quando tiver seus filhos, muitas vezes me repreenderás como tua mãe, mas ainda assim eu te amarei mais do que eu acho que posso suportar!

Ele sorri – ah, meu bebê sorriso, como és feliz! – como se me entendesse e começa a dizer coisas. Ok, ele não diz nada exatamente, mas faz aqueles sons que nos permitem longas conversas. Eu o pego em meu braços para mais um abraço, e ele repousa a cabeça em meu ombro. Penso, de novo, que meu amor é infinto e que eu não viveria sem ele, que entre tantas coisas no mundo que eu poderia fazer, estar com ele é a melhor de todas. Agradeço de novo. Meu filho, em tão pouco tempo, já me fez aprender coisas sobre mim que eu desconhecia. E dá um novo sentido a minha existência, e então eu entendo que ser sua mãe é a melhor parte de mim.

 

Coisas que ninguém me contou

Ninguém me contou que quando meu filho nascesse, eu sentiria dores nos braços e costas e nao me importaria de segurá-lo só mais um minutinho, pelo simples prazer de olhar a carinha dele.
Ninguém me contou que aquele cochilinho pós mamada nas madrugadas seria o momento de maior amor e intimidade da minha vida.
Ninguém me contou que o cocô do meu filho ou a falta dele seriam minha maior preocupação durante dias e me renderiam tantas conversas.
Não me contaram que as fofocas da balada e dos peguetes das minhas amigas perderiam espaço totalmente para conversas sobre cólicas, chupetas, fraldas e amamentação.
Não disseram que eu amaria passar horas conversando com alguém que ainda nao sabe falar.
Não me disseram que duas horas longe do meu filho seriam uma eternidade e que eu morreria de saudade.
Ninguém disse que, depois de ter sonhado em conhecer o mundo e ter viajado para algumas das maiores cidades do mundo, meu universo ficaria completo num quartinho de paredes verdes.
Ninguém me disse que uma chupeta e uma mamadeira mudariam e salvariam minha vida.
Ninguém me disse que eu me tornaria neurótica com roupinhas sujas.
Ninguém disse que eu nem perceberia um vômito na minha blusa quando meu filho estivesse com dor.
Ninguém me disse que eu passaria todos os dias por intensos testes cardíacos e nem que ficaria sem ar de tanto amor.
Ou talvez alguém tenha dito, mas eu não acreditava que era verdade.

Segunda Carta para João Otávio

Meu anjo João Otávio

 

Há quase dois meses eu penso que já deveria ter te escrito. Eu queria te desejar boas vindas e te dizer que a vida nem sempre é justa, mas será muito boa. E quero te dizer um monte de coisas, tantas que às vezes se confundem e se perdem na minha mente.

Eu te esperei desde o dia que soube que você havia sido concebido. Rezei imensamente para que você fosse uma criança saudável e tranquila. Sonhei com seu rosto e tentei imaginar com quem você se pareceria. Pois Deus me presenteou com um bebê melhor do que eu pedi.

A primeira vez que te vi, já te amei de um jeito absurdo. Na verdade, nem sei dizer se é amor. Acho que essa coisa que eu sinto é tão pura, tão forte, tão especial e diferente de tudo que deveria ter outro nome, porque a palavra amor não explica. Mas vamos chamar assim, de amor, por falta de um verbete melhor.

Mas confesso que amor não foi o sentimento mais forte. Eu senti uma necessidade gritante de te proteger e cuidar de ti. Todos os dias eu te olho e penso que você é tão pequeno, tão indefeso e precisa tanto de mim. Isso faz meu coração apertar. E justamente por isso, que desde que você nasceu eu sinto mais vontade de cuidar de mim, porque sei que não posso te faltar.

E você assim, na sua fragilidade me tornou uma pessoa mais forte e corajosa. Antes eu tinhas tantos medos, e agora só o que me aflige é te perder. Faz tão pouco tempo que você chegou e eu nem consigo imaginar o que seria da minha vida sem você.

Nesses quase dois meses eu aprendi a te conhecer, a ler tuas expressões, a diferenciar teu choro e é como se eu te conhecesse durante toda a minha vida. Eu sinto que tudo o que me trouxe até sua chegada aconteceu para que eu me preparasse para ser tua mãe. E essa sensação me torna uma mulher melhor.

Todos os dias quando você sorri, aquele sorriso tão cheio de verdade, tão sincero, faz meu coração derreter e me dá ânimo para mais um dia cheio de surpresas e, muitas vezes, de cansaço. Ah e quando você chora, meu amor, meu coração despedaça. Minha dor passou a ser a que você sente, e se eu pudesse, eu juro, sentiria doer em mim pra te poupar de qualquer sofrimento. É como se diariamente eu morresse um pouco: se não de amor, é de susto.

Ah meu pequeno, eu te amo tanto, tanto! Eu te olho e agradeço aos céus pela oportunidade de ser tua mãe. E eu vejo que do seu jeitinho, sem nem saber o que é isso que você sente, você também me ama. É como se você fosse uma extensão de mim, uma parte melhor do que eu sou. Quem me conheceu antes de você chegar talvez nem acredite que eu tenha deixado tantas coisas de lado pra te receber em minha vida. Você ocupa cada pedaço do meu coração e do meu tempo, mas é tão prazeroso acompanhar teu desenvolvimento que nada me faz falta.

Eu tento imaginar como você será, ao mesmo tempo que quero devorar cada segundo de sua vida de neném, para me lembrar de tudo no futuro. E penso que, talvez um dia, o mundo te fará sofrer ou alguém partirá teu coraçãozinho, e isso dói tanto, meu amor! Ah, como eu queria que você nunca sofresse. Eu quero que você seja tão feliz, e sinto que você já é! Você é tão abençoado e tranquilo, e nos trouxe tanta felicidade!

Meu anjo João Otávio, que bom que você chegou. Que Deus te abençoe todos os dias e que te permita uma vida próspera. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que sempre carregue o sorriso mais lindo do mundo nesse rostinho perfeito. Mamãe te ama cada dia mais.

A verdade sobre amamentar

Esqueça todas as vezes que te falaram que amamentar dói. E eu digo “esqueça” não porque é mentira, mas porque dizer que dói não é suficiente. Hoje, depois de doze dias amamentando sem parar, eu entendo porque as campanhas de amamentação repetem tanto que este é um gesto de amor: com o tempo você percebe que insiste em amamentar unicamente pelo fato de que beneficiará seu filho, e nem pensa no resto.

Se eu fosse pensar nos benefícios que a amamentação traz pra mim, eu certamente já teria desistido. Repito: continuo a amamentar por amor ao meu filho. Como eu já repeti um milhão de vezes no blog, sou bem chata e intolerante para a dor, então talvez seja por isso que a experiência de amamentar pra mim esteja tão ruim. Mas esses dias eu fiz uma comparação que a meu ver parece bastante razoável e minha mãe achou que foi sutil: use um grampo de roupa para beliscar continuamente a ponta do seu seio. Não desista. Faça isso a cada três horas, mesmo quando seus seios estiverem sensíveis e machucados. Dói só de pensar, certo? Pois é! É mais ou menos isso.

Eu confesso que em alguns momentos entro em pânico só de pensar que está na hora de ele mamar, com direito a crises desesperadas de choro. E confesso ainda mais: acho que outro motivo que não me fez desistir é  o Fernando, afinal João Otávio é filho dos dois e as decisões cabem a ambos.

Nas campanhas, amamentar é mais fácil do que parece. O que não dizem é que nem sempre o bebê consegue pegar o seio corretamente e isso causa ainda mais dor. Também não dizem que a gente chora de dor e de nervosismo, que a gente fica descabelada e que os seios fartos – sonho de toda mulher – na verdade latejam quando têm excesso de leite. Também não contam que a gente sente vontade de sair correndo a cada mamada e que morre de culpa por sentir isso.

A verdade é que amamentar não é lindo. Ok. Admito que quando o João Otávio acaba de mamar ele dá o sorriso de satisfação mais lindo do mundo e isso sim é de fazer o coração derreter. E que, quando o seio dói um pouco menos, é um momento tão íntimo que dá vontade de ficar ali pra sempre. Amamentar é um privilégio e um fardo exclusivo de cada mãe: se você não fizer, ninguém mais fará por você (e nossa, isso me assusta!). Dizem que essa dor absurda passa e que quase todas as mulheres passam por esse processo. Me julguem como queiram, talvez eu seja uma mãe horrorosa por falar essas coisas. Talvez eu seja honesta demais para admitir coisas que as outras não falam em voz alta. Quando seu filho nasce, existem verdades que você não admite nem pra você mesma, e o fato de pensar em desistir de amamentar é uma delas. Provavelmente a culpa não deixará você desistir, então relaxe e continue tentando.

Como é estar grávida

Há duas semanas atrás, uma menina me perguntou durante a aula de pilates: “Como é estar grávida?” Que perguntinha difícil de responder! Minha resposta foi aquele clichê mais antigo da humanidade: “não tem como explicar”. E não tem mesmo. Só uma mulher que tem ou espera um filho sabe qual é a sensação. Mas desde então não paro de pensar nisso.

Estar grávida é uma loucura, e isso é algo que vivo repetindo por aqui. João Otávio está quase nascendo e não há um dia que eu não pense no quão louco e espetacular é ter uma pessoinha dentro de mim. É gerar uma vida e ser responsável por um serzinho que depende, em cada célula do seu corpo, unicamente de você.

Estar grávida é morrer de ansiedade para conhecer seu filho e ao mesmo tempo, morrer de medo de colocar nesse mundão cada vez mais doentio uma criança completamente indefesa. E só por isso sentir o coração apertar de aflição.

Estar grávida é não conseguir imaginar sua vida de agora em diante sem uma pessoa que você sequer sabe com quem se parece – e eu desafio qualquer mulher grávida a dizer, sinceramente, que imagina sua vida sem seu bebê.

Estar grávida é viver numa gangorra emocional por conta dos hormônios. É se irritar a toa com qualquer palavra dita errada, e dois minutos depois chorar de emoção só de pensar em ter seus filhos nos braços.

Estar grávida é ver seus relacionamentos – todos eles – mudarem drasticamente. Amar ainda mais seus pais, ver alguns amigos cada vez mais distantes e outras se aproximarem de repente. É ter sua vida sob tutela dos outros – mentira! não é, mas às vezes é como se fosse, afinal todo mundo vai querer cuidar e dar muito palpite na sua vida. Por mais irritante que isso seja, você acaba se acostumando.

Estar grávida é não ter vergonha de ligar pro médico porque fez mais xixi do que o normal ou perguntar se você pode usar qualquer desodorante, por achar que seu bebê está sempre correndo risco. Outra mentira: você vai morrer de vergonha, mas vai perguntar mesmo assim, porque a ideia de perder seu neném é muito mais desesperadora do que o constrangimento que vai sentir. E juro, eu fiz isso.

Estar grávida é se emocionar muito, chorar além da conta pelos motivos mais bestas, é se sentir a pessoa mais especial do mundo por estar levando dentro de si o ser mais especial do mundo, mesmo sabendo que milhões de mulheres passam por isso todos os dias. Estar grávida é sensacional! E depois de tudo isso dito, é ter uma certeza: estar grávida é algo que você nunca vai conseguir explicar.

 

Carta para João Otávio

Meu filho amado

Tenho tido uma certa dificuldade em dizer em voz alta muitas das coisas que eu queria que você soubesse desde já. Mas entenda que a mamãe consegue expressar melhor o que sente escrevendo, então aqui vai uma carta para você saber tudo o que eu quero te dizer.

Desde que soube da sua chegada, você se tornou a pessoa mais importante da minha vida e tenho me preparado para ser uma mãe maravilhosa. Mas por favor, tenha paciência comigo: muitas vezes eu vou errar, ficar impaciente e não terei muita ideia do que realmente tenho que fazer para ser a melhor mãe que você merece ter.

Posso ser desajeitada, esquecida, atrapalhada, mas te garanto boas  risadas e um certo divertimento nas horas em que você não se incomodar com minha distração.

Vou te ensinar meus valores, te educar  e garantir que você esteja protegido, para que saiba fazer boas escolhas. Em alguns momentos, vou ser rígida e meio durona. Mas entenda que, nesses  momentos, minha dureza e pulso firme serão minha maior prova de amor.

Em outros momentos, vou deixar você cair  e você vai se machucar. Mas isso te ensinará que a vida é isso: um eterno cair e levantar e que as
feridas cicatrizam. E depois de cicatrizadas, nos deixam mais fortes e corajosos, além de aprender que, apesar das quedas, a vida é sempre um espetáculo a ser vivido. Ah! E eu sempre estarei lá  pra te ajudar a levantar, para que você saiba que nunca estará sozinho.

Vou te colocar para dormir, ninar teu sono, te levar pra passear e  aproveitar todo o tempo que estivermos juntos para que você valorize estar com sua família, e que ame isso!

Vou ler histórias e te ensinar o quanto os livros fazem diferença na nossa vida. E vou te deixar andar de skate, bicicleta, subir em árvores, pra saber que a vida pode ser uma aventura.

Vou incentivar teus sonhos, ouvir tuas opiniões e argumentos, te ajudar a ser quem você queira ser daqui a uns anos, mesmo que isso não seja exatamente o que eu quis pra você. Aliás, o que eu quero realmente é que você seja um filho amoroso, tranquilo, uma pessoa de caráter, boa índole, honesto e com bons valores – tudo o que eu e seu pai somos e nossa maior herança pra você.

Vou te defender e proteger sempre, mas vou te deixar aprender que muitas vezes somos nós quem precisamos defender a nós mesmos.

Quero que saiba que foi um bebê muito esperado e abençoado desde o início, tanto pelo papai e mamãe, quanto pelos vovôs e vovós e seus tios e tias. Sua chegada é uma grande emoção pra gente e estamos te esperando, muito gratos por você  ser parte dessa família, que não é perfeita, mas que já te ama demais.

E o mais importante de tudo: quero te dizer que você é a soma de duas pessoas que se (e te) amam muito. Vamos te amar mais a cada dia, com todas as nossas forças e vamos fazer tudo o que pudermos para sermos o nosso melhor, mesmo que às vezes você ache que deveríamos ter feito diferente.

Um grande beijo!
Mamãe.