Desabafo

Eu deveria, nessa fase da gestação em que estou, estar diminuindo o ritmo. Estou entrando na trigésima quarta semana, oitavo mês de gravidez, e para quem já passou por isso, sabe do que eu me refiro: pernas inchadas, dor nas costas, azia, contrações de treinamento, dores intermináveis na barriga e no corpo todo, tudo aquilo que a gente sabe que é normal, mas que é uma chatice.

Acontece que nem sempre as coisas são como deveriam. Embora  eu planejasse já estar desacelerando por essa época, a vida me trouxe surpresas que me fizeram correr ainda mais.

Imprevistos acontecem, nós sabemos, e aprender a lidar com eles nos torna pessoas melhores e mais eficazes, em todos os âmbitos da vida. Mas de vez em quando nos tiram do eixo. O fato é que por conta dos muitos imprevistos acontecendo ao mesmo tempo, minha vida ficou um pouquinho de cabeça pra baixo, e ando numa correria tremenda, a ponto de não conseguir realizar corretamente sequer minhas tarefas de rotina, quem dirá aprontar os últimos preparativos antes da chegada do João Otávio.

Se antes o cansaço já tomava conta de mim, agora está a ponto de me fazer chorar. Não me sobra tempo para muita coisa e o pouco que sobra, eu preciso descansar, por causa das dores no corpo. Aí as pessoas me falam que eu preciso descansar mais. A minha resposta é: não posso. E não posso, simplesmente, pelo fato de não ter quem faça as coisas por mim. Eu queria não precisar ir no mercado, eu queria já estar parando de trabalhar, queria ir uma ou duas vezes na semana fazer drenagem linfática, queria poder dormir à tarde com as pernas pra cima. Mas infelizmente não dá. E queria, principalmente, não sentir esse cansaço todo, que me faz uma pessoa reclamona.

Eu sei que não sou a única mulher que passa por isso. E sei que, provavelmente, tem coisa pior por vim e que meus dias serão ainda mais desgastantes. Mas eu realmente tô esgotada, física e emocionalmente. E, justamente, por saber que vai ficar ainda mais cansativo, eu preciso sossegar a mente e o corpo, preciso relaxar, amenizar as mil dores que sinto. Mas como? Como fechar os olhos diante das coisas, fingir que não me importo, deixar as coisas pela metade? Preciso de tempo. E preciso, mais que tudo, me transformar em duas pessoas para poder fazer todas as coisas que tenho que fazer.

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Será que acabou a magia?

Tenho tido uma dificuldade imensa em escrever nos últimos dias. O motivo principal é que, qualquer coisa que eu escrevesse, não seria tão bacana quanto antes. No último post, comentei sobre o fato de a minha ficha começar a cair: de repente me dei conta de que logo, logo terei meu bebê nos braços, e isso me assustou profundamente.

Junto a isso, vem o fato de que meus desconfortos – que não eram poucos – aumentaram nas últimas semanas. Minha barriga está maior e mais pesada a cada dia, e pequenas coisas do cotidiano se tornaram um pouco complicadas. Hoje, por exemplo, pela primeira vez, tive uma certa dificuldade em fechar minha sandália. Tá, é super engraçado. Mas é chato. Vou precisar adotar aquelas rasteirinhas de dedo, porque as fechadinhas já não são práticas.

Minhas roupas deixam de servir de um dia pro outro e dormir só é possível de lado: com a barriga pra cima, as costas doem bastante. Ah! e cada vez que eu troco de lado durante a noite, eu acordo por causa do peso da barriga, ou seja meu sono é picado. Junte a isso as corriqueiras câimbras, azia, inchaço nas pernas, falta de ar e o bom e velho cansaço, que voltou a me atormentar.

Para quem tem acompanhado o blog, nada disso é novidade. E para quem já passou por uma ou mais gravidez, a resposta é sempre a mesma: tudo isso é normal! E é, mesmo! Mas é um saco. Só que agora eu tenho um agravante para tudo isso: a ansiedade!

Não fiquei ansiosa, até agora, durante a gestação. Mas desde que o quarto está pronto, o tempo se arrasta, os dias parecem mais longos. Se até então, minha gravidez tinha voado, agora está a passos de tartaruga. E a espera é angustiante. Mais do que antes, penso no parto e fico nervosa, e me apavoro pelo fato de saber que eu não tenho a menor ideia de como serão meus dias quando João Otávio nascer.

Talvez eu tenha deixado de romantizar tudo – ok, desde que me falaram que eu romantizo tudo, eu tenho pensado muito nisso, e me sinto meio tola às vezes. Talvez a magia tenha acabado. Aliás, também já me falaram que a magia da gravidez é um mito. Talvez seja só ansiedade pela espera. Para tudo isso, tenho procurado me ocupar com outras coisas, tipo devorar livros, já que depois eu acho que não terei tempo, e também reconsiderar a ideia de fazer um chá de fraldas, já que pelo menos esse planejamento me dará outro foco. O fato é que, apesar da ansiedade e da angústia, eu sei que vou precisar esperar mais uns dois meses e meio para saber o que realmente acontecerá. E, pelo visto, esses próximos dois meses e meio serão beeemmm longos.