Eu sou uma mãezona.

 

Vivemos numa sociedade machista, muito machista. E se você não é do tipo de pessoa que se engana e sabe que apesar de já termos evoluído muito nesse sentido, mas que ainda falta um caminho longo pela frente, sabe que não estou exagerando. Antes do meu bebê nascer eu achava que era besteira, mas não é. E tive uma série de situações que contribuíram para ter certeza disso. E na maior parte das vezes, ouvi como resposta coisas do tipo “é assim mesmo, a mãe sempre faz mais coisas”, “sempre sobra pra mulher” e “conforme-se”. Essas coisas me deixavam ainda mais convicta de que, infelizmente, muitas vezes o machismo parte mais das mulheres do que dos homens – ou pelo menos é o meu caso!

Aí com o passar do tempo, ficou mais evidente que sim, sobra muito mais pra mulher. Somos nós que deixamos mais coisas de lado pelos filhos. Somos nós que ficamos responsáveis pela maioria das coisas do dia-a-dia. Abdicamos de muita coisa que nos faz falta. Somos nós que nos desdobramos em mil para cuidar da casa e dos filhos. Somos nós quem ficamos muito mais cansadas, e quase sempre nem temos o direito de reclamar, afinal “este é o nosso papel”. Apesar disso, ainda temos que lidar com homens que acham que tem mais direito a decisões ou que “mandam mais”.

Tenho visto circular muito pelo Facebook frases como “meu marido é um paizão” e “aqui em casa tem um paizão”. Para minha total surpresa, nunca vi nada parecido referente às mães, e isso me deixa um pouco frustrada. Não tenho nada contra a esse tipo de elogio aos pais, eu mesma já compartilhei a frase e continuo dizendo que tenho um companheirão do lado, que é um pai incrível. Mas me choca perceber que ser bom pai ainda é mérito, enquanto nós mães não temos outra opção.

Basta fazer algumas comparações. Se o homem pouco ajuda com o filho, é porque é assim mesmo, não sabe, a gente tem que ter paciência. Mas adivinha pra quem sobra as tarefas? Agora pense na hipótese de uma mãe que não faz as coisas pelos filhos: desleixada, descuidada, irresponsável, pra dizer o minimo! Ou mais: quem não conhece algum caso de pai que simplesmente não assumiu o filho ou sumiu quando a criança nasceu? Eu mesma posso citar alguns! Mas nunca ninguém viu uma mãe simplesmente abandonar o filho, dar pra outra pessoa criar. Ou se viu, julgou de nomes que não vou dizer aqui! Eu particularmente não entendo como alguém consegue. Mas também concordo que não nos resta outra alternativa, e talvez essa seja a razão pela qual existe tanta gente criada de qualquer jeito pelo mundo.

Dito isto, proponho que nós, as mães, comecemos a admitir que somos incríveis. Infelizmente, a gente vive numa sociedade em que quase sempre é muito feio fazer um auto-elogio, porque soa como arrogância. Mas vou contar um segredo: não é! A gente pode sim, sair por aí dizendo que somos maravilhosas. Começo por mim. Sou uma mãe incrível. Me dedico de corpo e alma para meu pequeno, faço meu melhor. Cuido da casa e dele. Brinco, canto, danço, faço dormir, dou carinho, cozinho, faço qualquer coisa por ele. E sou completamente apaixonada. Deixei de lado muita coisa, mudei minha vida para recebê-lo. Poderia ter feito diferente, mas quis fazer o que achei que seria o melhor.

Cometemos erros, muitos deles. Mas somos insubstituíveis e ninguém conhece e cuida dos nossos filhos como nós cuidamos. Nem sempre, temos pessoas que reconhecem nosso valor e nos digam o quanto somos boas no que fazemos. Pois bem, digamos para nós mesmas o quão importante somos. Continuemos elogiando os maridos que cumprem seu papel com maestria, continuemos agradecendo pela parceria e comprometimento. Eu vou fazer isso. Mas vou deixar claro também que sou a melhor mãe do mundo para meu filho. Todas nós somos, ainda que nem sempre a gente escute isso dos outros!

O que meu filho já fez por mim

Semana passada, no programa da Fátima Bernardes, estava a apresentadora Regina Casé. A Fátima comentou sobre algo que Regina disse em seu programa no dia das mães. Ao invés de homenagear sua mãe, ela agradeceu a filha por existir e permitir que ela vivesse a experiência da maternidade. Sensacional! E serve para todas nós, e nem nos damos conta.
Eu, Jully, sou mãe porque o João Otávio existe. E, embora faça parte da minha maneira de viver a vida agradecer a tudo e a todos, e também por causa disso eu já tenha agradecido ao João Otávio por ser meu filho, ainda não havia agradecido pela oportunidade de ser sua mãe.
Costumo sempre parabenizar às mães de crianças no dia do aniversario de seus filhos, afinal quando nasce um bebê, nascem também os pais. E nascemos sem saber de nada.
Meu filho já me ensinou, em seus quase cinco meses de vida, mais do que aprendi com muitas experiências anteriores a ele. Tudo na minha vida ressignificou depois que ele nasceu.

Aprendi que ser mãe exige esforço físico, mental e financeiro. Aprendi a importância de não protelar as coisas. Descobri a necessidade de economizar tudo – de roupas limpas a dinheiro!
Redescobri o valor de cada segundo com quem eu amo, e principalmente cada segundo que tenha só meu. Aprendi que dormir é mais importante que comer.
Meu filho me fez rever o valor da família. Me fez aprender que, por mais cansada que eu esteja, seu sorriso sempre me ilumina. Me fez aprender que nem tudo está escrito nos livros, e que muita coisa que está não serve pra mim. Me fez aprender a importância de usar boas fraldas.
Observando o desenvolvimento do meu bebê, mudei minha relação com o meu corpo: ao perceber o quanto coisas simples pra mim são grandes desafios pra ele, senti vontade de desafiar meus próprios limites.

Meu filho me ensina a ser flexível na rotina, embora me exija uma rotina bem definida ( dessas contradições que só a gente entende). Me fez aprender a diferenciar choro, riso, barulho de pum, além de ler suas expressões. Me fez entender que eu posso saber exatamente quais são suas preferencias, embora ele não saiba dizer uma palavra.
Tenho aprendido todos os dias a controlar a ansiedade e curtir cada progresso dele. Tenho revisto meus objetivos e prioridades, reconstruído sonhos. Aprendi a não dar ibope a coisas sem importância.
Viver a oportunidade e experiência da maternidade tem me feito muito bem, mais que isso: me fez crescer como mulher. Aprendi e vivi coisas que só foram possíveis porque meu filhote deu o ar da graça. De todas, a mais importante é ser e amar como mãe!

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Carinhos na gravidez e mão da barriga

Uma das melhores coisas da minha gravidez, até agora, é o carinho que tenho recebido das pessoas. Fico emocionada cada vez que alguém dá parabéns, me abraça, dá uma lembrancinha pro Jota ou mesmo quando as manifestações são através das redes sociais.

Esses dias estava me sentindo meio chateada, e por coincidência precisava ir em uma das lojas em que trabalho. A recepção que eu tive das meninas foi tão boa, me senti tão acolhida, recebi tanto carinho, que mudou meu dia.

Outra coisa que me deixa muito emocionada é quando coloco algo sobre a minha gravidez no facebook e as pessoas curtem. É bobagem, eu sei. Ontem, por exemplo, coloquei uma foto da minha barriga e várias pessoas curtiram e comentaram, mesmo pessoas com quem tenho pouca interação na rede. Isso me faz pensar o quanto um bebê é capaz de aproximar e encantar pessoas, e o quanto as pessoas me querem bem.

Mas como nada é perfeito, em meio a tudo isso, eu tenho um pequeno problema: detesto quando as pessoas colocam a mão na minha barriga – aliás, essa foi uma das poucas teorias que eu tinha antes de grávida que não se anularam nos últimos meses.

O assunto é polêmico, mas meu motivo é simples: por mais que as pessoas me falem coisas boas, e eu sinto que a grande maioria tem intenções e desejos maravilhosos para mim e para meu filho, eu nunca sei o que a pessoa sente e pensa quando acaricia minha barriga. Além disso, ninguém sai por aí encostando em homem barrigudo nem em mulheres não-grávidas, né? Então acho que eu não tenho mesmo que amar esse pequeno gesto. E não amo.

Lógico que, dependendo de quem for, não me importo e até acho que um carinho faz bem, como quando são os avós, tios e amigos próximos. E também aquelas pessoas que a gente sente que a energia é boa de longe. Tirando esses, acho deselegante, inadequado e às vezes até um pouco desrespeitoso quando as pessoas vêm logo colocando a mão na minha barriga, porque ultrapassa aquele limite invisível que todo mundo tem para seu espaço pessoal. Mas fico sempre numa situação indelicada. Não sou uma pessoa de meias palavras, então como corro o risco de falar algo e ser muito grosseira, às vezes fico quieta, e delicadamente, eu mesma coloco a mão na barriga também, como se assim pudesse proteger meu filho de qualquer invasão.

Fora isso, continuo dizendo que amamos todas as outras manifestações, recados, lembranças, abraços, presentinhos. Enfim, as formas de dar parabéns e dizer o quanto o Jota é bem vindo, são muitas. Eu não sou uma pessoa tão radical. Mas se o desejo de tocar na barriga for irresistível, por favor, não custa pedir licença.

P.S: não sei como as outras mãos se sentem quanto a isso, essa é uma opinião bem pessoal sobre o assunto.

P.S2: esse post não é um recado pra ninguém, é apenas um desabafo.