Quando cai a ficha

Ontem chegaram os móveis do João Otávio. O quarto está praticamente pronto para a chegada do nosso pequeno. Ficou lindo, eu adorei. Mas enquanto o pessoal da loja montava os móveis, a minha ficha começou a cair: nós vãos ter um bebê, e agora?

Estar grávida é uma delícia, não canso de repetir. Amo meu bebê de uma forma inimaginável, minha vida passou por mudanças incríveis para esperá-lo e eu já nem consigo imaginar minha vida sem ele. Mas a gravidez é uma fase de expectativas e projeções: a gente pode imaginar o que está por vir, mas não tem certeza de nada.

Ontem me bateu uma angústia. E se eu não for uma boa mãe? E se eu não souber o que fazer? E se eu não der conta? E se eu não puder cumprir com tudo aquilo que disse que faria quando fosse com meu filho? E se eu fizer tudo errado? E se eu não estiver preparada pra ter um filho?

Por enquanto, tudo é suposição. Eu acho que vou ser uma mãezona, dedicada, pulso firme, meio brava até, carinhosa, presente, paciente. E é o tipo de mãe que pretendo ser. Mas está tudo no achismo. E se não for nada disso? Meu deus, e agora?

Faltam, no máximo, 85 dias pro nosso filhote chegar e eu estou meio apavorada. Tudo isso é real, eu desejei tanto, sonhei tanto em ser mãe e agora que estou prestes a realizar, fiquei simplesmente imobilizada pelo meu medo. Talvez seja porque felicidade demais assusta. Quando essa fase acabar, como as coisas serão?

Tenho procurado não pensar muito nisso, para não me preocupar mais do que o necessário. Mas, se eu fosse um desenho de quadrinho, minha cabeça estaria com um ponto de interrogação gigante dentro de um balão. A pergunta que mais se repete internamente é “será que eu tô pronta? E agora?”.

Essa angústia vai passar, eu sei. Mas a mãe que nunca se fez essas perguntas que atire a primeira pedra. Imagino que ser mãe é isso: uma eterna dúvida! Fato é que não temos escapatória. Como toda mulher que encarna o papel de mamãe, me resta aprender a lidar com um pingo de culpa – afinal, desde ontem o Jotinha está especialmente agitado (será que minha ansiedade está fazendo mal pra ele?) – e com as perguntas sem respostas. Daqui a uns 10 ou 20 anos, com sorte, talvez eu consiga respondê-las pra mim mesma.

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Antes de engravidar

Antes de engravidar eu sabia tudo sobre gravidez.

Antes de engravidar, eu criticava mulheres grávidas que se sentiam indispostas.

Antes de engravidar, eu jamais cederia aos desejos de grávida, afinal não existe nada que comprove de onde vem e pra onde vão os famosos desejos.

Antes de engravidar, eu teria uma filha bailarina e um filho sucesso em todos os esportes, além de ambos serem bilíngues.

Antes de engravidar, eu teria – com certeza absoluta – um casal de gêmeos.

Antes de engravidar, eu sabia que engordaria exatamente o recomendado pelos médicos, de modo que só minha barriga cresceria e ficaria bem empinadinha.

Antes de engravidar, eu manteria minha vida social exatamente como sempre foi, inclusive  de vez em quando iria pra balada.

Antes de engravidar, eu usaria salto alto até o dia de ir pra maternidade.

Antes de engravidar, eu tinha plena convicção de que meus filhos nasceriam de parto humanizado em casa.

Antes de engravidar, eu sabia que não faz diferença se a criança está crescendo numa casa ou num apartamento.

Antes de engravidar, eu sabia que engravidaria em fevereiro, de modo a ter filhos sagitarianos e não atravessaria o verão estando grávida.

Antes de engravidar, eu tinha certeza sobre nomes e quem seriam os padrinhos dos bebês.

Antes de engravidar, eu seria uma excelente mãe, sem a menor dúvida sobre como educar filhos e completamente incriticável.

Antes de engravidar, eu considerava que o pai precisava participar muito pouco da vida da mulher grávida.

Antes de engravidar, as coisas seriam todas do meu jeito e sairiam sempre exatamente como u planejei.

Antes de engravidar, eu não tinha a menor ideia das besteiras que eu dizia.

A primeira tarefa árdua

Escolher nome: eis a primeira tarefa árdua de todo casal que espera um bebê.

Sempre tive duas convicções quanto aos nomes dos meus filhos: 1- seriam nomes fáceis, para nunca precisarem repetir ou soletrar o próprio nome (passo por isso constantemente e é um saco.) 2- seriam nomes compostos. Mas, como quase todas as coisas da minha gravidez, minha teoria caiu por terra depois que vi o resultado positivo do meu exame.

Eu e o Fernando sempre brincamos de escolher nomes de filhos, e um pouco antes de saber que estamos grávidos, havíamos decidido que o nome do nosso primeiro filho, se fosse menino, seria João Otávio: nome lindo, composto, forte e que nós dois amamos. Mas quando saí do ultrassom com a confirmação do sexo, uma dúvida me atormentou: e aí? Qual será o nome do nosso homenzinho?

Até fizemos uma enquete de brincadeira no Facebook pra escolher um nome, mas aí começaram a aparecer nomes absurdos e ridículos e descartamos as opiniões alheias. Mas a dúvida realmente me incomodou por uns dois dias, enquanto o Fernando tinha pressa em decidir. Mas não dá pra decidir o nome assim, às pressas.

O nome carrega em si uma carga energética e de personalidade para o resto da vida. Já ouvi dizer até que cada um escolhe o próprio nome antes do nascimento e “sopra” nos ouvidos dos pais para que estes atribuam o nome escolhido. Eu acredito nisso. Aliás, acredito que tudo seja possível. Mas como não tenho a audição muito boa, fiquei confusa quanto aos nomes. Adotei uma técnica que era a seguinte: eu me imaginava chamando meu bebê pelos nomes analisados. Por fim, decidi pelo que eu conseguia “visualizar” melhor.

O escolhido entre Pedro, Henrique e João Otávio foi justo aquele que já queríamos antes: acho que talvez nosso anjinho já estivesse dizendo qual nome queria, antes mesmo de sabermos de sua chegada. Mas como toda mãe de primeira viagem que sou, cheia de preocupações, comecei a imaginar as possibilidades de apelidos e de um possível bulling com meu filho. Afinal, Otávio para virar otário é fácil, fácil. Ou então ao invés de ser chamado de João Otávio, vim um João Nono – que aliás não seria de todo esquisito, já que a origem do nome Otávio é justamente de “Oitavo Filho” – mas ainda assim, não é bonito. Mas aí me dei conta que, infelizmente, tem coisas que eu não vou poder prever e evitar na vida do meu filho (ai que dor no coração pensar nisso!  Quem não quer privar seu filho de qualquer sofrimento?).

 

Pra mim, decidir o nome foi o passo maior e mais difícil desde o começo, afinal é o nome que vai acompanhá-lo pelo resto da vida, sem previsão de mudanças: nossa! quanta responsabilidade fazer uma decisão tão grande por outra pessoa, né? Talvez devêssemos ser chamados de B1 ou B2 até os 18 anos, e aí então nós mesmos escolheríamos nosso nome. Não seria incrível? Mas as coisas não funcionam assim, então cabe aos pais essa incumbência.

Penso que o nome, além de soar bonito, precisa ter um significado bacana. Mas às vezes o significado é lindo e o nome horroroso, ou vice-versa. Sem mencionar os nomes lindos, mas que lembram gente chata, trapaceira, briguenta ou qualquer coisa que não desejamos que nosso filho seja. Ee joguinho de quebra-cabeça difícil, viu?

Tudo bem, devaneios a parte, nossa tarefa está cumprida. João Otávio agradou aos dois, e tem sido pronunciado tanto e com tanto amor que deve deixar o novo dono do pedaço bem satisfeito também.