O dia mais emocionante da minha vida

Sempre achei que o dia mais feliz da minha vida seria o dia que me descobrisse grávida. Não foi. Aí achei que seria depois do primeiro chute, primeiras mexidinhas. Também não. E preciso admitir: tampouco foi o dia do nascimento do João Otávio. Nesse dia, eu estava tão ansiosa e nervosa que não tive espaço dentro de mim para acomodar muita alegria. E, com a ajuda da anestesia, fiquei um pouco aérea quando pude finalmente olhar seu rosto pelo primeira vez.
Na minha vida, já tive a possibilidade de fazer um monte de coisas que posso definir como momentos de muita emoção e até “pura adrenalina”. Saltei de paraquedas, fiz raffiting, era enlouquecida por montanhas russas e afins. Vi Paris do alto da Torre Eiffel e New York do Empire State. Tive o prazer de morar na maior cidade do país, bem no centro econômico e cultural, com a possibilidade de conhecer gente de quase todo tipo. Passei curtos 3 meses em Barcelona – ah, Barcelona! Por onde começar a falar? – Vi o Rio pela perspectiva do Cristo, e em Londres não me aventurei muito, mas não deixei de ter o coração batendo a mil.
Posso citar mais um monte de pequenos e grandes momentos de perder o fôlego. E nenhum desses foi o mais emocionante e inesquecível da minha vida. O dia mais emocionante acontece todo dia por aqui.
É quando meu filho acorda e abre aquele sorriso. – sabe aquele, em que eu tanto falo? – é, na verdade, o sorriso que dá sempre que me vê. E descobri recentemente emoção maior: são seus bracinhos me procurando para me abraçar e sua mãozinha desajeitada me fazendo um carinho no rosto, e seus beijos desajeitados, que mais parecem com um monte de lambida ou qualquer coisa assim.
Mais emocionante ainda é ver seu desenvolvimento, é perceber que ele conseguiu fazer hoje o que estava tentando há dias, é vê-lo maior depois das noites longas de sono. É ver a felicidade diante de uma música e desenho novos. É dormir com ele em meus braços, com o rosto grudado no meu e seus olhinhos de admiração pra mim. (Suspiros eternos nesses momentos!)
Por aqui também tem minutos de muita excitação e adrenalina: experimenta limpar cocô e vômito na noite mais fria do ano. Tem que ser bem rápido e o coração quase sai pela boca!
Hoje me perguntaram se já me adaptei a minha nova vida. Já! Ser mãe em tempo integral me proporciona situações muito diferentes do que eu imaginava. Meu lado mãe, hoje, é o predominante e é bastante inusitado viver assim. Mas eu gosto. Amo, na verdade! Amo ver meu filho crescer, amo seu sorriso, amo saber que sou responsável por ele e tudo que o cerca e amo saber que as coisas são feitas como eu planejei que seriam. Ser mãe é uma loucura. É cansativo, desgastaste e dá dor nas costas. Mas é uma aventura, e eu aposto, é a melhor de todas!

Anúncios

O último dia

Funciona mais ou menos assim: você acorda um dia sentindo que alguma coisa está acontecendo de diferente com você. Suspeita que pode ser gravidez, faz o exame e tem a confirmação. Se emociona, se assusta e começa a sonhar com  dia do nascimento. Vai ao médico, faz ultrassom e ele passa uma data provável de nascimento, que naquele momento parece ser dali a alguns anos-luz. Aí um dia, nove meses – ou 40 semanas – depois acorda e tcharam: já é aquele dia tão aguardado. Gravidez é tudo o que acontece nesse meio tempo.

Fazendo um breve resumo de tudo, é assim que me sinto. Estou a alguns dias sem escrever aqui, porque optamos por nos preservar nesse momento, então preciso atualizar quem me acompanha pelo blog. Como eu já havia dito, queria tentar parto normal, e ficamos esperando por isso. Nas últimas semanas, tenho sentido bastantes dores e mais desconfortos do que o normal. Se me perguntar, fica até difícil dizer onde dói, porque tudo incomoda. Apesar disso, o João Otávio não dá sinais de querer nascer e por causa disso marcamos cesárea.

Essa não era nossa primeira opção, mas também nunca foi descartada por completo. Acontece que nos últimos dias, eu e Fernando – e toda a família, pra falar a verdade – estamos morrendo de ansiedade, e antes que um de nós tenha um ataque cardíaco ou qualquer coisa parecida, decidimos marcar o parto. Então está marcado para hoje à noite.

Confesso que, por um lado, fico mais tranquila pela certeza de conseguir deixar todas as questões práticas resolvidas previamente, já que a possibilidade do contrário estava me deixando ainda mais ansiosa. Por outro lado, meu coração aperta por pensar que talvez pudéssemos esperar um pouco mais, embora a gente precise que ele nasça.

O último dia é assim: cheio de expectativa, ansiedade, alegria, um pouco de medo – afinal nunca fui adepta a cirurgias. Com a cabeça a mil, não consegui dormir essa noite, assim como não dormia em todas as últimas noites do mês. Ainda que eu tenha plena convicção de que gravidez é mesmo um momento único e mágico (já to até com um pouco de saudade), estou aliviada por saber que em breve meu corpo e meus hábitos voltarão a algo mais parecido com o meu normal.

Deu pra ver a confusão né: alívio, expectativa, saudade, tristezinha, uma irritação profunda por causa da ansiedade, coração apertado, alegria, tudo junto e misturado! Mas de tudo, o que sobressai é a felicidade imensa por saber que nosso bebezinho em breve – Meu Deus, falta muito pouco! – estará nos meus braços e vou poder conhecer seu rostinho, segurar sua mãozinha e começar a morrer de amor por ele. Já fico emocionada só de pensar!

Hoje recebi algumas mensagens e telefonemas desejando um monte de coisas boas pra gente. Fico muito feliz e agradecida pelo carinho de todos. Embora, como eu disse antes, quiséssemos nos manter mais quietinhos agora, acho que devia a quem acompanhou toda a minha gestação mesmo que a distância, que soubessem que hoje é o grande dia. De coração, muito obrigada pelas boas vibrações e energia positiva que nos mandam. Assim que der, eu volto contando sobre a nova etapa em nossa vida. Vida, que aliás, começa de novo a partir dessa noite.

 

Como é estar grávida

Há duas semanas atrás, uma menina me perguntou durante a aula de pilates: “Como é estar grávida?” Que perguntinha difícil de responder! Minha resposta foi aquele clichê mais antigo da humanidade: “não tem como explicar”. E não tem mesmo. Só uma mulher que tem ou espera um filho sabe qual é a sensação. Mas desde então não paro de pensar nisso.

Estar grávida é uma loucura, e isso é algo que vivo repetindo por aqui. João Otávio está quase nascendo e não há um dia que eu não pense no quão louco e espetacular é ter uma pessoinha dentro de mim. É gerar uma vida e ser responsável por um serzinho que depende, em cada célula do seu corpo, unicamente de você.

Estar grávida é morrer de ansiedade para conhecer seu filho e ao mesmo tempo, morrer de medo de colocar nesse mundão cada vez mais doentio uma criança completamente indefesa. E só por isso sentir o coração apertar de aflição.

Estar grávida é não conseguir imaginar sua vida de agora em diante sem uma pessoa que você sequer sabe com quem se parece – e eu desafio qualquer mulher grávida a dizer, sinceramente, que imagina sua vida sem seu bebê.

Estar grávida é viver numa gangorra emocional por conta dos hormônios. É se irritar a toa com qualquer palavra dita errada, e dois minutos depois chorar de emoção só de pensar em ter seus filhos nos braços.

Estar grávida é ver seus relacionamentos – todos eles – mudarem drasticamente. Amar ainda mais seus pais, ver alguns amigos cada vez mais distantes e outras se aproximarem de repente. É ter sua vida sob tutela dos outros – mentira! não é, mas às vezes é como se fosse, afinal todo mundo vai querer cuidar e dar muito palpite na sua vida. Por mais irritante que isso seja, você acaba se acostumando.

Estar grávida é não ter vergonha de ligar pro médico porque fez mais xixi do que o normal ou perguntar se você pode usar qualquer desodorante, por achar que seu bebê está sempre correndo risco. Outra mentira: você vai morrer de vergonha, mas vai perguntar mesmo assim, porque a ideia de perder seu neném é muito mais desesperadora do que o constrangimento que vai sentir. E juro, eu fiz isso.

Estar grávida é se emocionar muito, chorar além da conta pelos motivos mais bestas, é se sentir a pessoa mais especial do mundo por estar levando dentro de si o ser mais especial do mundo, mesmo sabendo que milhões de mulheres passam por isso todos os dias. Estar grávida é sensacional! E depois de tudo isso dito, é ter uma certeza: estar grávida é algo que você nunca vai conseguir explicar.