A saga das papinhas

Começamos as papinhas do João Otávio dia 12 de setembro, com cinco meses e 1 dia de vida. Isto porque como ele estava tomando mais mamadeira do que LM (leite materno), a pediatra disse que era necessário entrar com frutas e verduras para garantir uma nutrição mais completa.

Eu estava ansiosa. MUITO ansiosa. Desde que engravidei, a questão da alimentação sempre foi muito importante pra mim. Se você acompanha o blog, já leu isso um milhão de vezes. Mas se você não acompanha, precisa saber: por eu ter sido obesa, tenho uma grande tendência a engordar e tive uma educação alimentar repreendível, aos vinte e quatro anos fiz redução do estômago e por isso tenho uma grande preocupação com a alimentação do meu filho. Todo mundo já ouviu falar em re-educação alimentar. Eventualmente precisamos fazer uma. Isso porque aprendemos a comer errado desde criança. Aí quando adultos, muitas vezes com a saúde em estado caótico precisamos aprender a comer de novo, coisa que é muito difícil de se fazer, porque exige mudanças de hábito. Partindo desse princípio, acredito que se educarmos bebês e crianças a se alimentar corretamente, vamos facilitar a vida deles enormemente. Mas isso exige esforço, paciência e determinação.

Pois bem. Voltando: eu estava muito ansiosa para a introdução das papinhas. Criei uma enorme expectativa, planejei como seria o primeiro dia de comida da vidinha dele. E como todo mundo sabe, expectativa quase sempre vem acompanhada de frustração. O primeiro dia não foi nem de longe como eu sonhava. A primeira fruta foi mamão e ele odiou, e eu nem julgo porque também detesto mamão. Apesar disso, fazia caras e bocas de “humm, que delícia!”, provei o mamão (eca!) e nada. Ele estranhou, cospiu tudo, chorou, fez cara de nojo. Um horror! Eu havia seguido a instrução da pediatra, que era não bater nenhum fruta, apenas amassar bem. Foi péssimo, mas com muita insistência ele comeu um pouco, quase nada.

papinha

No almoço, de novo segui a instrução: apenas uma verdura por vez pelo menos nos primeiros dias. Fiz um purezinho de cenoura, pouquinho sal, água e (pelo que me lembro) foi só. Odiou, detestou, esperneou, trancou a boca e nada! A essa altura, lembramos que o Fernando havia comprado uma dessas papinhas prontas da Nestlé, para uma emergência, e acabamos oferecendo. Ele comeu tudo e eu morri por dentro. Não era nem de longe o que eu pretendia, fazia questão de não oferecer comida pronta, queria eu mesma cozinhar todo o alimento dele.

Aí na parte da tarde, recebi uma visita que veio como um anjo. Ela tem dois filhos e me disse o seguinte: minha filha até os dois anos, só comia o que eu batia no liquidificador. Não é o melhor, mas era o jeito. No lanche da tarde, fiz uma banana bem amassadinha e coloquei um pouquinho do leite que ele já tomava. Também deu certo, mas não muito.

Por fim, às oito da noite eu estava morta de cansada, tinha chorado nas três refeições dele. Precisei de muita paciência, dedicação, e esforço. Fiquei frustrada, cansada, chateada. Não foi como eu imaginava, mas meio que foi. Graças a Deus, no segundo dia foi um pouco melhor, e a partir do terceiro optei por bater tudo no liquidificador. De novo: não é a melhor opção, mas fico pensando: ele não tem nenhum dente, se engasga e poxa! não preciso ser tão radical, posso ir ensinando aos pouco as diferentes texturas dos alimentos.

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Para minha alegria, tranquilidade e total orgulho, continuo ainda fazendo toda a comida dele e ele adora, come super bem! E como sou dessas mães bem chatas, não gosto que mais ninguém faça!

Eu que já encarei um bocado de desafios na vida, que fiz um tanto de coisas consideradas dificeis continuo achando que o primeiro dia de papinha do João Otávio foi o dia mais difícil da minha vida! Mas como tudo nessa brincadeira que é a maternidade, vale a pena o empenho e o cansaço.

Alimentação

Cuidar da alimentação durante a gravidez é, a meu ver, um dos pontos mais importantes do período.

Precisamos considerar que todo o alimento e nutriente de que nosso bebê precisa provém unicamente do que comemos, e ser negligente com isso pode comprometer o desenvolvimento da criança durante toda a vida.

Levando isso em conta, procurei uma nutricionista assim que soube que estou grávida. Na verdade, procurei a mesma que me acompanhou no período pós-redução de estômago. Já conhecia e gostava do trabalho dela, além de ela já conhecer meu histórico. Penso que toda mulher deveria fazer o mesmo, em especial as que passaram por uma intervenção cirúrgica como eu. Minha preocupação desde o início era garantir um crescimento saudável, sem qualquer risco de subnutrição, por exemplo.

Confesso que não tenho mais seguido à risca a dieta que me foi passada. Mas abri mão do meu café preto: tinha o hábito de tomar café sem leite desde criança, pelo menos duas vezes ao dia. Adotei então o leite e reduzi para uma dose diária, pela manhã. Troquei o adoçante. Fui acostumada desde criança a não usar açúcar no café, e tenho pavor dessa combinação. Mas como o adoçante pode ser muito prejudicial ao bebê, mudei para sucralose, que é derivado da cana-de-açúcar e não entra na corrente sanguinea. É o único permitido para grávidas, e hoje tenho certeza de que foi uma boa troca.

Outra coisa que mudei foi o consumo de frutas. Nunca tive problemas para comer verduras, mas sempre fui chatinha para frutas, seja por preguiça ou por sempre querer algo mais saboroso. Mas passei a consumi-las diariamente e hoje em dia sinto até falta delas no cardápio.

Frutas diariamente

Passei a consumir mais produtos derivados de leite, como iogurte, coisa que pra mim sempre teve um gosto horroroso. Troquei a mussarela por queijo branco. E de vez em quando, faço um esforço e como granola, coisa que também não me agrada nem um pouco, mas é necessário.

Iogurte, leite, queijo

Depois da cirurgia, criei uma certa resistência a carne vermelha, mas passei a me obrigar a comer pelo menos 3 vezes na semana, por conta de uma anemia que já tinha antes de engravidar.

Basicamente, essas foram minhas mudanças mais significativas, embora tenha deixado de lado algumas coisas que gosto, como sushi. Há controvérsias sobre o consumo de comida japonesa na gravidez, e honestamente minha médica não pediu pra deixar de comer, apenas reduzir. Eu, por conta, tenho evitado qualquer contato, porque sei que a tendência a querer sempre mais é grande.

Apesar de tudo, minha alimentação continua bem tranquila, e admito, não deixo de comer as coisas que tenho vontade, tipo farinha láctea e leite ninho – duas coisas que fazia tempos que eu não comia, mas passei a desejar absurdamente. E chocotonne, que antes eu nem gostava.

Com tudo isso e mesmo com minhas escapulidas, o saldo na balança está de fazer orgulho até para uber model: 2 kg e 900 g em cinco meses de gestação! Minha meta é engordar até 11 kg no total, então tô indo super bem até agora!

Não tenho dúvidas que o fato de ter o estômago reduzido tem me ajudado muito, afinal em alguns períodos, a fome é quase insuportável. Mas ter consciência do que se come é dever de todas nós. O que não pode é cair na besteira de acreditar que precisamos comer “por dois”. Na verdade, a necessidade extra de calorias para uma mulher grávida é bem pequena e deve ser supriao por alimentos mais saudáveis, ricos em fibras e que sejam fonte de cálcio e ferro, por exemplo. Às vezes, é chato, porque a gente realmente quer comer mesmo, e quer comer bem. Mas não custa abrir mão. Esse tipo de cuidado, pode não parecer, mas também é uma prova de amor para nossos babies.