Parto Normal ou Cesárea?

Desde o dia que soube da minha gravidez, a dúvida sobre que tipo de parto vou ter me corrói. E essa é uma pergunta que nós, grávidas, nos  fazemos o tempo todo. E perguntamos para outras mulheres, na esperança de que, alguém nos aponte uma luz sobre qual a melhor possibilidade.  Já escrevi isso no blog: a menos que a gente decida marcar a cesárea com antecedência, não temos a menor ideia da maneira como nossos filhos chegarão ao mundo. Mas, qualquer que seja nossa opção, morremos de medo.

Eu optei por tentar parto normal. Claro, não estou fechada a ideia de realizar uma cesárea, na impossibilidade de concretizar minha vontade. Mas estou disposta a tentar. Há quem me apoie, há quem me chame de louca. Eu tenho praticado a ideia de descartar as opiniões que não me agregam e considerar apenas as histórias de partos bem sucedidos.

Em meio à dúvida da escolha, três histórias cruzaram meu caminho e foram fundamentais para a minha decisão. Três pessoas que me influenciam positivamente e incentivam. Lógico que tenho ciência de que cada mulher é uma mulher, cada parto é um parto, mas convicta como sou do poder do pensamento, tenho treinado minha mente e corpo para não precisar de uma interferência cirúrgica no momento do nascimento do João Otávio.

 

partonormal

Muitos são os motivos que me levaram a esta opção. Mas dois deles são os mais relevantes. Primeiro porque, eu tendo já passado por outras experiências pós-cirúrgicas, sei o quanto sou chata e frágil nesse momento. Sendo assim, prefiro encarar algumas – Deus queira que não muitas! – horas de dor a passar dias com pontos na barriga, e tudo o que vem junto. E o outro motivo é que tenho verdadeiro horror à agulha de anestesia (a qual eu já tive o desprazer de experimentar e me causa calafrios até hoje).

Pra ser bem honesta, com a aproximação do meu prazo – ok! Faltam dois meses mais ou meses, mas dois meses não são nada – não paro de pensar nisso. Há quem diga que é rápido e não dói tanto quanto dizem. Há quem diga que a dor é terrível. Há quem tenha esquecido a intensidade da dor. Mas, de novo, a única certeza é que, como qualquer mãe de primeira viagem que se preze, eu morro de medo. Por mais tranquila e serena que eu me mantenha até o dia do nascimento tudo é novo, tudo será inesperado e não tenho sequer como prever a chegada do meu baby. Minha alternativa, por enquanto, é cuidar da respiração, treinar o corpo e confiar na minha decisão. E o resto… bom, o resto seja o que Deus quiser!

Coisas que você não deve dizer para uma mulher grávida

Como eu sempre falo aqui, estar grávida é uma delícia. Costumo até brincar que se eu soubesse que era tão legal, teria engravidado antes. Mas, infelizmente, como em tudo na vida, passamos por algumas situações constrangedoras – ou nem tão constrangedoras, mas que simplesmente enchem o saco. Algumas pessoas não têm a menor ideia do que seja bom senso e extrapolam nos comentários que fazem. Por causa disso, listei algumas coisinhas que você pode deixar passar batido e nunca comentar com uma mulher grávida.

 

1-      “Nossa! Como sua barriga cresceu! ”(principalmente se for em tom de muita surpresa.) – pois é, minha gente! Tenho uma novidade: barriga de mulher grávida cresce. Aliás, TEM que crescer. Estranho seria, inclusive, se não crescesse. Nós sabemos, vemos esse crescimento acontecer diariamente. Acontece que esse tom de espanto, às vezes, nos deixa em um situação quase constrangedora demais. Nem todos os dias, acordamos nos sentindo mulheres lindas e maravilhosas com nossas formas arredondadas, e apesar de AMAR nosso bebê e AMAR saber que ele está se desenvolvendo bem, mostrar grande susto porque nossa barriga cresceu de uma semana pra outra, pode fazer nossa autoestima parar no pé. Sim, eu sei que a intenção é agradar, e não tem jeito, as pessoas vão fazer esse comentário até o dia do nascimento, mas por favor, seja discreto.

2-      “Parto normal? Você é louca!” – na minha última consulta de pré-natal, perguntei pra minha médica quando eu devo decidir que tipo de parto eu quero. A resposta dela foi mais ou menos a seguinte: ”a menos que você marque uma cesárea com antecedência, não tem muito como prever o que vai acontecer no momento exato do nascimento”. Acontece que a grande parte de nós já tem uma ideia do tipo que parto que quer, é uma decisão nossa querer tentar parto normal ou não, e esse tipo decisão, se é que diz respeito a alguém, é só ao pai de criança, que provavelmente vai acompanhar tudo de perto. Só que mesmo que essa seja nossa decisão, nós já morremos de medo, afinal existem histórias assombrosas sobre o assunto. Faça a gentileza de não nos deixar ainda mais apavoradas, e não comente nada caso seu parto normal tenha sido traumático, a não ser que 1- a gente pergunte 2- seja com uma mulher com 3 filhos pequenos, laqueadura e casada com um homem com vasectomia 3 – seja com uma mulher que nem pensa em engravidar nos próximos tempos, e menos ainda pensa no parto. Esses dias, escutei uma história cabulosa, durante a história falei 3 vezes que estava passando mal já, e a pessoa continuou falando o terror que foi o nascimento da filha. Fiquei apavorada. Gente, sério! Como disse antes, nós já temos medo, não precisa contribuir ainda mais pra isso, ok? Obrigada.

3-      “Cesárea? Você é louca!” – pois é, segue o mesmo raciocínio lógico do tópico anterior. Não temos a menor ideia de como nossos bebês vão nascer, mas ficamos assustadas e ansiosas só de pensar no assunto. Por favor, seja delicada e só toque no assunto se sua experiência tenha sido de conto de fadas. Não precisamos saber de pós-cirúrgico que deu errado nem de erro médico durante a cirurgia, nem o quanto a anestesia dói e é dada numa posição desconfortável, enfim. Deixe que, caso tenhamos curiosidade, pesquisamos o tema ou perguntamos.

4-      “Bom mesmo é quando estão na barriga, porque depois que nascem dão muito trabalho”- juro que escutei isso de uma pessoa. Fiquei completamente sem resposta. É de se imaginar que filho dá trabalho. Mas se não fosse bom, a humanidade estaria em extinção. Não é possível que tanta gente diga que a maternidade é uma coisa maravilhosa, se não fosse verdade, não é mesmo? Na maior parte do tempo, nós não temos a menor noção se seremos boas mães, se nossos filhos serão crianças saudáveis e bem educadas, ou verdadeiros pestinhas. Mas – de novo – não nos assuste! Já temos razões suficientes para entrar em parafuso a qualquer momento.

5-      “Dois filhos, um atrás do outro? Espera nascer pra você ver”- pois é, de novo vou seguir a ideia do tópico anterior. Meu povo, eu queria ter gêmeos, e infelizmente não foi dessa vez. Se eu tenho o sonho de ter dois filhos mais ou menos com a mesma idade, please, não tentem me apavorar e comprometer minha vontade. O corpo é meu, quem vai perder (ou ganhar, depende do ponto de vista) anos e passar trabalho sou eu. Deixem que eu mesma conclua que é melhor esperar um pouco mais antes de ter o segundo filho.

6-      “Não coma … (inclua aqui qualquer alimento) que faz mal”- existem muitos mitos e verdades a respeito dos alimentos que podemos ou não consumir. Esse comentário, pra mim, é um dos piores. Fomos devidamente instruídas desde o início do pré-natal quais alimentos fazem realmente mal pro bebê. E olha, não existe consenso nem entre os médicos, mas cada mulher segue a orientação do próprio médico. Só que comentários desse tipo, traumatizam. Um exemplo: existe toda uma história sobre o café durante a gestação. Eu fui orientada pela médica e nutricionista que posso consumir até duas xícaras de café por dia. Imagina o quão desagradável é quando vou tomar café e alguém pergunta se eu posso tomar! Se eu não pudesse, não tomaria. Outro exemplo: um dia me falaram que linhaça faz mal pra grávidas. Pesquisei sobre, perguntei para médica e para a nutricionista e nenhuma das duas apontou qualquer razão para isso ser verdade. Mas até hoje, tenho receio da tal da linhaça, porque vai que faz mal e acontece alguma coisa com meu bebê e a culpa é minha porque comi linhaça. Chato né? Como eu disse, fomos orientadas já pelo médico durante o pré-natal, então talvez seja uma boa ideia guardar suas super dicas para quem pergunta.

7-      “E aí? Enjoa muito?” – gente, existem outros sintomas da gravidez, e honestamente, enjoos não me parecem relevantes em meio ao turbilhão de coisas que acontece conosco.

 

Eu sei que, a maioria desses comentários – e muitos outros que não quis mencionar para não ser (mais) indelicada – são feitos por total inocência. Então me perdoem o desabafo. Acontece que de vez em quando são impertinentes e bastante incômodos, principalmente com os hormônios a flor da pele e um estado de intolerância de matar qualquer um. Mas, sinceramente, inconveniência tem limite, então principalmente quando se trata de coisas que nos apavoram, tenha cuidado.

Ao invés de dizer que nossa barriga cresceu, diga o quanto estamos lindas. E que nossa decisão sobre o parto foi a melhor de todas, essas coisas. Não custa nada, né. Afinal, nós também amamos quando o mimo é no sentido de nos deixarmos completamente tranquilas e relaxadas nessa fase conturbada pela qual estamos passando.