O último dia

Funciona mais ou menos assim: você acorda um dia sentindo que alguma coisa está acontecendo de diferente com você. Suspeita que pode ser gravidez, faz o exame e tem a confirmação. Se emociona, se assusta e começa a sonhar com  dia do nascimento. Vai ao médico, faz ultrassom e ele passa uma data provável de nascimento, que naquele momento parece ser dali a alguns anos-luz. Aí um dia, nove meses – ou 40 semanas – depois acorda e tcharam: já é aquele dia tão aguardado. Gravidez é tudo o que acontece nesse meio tempo.

Fazendo um breve resumo de tudo, é assim que me sinto. Estou a alguns dias sem escrever aqui, porque optamos por nos preservar nesse momento, então preciso atualizar quem me acompanha pelo blog. Como eu já havia dito, queria tentar parto normal, e ficamos esperando por isso. Nas últimas semanas, tenho sentido bastantes dores e mais desconfortos do que o normal. Se me perguntar, fica até difícil dizer onde dói, porque tudo incomoda. Apesar disso, o João Otávio não dá sinais de querer nascer e por causa disso marcamos cesárea.

Essa não era nossa primeira opção, mas também nunca foi descartada por completo. Acontece que nos últimos dias, eu e Fernando – e toda a família, pra falar a verdade – estamos morrendo de ansiedade, e antes que um de nós tenha um ataque cardíaco ou qualquer coisa parecida, decidimos marcar o parto. Então está marcado para hoje à noite.

Confesso que, por um lado, fico mais tranquila pela certeza de conseguir deixar todas as questões práticas resolvidas previamente, já que a possibilidade do contrário estava me deixando ainda mais ansiosa. Por outro lado, meu coração aperta por pensar que talvez pudéssemos esperar um pouco mais, embora a gente precise que ele nasça.

O último dia é assim: cheio de expectativa, ansiedade, alegria, um pouco de medo – afinal nunca fui adepta a cirurgias. Com a cabeça a mil, não consegui dormir essa noite, assim como não dormia em todas as últimas noites do mês. Ainda que eu tenha plena convicção de que gravidez é mesmo um momento único e mágico (já to até com um pouco de saudade), estou aliviada por saber que em breve meu corpo e meus hábitos voltarão a algo mais parecido com o meu normal.

Deu pra ver a confusão né: alívio, expectativa, saudade, tristezinha, uma irritação profunda por causa da ansiedade, coração apertado, alegria, tudo junto e misturado! Mas de tudo, o que sobressai é a felicidade imensa por saber que nosso bebezinho em breve – Meu Deus, falta muito pouco! – estará nos meus braços e vou poder conhecer seu rostinho, segurar sua mãozinha e começar a morrer de amor por ele. Já fico emocionada só de pensar!

Hoje recebi algumas mensagens e telefonemas desejando um monte de coisas boas pra gente. Fico muito feliz e agradecida pelo carinho de todos. Embora, como eu disse antes, quiséssemos nos manter mais quietinhos agora, acho que devia a quem acompanhou toda a minha gestação mesmo que a distância, que soubessem que hoje é o grande dia. De coração, muito obrigada pelas boas vibrações e energia positiva que nos mandam. Assim que der, eu volto contando sobre a nova etapa em nossa vida. Vida, que aliás, começa de novo a partir dessa noite.

 

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Parto Normal ou Cesárea?

Desde o dia que soube da minha gravidez, a dúvida sobre que tipo de parto vou ter me corrói. E essa é uma pergunta que nós, grávidas, nos  fazemos o tempo todo. E perguntamos para outras mulheres, na esperança de que, alguém nos aponte uma luz sobre qual a melhor possibilidade.  Já escrevi isso no blog: a menos que a gente decida marcar a cesárea com antecedência, não temos a menor ideia da maneira como nossos filhos chegarão ao mundo. Mas, qualquer que seja nossa opção, morremos de medo.

Eu optei por tentar parto normal. Claro, não estou fechada a ideia de realizar uma cesárea, na impossibilidade de concretizar minha vontade. Mas estou disposta a tentar. Há quem me apoie, há quem me chame de louca. Eu tenho praticado a ideia de descartar as opiniões que não me agregam e considerar apenas as histórias de partos bem sucedidos.

Em meio à dúvida da escolha, três histórias cruzaram meu caminho e foram fundamentais para a minha decisão. Três pessoas que me influenciam positivamente e incentivam. Lógico que tenho ciência de que cada mulher é uma mulher, cada parto é um parto, mas convicta como sou do poder do pensamento, tenho treinado minha mente e corpo para não precisar de uma interferência cirúrgica no momento do nascimento do João Otávio.

 

partonormal

Muitos são os motivos que me levaram a esta opção. Mas dois deles são os mais relevantes. Primeiro porque, eu tendo já passado por outras experiências pós-cirúrgicas, sei o quanto sou chata e frágil nesse momento. Sendo assim, prefiro encarar algumas – Deus queira que não muitas! – horas de dor a passar dias com pontos na barriga, e tudo o que vem junto. E o outro motivo é que tenho verdadeiro horror à agulha de anestesia (a qual eu já tive o desprazer de experimentar e me causa calafrios até hoje).

Pra ser bem honesta, com a aproximação do meu prazo – ok! Faltam dois meses mais ou meses, mas dois meses não são nada – não paro de pensar nisso. Há quem diga que é rápido e não dói tanto quanto dizem. Há quem diga que a dor é terrível. Há quem tenha esquecido a intensidade da dor. Mas, de novo, a única certeza é que, como qualquer mãe de primeira viagem que se preze, eu morro de medo. Por mais tranquila e serena que eu me mantenha até o dia do nascimento tudo é novo, tudo será inesperado e não tenho sequer como prever a chegada do meu baby. Minha alternativa, por enquanto, é cuidar da respiração, treinar o corpo e confiar na minha decisão. E o resto… bom, o resto seja o que Deus quiser!