Coisas que ninguém me contou

Ninguém me contou que quando meu filho nascesse, eu sentiria dores nos braços e costas e nao me importaria de segurá-lo só mais um minutinho, pelo simples prazer de olhar a carinha dele.
Ninguém me contou que aquele cochilinho pós mamada nas madrugadas seria o momento de maior amor e intimidade da minha vida.
Ninguém me contou que o cocô do meu filho ou a falta dele seriam minha maior preocupação durante dias e me renderiam tantas conversas.
Não me contaram que as fofocas da balada e dos peguetes das minhas amigas perderiam espaço totalmente para conversas sobre cólicas, chupetas, fraldas e amamentação.
Não disseram que eu amaria passar horas conversando com alguém que ainda nao sabe falar.
Não me disseram que duas horas longe do meu filho seriam uma eternidade e que eu morreria de saudade.
Ninguém disse que, depois de ter sonhado em conhecer o mundo e ter viajado para algumas das maiores cidades do mundo, meu universo ficaria completo num quartinho de paredes verdes.
Ninguém me disse que uma chupeta e uma mamadeira mudariam e salvariam minha vida.
Ninguém me disse que eu me tornaria neurótica com roupinhas sujas.
Ninguém disse que eu nem perceberia um vômito na minha blusa quando meu filho estivesse com dor.
Ninguém me disse que eu passaria todos os dias por intensos testes cardíacos e nem que ficaria sem ar de tanto amor.
Ou talvez alguém tenha dito, mas eu não acreditava que era verdade.

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A segunda decisão difícil: escolher os padrinhos

Depois de decidir o nome do bebê, tivemos outra decisão difícil a fazer: quem serão os padrinhos do João Otávio? Quem, entre tantos amigos queridos, vai carregar a difícil tarefa de ajudar na educação e amar nosso pequeno quase tanto como se fosse a gente?

Tinha claro pra mim duas coisas: não queria tios, afinal tio é tio. E queria que fosse um amigo meu e outro do Fernando (padrinho amigo dele, madrinha amiga minha, ou vice-versa). Mas essa é uma conta difícil de se fazer, afinal pode acontecer de ele ter um grande amigo que eu não goste ou o contrário. Mas, decidir o padrinho foi simples: tinha que ser o Bruno.

O Bruno era o amigo do Fernando que estava com ele quando nos conhecemos, que acompanhou todo o início do nosso relacionamento, as primeiras brigas – e algumas outras também. Foi a pessoa que muitas vezes nos ajudou nas reconciliações e que acompanhou de perto nosso início do namoro. Antes da gravidez, já sabíamos que seria ele. Mas e a madrinha?

A madrinha foi difícil. Não que eu eu não tenha amigas queridas: pelo contrário, tenho muitas. Mas entre todas precisava decidir entre as melhores, mais leais, fiéis, companheiras e que eu sei que serão pra sempre. Por eliminação, sobraram poucas.

Dessas, quem eu confiaria a educação do meu filho plenamente, tanto pelos valores, que são parecidos com os meus e do Fernando, quanto pelo jeito de lidar com crianças? Aí sobraram duas! E aí que o negócio ficou mesmo difícil!

Minhas duas melhores amigas, que eu amo igualmente, com quem eu tenho um milhão de histórias e eu sei que assim serão até a velhice. Como escolher?

Aí pesaram os detalhes: os cuidados comigo e com o joão Otávio, o interesse em saber como estamos dia-a-dia, a atenção. A decisão veio com uma frase simples. Acontece que eu tive dois sangramentos durante o início da gravidez. No segundo deles, eu contei pra Mari. A resposta dela foi a seguinte: amiga, sossega aí, coloca essas pernas pra cima, cuida do João otávio, que eu tô indo pra tua casa!

Pronto! Minha decisão estava tomada. Ao longo das duas semanas que fiquei em casa, a Mari veio me visitar quase todos os dias, para que eu não ficasse sozinha. Então eu soube que ela faria qualquer coisa para cuidar do nosso Jota. Só podia ser ela!

Ufa! Decisão tomada, a hora do convite é sempre uma emoção, não há como negar. Atualmente, a Mari não mora no Brasil, mas tem estado mais presente do que muita gente que vive por aqui. Sabemos que, apesar da distância, o João Otávio estará sempre em boas mãos, bem cuidado e bem educado pela dinda Mari, afinal a madrinha do Jota é um amor, mas sabe muito bem como lidar com as crianças.

Antes de engravidar

Antes de engravidar eu sabia tudo sobre gravidez.

Antes de engravidar, eu criticava mulheres grávidas que se sentiam indispostas.

Antes de engravidar, eu jamais cederia aos desejos de grávida, afinal não existe nada que comprove de onde vem e pra onde vão os famosos desejos.

Antes de engravidar, eu teria uma filha bailarina e um filho sucesso em todos os esportes, além de ambos serem bilíngues.

Antes de engravidar, eu teria – com certeza absoluta – um casal de gêmeos.

Antes de engravidar, eu sabia que engordaria exatamente o recomendado pelos médicos, de modo que só minha barriga cresceria e ficaria bem empinadinha.

Antes de engravidar, eu manteria minha vida social exatamente como sempre foi, inclusive  de vez em quando iria pra balada.

Antes de engravidar, eu usaria salto alto até o dia de ir pra maternidade.

Antes de engravidar, eu tinha plena convicção de que meus filhos nasceriam de parto humanizado em casa.

Antes de engravidar, eu sabia que não faz diferença se a criança está crescendo numa casa ou num apartamento.

Antes de engravidar, eu sabia que engravidaria em fevereiro, de modo a ter filhos sagitarianos e não atravessaria o verão estando grávida.

Antes de engravidar, eu tinha certeza sobre nomes e quem seriam os padrinhos dos bebês.

Antes de engravidar, eu seria uma excelente mãe, sem a menor dúvida sobre como educar filhos e completamente incriticável.

Antes de engravidar, eu considerava que o pai precisava participar muito pouco da vida da mulher grávida.

Antes de engravidar, as coisas seriam todas do meu jeito e sairiam sempre exatamente como u planejei.

Antes de engravidar, eu não tinha a menor ideia das besteiras que eu dizia.

Meus dias com João Otávio (na barriga)

Escrevi esse texto a pedido da Rejane, do Cheirinho de mãe. Ela tá preparando uma série super bacanas sobre a gestação, vista sob ângulos de diferentes mulheres grávidas. Eu adorei a ideia, super topei participar e compartilho meu texto aqui também.

 

 

 

Essa semana completo 18 semanas de gravidez, e hoje completo 13 semanas que descobri que estou grávida. treze semanas de muito altos e baixos, de expectativa, ansiedade, energia boa e muitas coisas maravilhosas.

Não foi tão simples me acostumar com a ideia de esperar um filho. Na verdade, de vez em quando tenho pequenos momentos de epifania em que me ocorrem novamente que estou grávida. E o sentimento é o mesmo de quando vi o resultado de gravidez – “Cara, eu tô grávida! Que loucura!” – e me emociono sempre e sempre.

Nessas 13 semanas, mudei minha alimentação, abandonei meu cafezinho preto com adoçante de todos os dias – tudo bem, nem foi tão difícil, já que o cheiro começou a me incomodar – e minha cervejinha do fim de semana. Eu que sempre fui preguiçosa para comer frutas, as coloquei no cardápio, coisa que me deixou realmente satisfeita.

Também tive dois pequenos sustinhos, que me obrigaram a pegar leva e evitar esforço físico por um pouco mais que duas semana. E por causa disso, ainda não iniciei minha tão planejada hidroginástica.

E senti um cansaço absurdo – coisa que já falei no meu blog! Um cansaço fora do comum. E minha barriga começou a crescer, mudando minha forma.

Tirando as coisinhas chatas, passei a viver as semanas mais mágicas da minha vida. Ter um bebêzinho se desenvolvendo na barriga, não canso de dizer, é um milagre, e pensar nisso quase sempre me dá vontade de chorar. Às vezes, fico tentando imaginar a carinha dele, o cheirinho de bebê (e vômito de bebê, e cocô de bebê!), e fico com cara de boba. João Otávio já ocupa a maior parte do meu coração e da minha vida, mesmo que eu ainda nem saiba com quem ele se parece.

Em alguns momentos também me pego pensando como será a educação dele. Será que vou ser uma boa mãe? E isso me atormenta completamente.

Em meio a todas as dúvidas e preocupações, vi um pai nascer ao meu lado – bom, quando nasce um filho, também nascem um pai e uma mãe, não é mesmo? – e estou cada vez mais apaixonada por ele.

Meus dias esperando nosso Jotinha têm sido, em geral animados. Se não são animados pelos eventos que pouco acontecem, são pelo turbilhão de pensamentos e hormônios que me dominam. Apesar de sempre falar da parte incômoda da gestação, estar grávida é uma delícia e me assusto como está passando rápido! Eu tô amando e tô feliz, muito feliz!

A primeira tarefa árdua

Escolher nome: eis a primeira tarefa árdua de todo casal que espera um bebê.

Sempre tive duas convicções quanto aos nomes dos meus filhos: 1- seriam nomes fáceis, para nunca precisarem repetir ou soletrar o próprio nome (passo por isso constantemente e é um saco.) 2- seriam nomes compostos. Mas, como quase todas as coisas da minha gravidez, minha teoria caiu por terra depois que vi o resultado positivo do meu exame.

Eu e o Fernando sempre brincamos de escolher nomes de filhos, e um pouco antes de saber que estamos grávidos, havíamos decidido que o nome do nosso primeiro filho, se fosse menino, seria João Otávio: nome lindo, composto, forte e que nós dois amamos. Mas quando saí do ultrassom com a confirmação do sexo, uma dúvida me atormentou: e aí? Qual será o nome do nosso homenzinho?

Até fizemos uma enquete de brincadeira no Facebook pra escolher um nome, mas aí começaram a aparecer nomes absurdos e ridículos e descartamos as opiniões alheias. Mas a dúvida realmente me incomodou por uns dois dias, enquanto o Fernando tinha pressa em decidir. Mas não dá pra decidir o nome assim, às pressas.

O nome carrega em si uma carga energética e de personalidade para o resto da vida. Já ouvi dizer até que cada um escolhe o próprio nome antes do nascimento e “sopra” nos ouvidos dos pais para que estes atribuam o nome escolhido. Eu acredito nisso. Aliás, acredito que tudo seja possível. Mas como não tenho a audição muito boa, fiquei confusa quanto aos nomes. Adotei uma técnica que era a seguinte: eu me imaginava chamando meu bebê pelos nomes analisados. Por fim, decidi pelo que eu conseguia “visualizar” melhor.

O escolhido entre Pedro, Henrique e João Otávio foi justo aquele que já queríamos antes: acho que talvez nosso anjinho já estivesse dizendo qual nome queria, antes mesmo de sabermos de sua chegada. Mas como toda mãe de primeira viagem que sou, cheia de preocupações, comecei a imaginar as possibilidades de apelidos e de um possível bulling com meu filho. Afinal, Otávio para virar otário é fácil, fácil. Ou então ao invés de ser chamado de João Otávio, vim um João Nono – que aliás não seria de todo esquisito, já que a origem do nome Otávio é justamente de “Oitavo Filho” – mas ainda assim, não é bonito. Mas aí me dei conta que, infelizmente, tem coisas que eu não vou poder prever e evitar na vida do meu filho (ai que dor no coração pensar nisso!  Quem não quer privar seu filho de qualquer sofrimento?).

 

Pra mim, decidir o nome foi o passo maior e mais difícil desde o começo, afinal é o nome que vai acompanhá-lo pelo resto da vida, sem previsão de mudanças: nossa! quanta responsabilidade fazer uma decisão tão grande por outra pessoa, né? Talvez devêssemos ser chamados de B1 ou B2 até os 18 anos, e aí então nós mesmos escolheríamos nosso nome. Não seria incrível? Mas as coisas não funcionam assim, então cabe aos pais essa incumbência.

Penso que o nome, além de soar bonito, precisa ter um significado bacana. Mas às vezes o significado é lindo e o nome horroroso, ou vice-versa. Sem mencionar os nomes lindos, mas que lembram gente chata, trapaceira, briguenta ou qualquer coisa que não desejamos que nosso filho seja. Ee joguinho de quebra-cabeça difícil, viu?

Tudo bem, devaneios a parte, nossa tarefa está cumprida. João Otávio agradou aos dois, e tem sido pronunciado tanto e com tanto amor que deve deixar o novo dono do pedaço bem satisfeito também.