Aniversário de 1 ano!!

Hoje o Blog está completando 1 ano!

um ano

 

Lembro-me bem do que escrevi no primeiro post: eu sabia, desde que engravidei, que acabaria fazendo um blog, porque precisava compartilhar muita coisa que fervia na minha cabeça.

Neste um ano, eu desabafei, compartilhei experiência, declarei meu amor e escrevi um monte de coisas que eu queria dizer e às vezes não conseguia.

Por causa do blog, tornei-me próxima de outras amigas grávidas e fiz algumas outras novas amizades! E, também por causa do blog, descobri que tem muita, mas MUITA gente mesmo que gosta de mim e que torce pela minha felicidade e da minha nova família!

A todos vocês, muito obrigada por acompanhar nossa trajetória, compartilhar experiência comigo, me consolar, dividir medos, angústias, sonhos e felicidade!

Que venha mais um ano do Blog!

Beijinhos, beijinhos, com sabor de bolo de festa de criança!

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O dia mais emocionante da minha vida

Sempre achei que o dia mais feliz da minha vida seria o dia que me descobrisse grávida. Não foi. Aí achei que seria depois do primeiro chute, primeiras mexidinhas. Também não. E preciso admitir: tampouco foi o dia do nascimento do João Otávio. Nesse dia, eu estava tão ansiosa e nervosa que não tive espaço dentro de mim para acomodar muita alegria. E, com a ajuda da anestesia, fiquei um pouco aérea quando pude finalmente olhar seu rosto pelo primeira vez.
Na minha vida, já tive a possibilidade de fazer um monte de coisas que posso definir como momentos de muita emoção e até “pura adrenalina”. Saltei de paraquedas, fiz raffiting, era enlouquecida por montanhas russas e afins. Vi Paris do alto da Torre Eiffel e New York do Empire State. Tive o prazer de morar na maior cidade do país, bem no centro econômico e cultural, com a possibilidade de conhecer gente de quase todo tipo. Passei curtos 3 meses em Barcelona – ah, Barcelona! Por onde começar a falar? – Vi o Rio pela perspectiva do Cristo, e em Londres não me aventurei muito, mas não deixei de ter o coração batendo a mil.
Posso citar mais um monte de pequenos e grandes momentos de perder o fôlego. E nenhum desses foi o mais emocionante e inesquecível da minha vida. O dia mais emocionante acontece todo dia por aqui.
É quando meu filho acorda e abre aquele sorriso. – sabe aquele, em que eu tanto falo? – é, na verdade, o sorriso que dá sempre que me vê. E descobri recentemente emoção maior: são seus bracinhos me procurando para me abraçar e sua mãozinha desajeitada me fazendo um carinho no rosto, e seus beijos desajeitados, que mais parecem com um monte de lambida ou qualquer coisa assim.
Mais emocionante ainda é ver seu desenvolvimento, é perceber que ele conseguiu fazer hoje o que estava tentando há dias, é vê-lo maior depois das noites longas de sono. É ver a felicidade diante de uma música e desenho novos. É dormir com ele em meus braços, com o rosto grudado no meu e seus olhinhos de admiração pra mim. (Suspiros eternos nesses momentos!)
Por aqui também tem minutos de muita excitação e adrenalina: experimenta limpar cocô e vômito na noite mais fria do ano. Tem que ser bem rápido e o coração quase sai pela boca!
Hoje me perguntaram se já me adaptei a minha nova vida. Já! Ser mãe em tempo integral me proporciona situações muito diferentes do que eu imaginava. Meu lado mãe, hoje, é o predominante e é bastante inusitado viver assim. Mas eu gosto. Amo, na verdade! Amo ver meu filho crescer, amo seu sorriso, amo saber que sou responsável por ele e tudo que o cerca e amo saber que as coisas são feitas como eu planejei que seriam. Ser mãe é uma loucura. É cansativo, desgastaste e dá dor nas costas. Mas é uma aventura, e eu aposto, é a melhor de todas!

Guia prático sobre como cuidar de bebês ou Coisas que você só aprenderá com o tempo.

Seria muito bom se existisse uma enciclopédia sobre cuidar de bebês. Existem muitas obras sobre o assunto e realmente dá pra aprender muita coisa por lá, indico a leitura. Mas nenhum deles te dirá exatamente como cuidar do SEU filho.
Você pode fazer vinte cursos de gestantes, e não será suficiente. Somente a prática fará de você uma expert na sua cria, e na de mais ninguém.
Cuidar de neném, na verdade, não é difícil. Basicamente, você precisa mantê-los limpos, alimentados e agasalhados. Esse é o principio básico. O que os livros não contam e os cursos não ensinam é que muitas vezes seu bebê fará um cocô daqueles logo depois de trocar a fralda e fechar a roupa. Que, em outras vezes, vai ser tanto cocô que você vai achar melhor dar outro banho, mesmo sendo às onze da noite da madrugada mais fria do ano, porque simplesmente não dará conta de limpar tudo. Aliás, ninguém dirá que cocô de bebê se espalha pelas costas, rosto, mãos, cabeça – a dele e a sua também.
Especialistas não te dirão que, apesar de não existir “leite fraco”, em alguns momentos seu filho vai querer mamar a cada meia hora e vai continuar com fome. E que depois de tanto dar mamar, isso vai acabar com suas costas, sua postura, seus seios e seu bom humor.
Os livros não dizem que as trocas de fralda se tornarão malabarismos, porque afinal o bebê se mexe muito, quer pegar tudo e comer os pés. E nem que, apesar do trabalho dobrado, você vai achar muito engraçado.
Psicólogos e pedagogos dirão que o bebê tem que dormir no berço desde muito cedo, mas não serão claros sobre como isso exigirá de você um esforço extremo. E que aquele cochilinho de manhã cedo com o bebê encostado no seu peito será a parte mais gostosa do dia.
Dirão que às vezes é necessário deixar o bebê chorando, mas não que seus ouvidos e seu cansaço vão implorar para que ele simplesmente pare, não importa o que você precisa fazer pra isso.
Os livros, muitas vezes, não informam o quanto você precisará se tornar flexível no seu cotidiano, que nem tudo é cronometrado, que o intervalo de mamada a cada três horas pode durar uma hora e meia ou quatro horas. Que não existe oito ou oitenta, você precisa viver no equilíbrio, e precisa aprender a se adaptar e não se culpar porque as coisas não saíram como os outros disseram que seria.
Ninguém dirá que, mesmo tendo muitas informações sobre uma situação, algo em você gritará para fazer o contrário. Esse algo é aquele botão vermelho que ativa o Modo Mãe no instante que seu filho sai de dentro de você, e que vai apitar muitas vezes durante o dia. Se chama instinto. Aprenda a usá-lo e muitas vezes a obedecê-lo.
Se você procura um guia com todas as respostas sobre filhos, esqueça e conforme-se. E perdoe-me se causei desilusão. Livros e guias sobre bebês são ótimos e auxiliam muito nessa arte de criar filhos. Mas não dizem tudo. Aliás, não dizem um monte de pequenos detalhes que fazem o dia-a-dia acontecer. Tudo é descoberta e aprendizado. O convívio com o bebê te faz perceber que ele é um indivíduo com necessidades próprias, e que você terá que respeitar as particularidades dele. E esse tipo de coisa, você só aprende tentando, errando, fazendo de novo, observando, estando junto. E pasme: cansa e não é fácil, mas é a melhor parte de ser mãe. Acredite: nunca ninguém saberá cuidar melhor do seu filho do que você.

Semana mundial da amamentação: andando no caminho inverso

Ontem foi o Dia MUndial do Aleitamento materno e começou a Semana Mundial de Amamentação com diversas campanhas sobre o assunto. Como sempre, repete-se o antigo clichê que amamentar é um ato de amor. E quem amamenta ou já passou por isso, sabe que é mesmo. Como eu já disse aqui no blog, só porque a gente ama muito é que insiste no processo, que muitas vezes é bem doloroso, até dar certo. E muitas vezes não dá.
Quem prestar atenção nos programas de tv, vai escutar falar dos muitos benefícios do ato de amamentar e do leite materno, tanto para o bebê quanto para a mãe. Que é o melhor alimento para as crianças, fortalece o sistema imunológico, serve como a primeira vacina do bebê não há dúvidas. Para a mãe: ajuda a voltar ao peso normal, diminui os riscos de obesidade e diabetes para o resto da vida, diminui os riscos de gravidez durante o período e aumenta o vínculo com o filho. Se você já ouviu, leu, discutiu sobre o assunto, sabe que não citei nada de novo.
O que eu vim escrever, na verdade, anda na contramão das campanhas. Penso que sim, você deve amamentar e sim, precisa insistir um pouco até dar certo. Não conheço ninguém que disse que foi fácil e que não teve nenhum problema até conseguir amamentar tranqüilamente. Mas não deixe que esse momento se torne um martírio.
Se você acompanha o blog, sabe a que me refiro. Minha experiência foi traumática até achar um jeito que funciona pra mim. E acho que pode servir de exemplo. Só cheguei ao sucesso nesse quesito quando me livrei do peso, da responsabilidade e da culpa. Penso que se fala tanto da importância da amamentação exclusiva que muitas vezes, ficamos sem alternativas. E não é verdade.
Se você não conseguir, tudo bem, existem outras formas de alimentar seu bebê, você não será uma mãe pior por isso. Quando dá certo, amamentar pode ser sim muito prazeroso. Mas nenhuma campanha diz que vai doer muito, vai dar vontade de chorar, você vai querer desistir. Do jeito que se fala, parece que é tudo simples e que quem desiste é horrível como mãe. E isso também não é verdade.
Tudo no início da chegada de um filho é muito complicado, precisamos aprender a descomplicar. Amamentar, repito, não pode ser um sacrifício. Aposto que uma mamadeira dada com carinho é muito mais benéfica do que o leite materno dada em momentos de aflição. Não se permita traumatizar, não dê ouvidos às críticas – ninguém conhece sua realidade como você- não se martirize se quiser desistir. Demorei a aceitar que meu filho precisava de complemento e até hoje me pego me justificando por isso, tamanho foi o estresse e o trauma que passei. Fuja dos radicais, principalmente pediatras, que te imponham um caminho e te deixem sem opção. Mais uma vez, eu digo que vale a pena insistir. Quando dá certo, é um momento único e muito gostoso. Mas se não dá, acredite, não é o fim do mundo.

Ter filho dá trabalho

Se você não tem filhos, não aguenta ler algumas verdades ou não é capaz de entender um ponto de vista de outra pessoa, esse texto não é para você, então pare agora.

 

Ter um filho dá trabalho, muito trabalho. E afirmo isso em meio à uma experiência com um bebê que é muito bonzinho e que não incomoda. Apesar disso, dá um cansaço enorme.

Ser mãe é uma delícia, é recompensador e somos apaixonadas por nossos bebês, mas nem sempre é maravilhoso.

Para ser mãe, é preciso ter um desprendimento enorme, e aprender a abrir mão de um monte de coisas. Acontece que se você fala algumas verdades, as pessoas te julgam, porque é muito feio admitir certas coisas. Admitir, por exemplo, que de vez em quando dá vontade de fugir e por mais que você ame seu filho, você vai sentir vontade de ter um tempo só pra você. Admitir que você tem vontades que muitas vezes não incluem um bebê.

Meu dia começa cedo e não tem hora pra acabar. Preciso fazer tudo enquanto o João Otávio dorme, e tem dias que esse período é bem curto, aí não dá tempo de fazer nada. Eu não tenho folga e meu expediente não acaba às seis da tarde. E se ele quiser mamar, às três da manhã, eu tenho que estar lá, firme e forte, mesmo querendo morar embaixo das cobertas por causa do frio.

Dar banho nem sempre é super divertido, cansa e dá dor nas costas. Amamentar é aquela lenda, e apesar de passada a fase de terror, muitas vezes dói. Músicas de ninar são chatas pra caramba. A gente se sente muito sozinha em grande parte do tempo, e de vez em quando dá vontade de conversar com alguém que vai responder com palavras e não só com um sorriso – o sorriso mais lindo do mundo, a propósito.

Mesmo amando ficar com nosso bebê, também dá saudade de sair pra jantar – outro dia vou contar a primeira vez que saímos sem nosso baby – pra dançar, beber além da conta, não ter hora pra acordar, receber convites, tudo como era antes e que a gente sabe que nunca mais será. E sair sem morrer de saudade do pequeno, nem morrer de culpa por não passar a noite com ele. Tudo uma confusão de sentimentos.

Um bebê em casa enche a vida de alegria, mas também enche de preocupação e de coisas que você não curte fazer o tempo todo, tipo trocar fraldas e lavar mamadeiras. E também priva de coisas que a gente nem percebia que era tão importante, como tomar banho e lavar o cabelo, sem precisar sair correndo do chuveiro.

Toda mulher sonha, em algum momento da vida, em ter um filho e continuo dizendo que é a coisa mais linda do mundo. Sou apaixonada pelo meu neném e não consigo imaginar como seria minha vida sem ele – toc toc toc. Mas dá um trabalho danado. Se você tem alguém que te ajude a fazer as coisas todos os dias, você talvez não entenda o que eu estou falando. Se você só vê os filhos dos outros, por meia hora e de banho tomado e roupa bonita, você tem menos ideia ainda. Nem sempre essa aventura de ser mãe é maravilhosa, nem sempre é um paraíso. Vale a pena, nossa, e como vale! Basta um sorriso ou uma nova descoberta pra gente quase esquecer de tudo. Isso, claro, se você estiver de banho tomado e sem a dor no corpo de cansaço.

Coisas que ninguém me contou

Ninguém me contou que quando meu filho nascesse, eu sentiria dores nos braços e costas e nao me importaria de segurá-lo só mais um minutinho, pelo simples prazer de olhar a carinha dele.
Ninguém me contou que aquele cochilinho pós mamada nas madrugadas seria o momento de maior amor e intimidade da minha vida.
Ninguém me contou que o cocô do meu filho ou a falta dele seriam minha maior preocupação durante dias e me renderiam tantas conversas.
Não me contaram que as fofocas da balada e dos peguetes das minhas amigas perderiam espaço totalmente para conversas sobre cólicas, chupetas, fraldas e amamentação.
Não disseram que eu amaria passar horas conversando com alguém que ainda nao sabe falar.
Não me disseram que duas horas longe do meu filho seriam uma eternidade e que eu morreria de saudade.
Ninguém disse que, depois de ter sonhado em conhecer o mundo e ter viajado para algumas das maiores cidades do mundo, meu universo ficaria completo num quartinho de paredes verdes.
Ninguém me disse que uma chupeta e uma mamadeira mudariam e salvariam minha vida.
Ninguém me disse que eu me tornaria neurótica com roupinhas sujas.
Ninguém disse que eu nem perceberia um vômito na minha blusa quando meu filho estivesse com dor.
Ninguém me disse que eu passaria todos os dias por intensos testes cardíacos e nem que ficaria sem ar de tanto amor.
Ou talvez alguém tenha dito, mas eu não acreditava que era verdade.

Segunda Carta para João Otávio

Meu anjo João Otávio

 

Há quase dois meses eu penso que já deveria ter te escrito. Eu queria te desejar boas vindas e te dizer que a vida nem sempre é justa, mas será muito boa. E quero te dizer um monte de coisas, tantas que às vezes se confundem e se perdem na minha mente.

Eu te esperei desde o dia que soube que você havia sido concebido. Rezei imensamente para que você fosse uma criança saudável e tranquila. Sonhei com seu rosto e tentei imaginar com quem você se pareceria. Pois Deus me presenteou com um bebê melhor do que eu pedi.

A primeira vez que te vi, já te amei de um jeito absurdo. Na verdade, nem sei dizer se é amor. Acho que essa coisa que eu sinto é tão pura, tão forte, tão especial e diferente de tudo que deveria ter outro nome, porque a palavra amor não explica. Mas vamos chamar assim, de amor, por falta de um verbete melhor.

Mas confesso que amor não foi o sentimento mais forte. Eu senti uma necessidade gritante de te proteger e cuidar de ti. Todos os dias eu te olho e penso que você é tão pequeno, tão indefeso e precisa tanto de mim. Isso faz meu coração apertar. E justamente por isso, que desde que você nasceu eu sinto mais vontade de cuidar de mim, porque sei que não posso te faltar.

E você assim, na sua fragilidade me tornou uma pessoa mais forte e corajosa. Antes eu tinhas tantos medos, e agora só o que me aflige é te perder. Faz tão pouco tempo que você chegou e eu nem consigo imaginar o que seria da minha vida sem você.

Nesses quase dois meses eu aprendi a te conhecer, a ler tuas expressões, a diferenciar teu choro e é como se eu te conhecesse durante toda a minha vida. Eu sinto que tudo o que me trouxe até sua chegada aconteceu para que eu me preparasse para ser tua mãe. E essa sensação me torna uma mulher melhor.

Todos os dias quando você sorri, aquele sorriso tão cheio de verdade, tão sincero, faz meu coração derreter e me dá ânimo para mais um dia cheio de surpresas e, muitas vezes, de cansaço. Ah e quando você chora, meu amor, meu coração despedaça. Minha dor passou a ser a que você sente, e se eu pudesse, eu juro, sentiria doer em mim pra te poupar de qualquer sofrimento. É como se diariamente eu morresse um pouco: se não de amor, é de susto.

Ah meu pequeno, eu te amo tanto, tanto! Eu te olho e agradeço aos céus pela oportunidade de ser tua mãe. E eu vejo que do seu jeitinho, sem nem saber o que é isso que você sente, você também me ama. É como se você fosse uma extensão de mim, uma parte melhor do que eu sou. Quem me conheceu antes de você chegar talvez nem acredite que eu tenha deixado tantas coisas de lado pra te receber em minha vida. Você ocupa cada pedaço do meu coração e do meu tempo, mas é tão prazeroso acompanhar teu desenvolvimento que nada me faz falta.

Eu tento imaginar como você será, ao mesmo tempo que quero devorar cada segundo de sua vida de neném, para me lembrar de tudo no futuro. E penso que, talvez um dia, o mundo te fará sofrer ou alguém partirá teu coraçãozinho, e isso dói tanto, meu amor! Ah, como eu queria que você nunca sofresse. Eu quero que você seja tão feliz, e sinto que você já é! Você é tão abençoado e tranquilo, e nos trouxe tanta felicidade!

Meu anjo João Otávio, que bom que você chegou. Que Deus te abençoe todos os dias e que te permita uma vida próspera. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que sempre carregue o sorriso mais lindo do mundo nesse rostinho perfeito. Mamãe te ama cada dia mais.

Bico: usar ou não??

Quando levamos o João Otávio na primeira consulta com o pediatra – que alias nao foi a mesma com quem consultei antes de ele nascer – estávamos começando a dar o bico pra ele, e eu como boa mãe de primeira viagem estava morrendo culpa, afinal nao sabia se isso, a longo prazo, poderia causar algum prejuízo pra saúde dele.
Aproveitei a consulta para perguntar para o médico sobre o uso da chupeta. A resposta dele me chocou profundamente. Nas palavras do pediatra: “a Sociedade Brasileira de Pediatria nao proíbe nem recomenda o uso da chupeta. na minha opinião, A chupeta é uma criação do homem, Deus fez o seio da mãe como bico pro neném, e ele deve chupar, morder, pegar, sugar, apertar o seio da mãe até cansar. Eu, se tivesse, filho nao daria bico pra ele, mas essa é uma decisão dos pais.”
Eu, que naquele instante estava com o seio rachado e latejando de dor por causa da amamentação, tive vontade de arrancar minha blusa e mostrar pra ele o resultado de chupar, morder, pegar, sugar, apertar. Seguindo a mesma lógica, então vamos todos arrancar nossas roupas, abandonar nossas casas, abolir carros, ônibus, aviões, celulares e afins e vamos caçar e plantar nossos alimentos, afinal todo o resto é invenção do homem. E claro, bem se vê que ele nao tem filhos e nao tem a menor idéia das maravilhas do bico na vida do bebê.
Pois bem, se usar o bico é decisão dos pais, a minha estava tomada: vamos sim usar chupeta e nunca mais voltamos naquele médico que nao sabe o que diz, simples assim.
Tudo bem, algumas crianças têm dificuldades para largar a chupeta. Eu mesma lembro do quanto amava chupar bico e da luta que foi pra largar. Mas como isso nao é algo para me preocupar agora, dou sim a chupeta pro meu filhote, e Deus que me perdoe, mas só ele sabe a mágica que o bico faz nos momentos de desespero do João Otávio.
O mais engraçado é que todas as mulheres com filho pequeno para quem contei essa história riram da resposta do médico. Até parece piada, mas todas disseram dar o bico pros seus filhos e admitiram que em alguns momentos só ele dá conta de acalmar os pequenos.
Desde então, eu dou o bico sim, e sem um pingo de culpa. Talvez no futuro eu trave uma luta para abolir a chupeta, mas no momento tenho verdadeira adoração por ela e nao abro mão de tê-la sempre por perto. No fim das contas, manter nossos pequenos sossegados também faz bem pra saúde deles e pra nossa.

Vida de mãe de recém-nascido

Vida de recém-nascido é uma maravilha. Basicamente eles mamam e dormem, fazem xixi e cocô, e se não tem nenhuma cólica, calor ou frio demais não rola estresse. Mas vida de mãe de recém-nascido, meus queridos, é outra história.

Vi alguma coisa no Facebook outro dia que dizia que depois que seu filho nasce sua viada passa a acontecer a cada duas horas. É mais ou menos isso. Temos que aproveitar os intervalos das mamadas para fazer tudo o que for necessário, incluindo nos manter uma pessoa que parece viver em sociedade, que toma banho, escova os dentes e mantém o cabelo limpo, além de comer e descansar. Não sobra tempo pra conversar muito ou se preocupar com o mundo.

E olha que aqui vos fala uma pessoa que, por enquanto, não precisa se preocupar com roupa suja, comida pra fazer ou em organizar a casa, porque estando na casa da minha mãe, tenho a Santa Selma que se ocupa com esses afazeres. Mas de, qualquer forma, ser mãe de recém-nascido é uma delícia, mas uma das coisas mais cansativas do mundo.

Hoje João Otávio faz três semanas. Desde que ele nasceu eu abomino fogos de artifício e cortadores de grama, troquei o cheiro do meu perfume pelo cheiro de leite – atire a primeira pedra que mãe nunca ficou com aquele cheirinho quase azedo do leite – e meu quarto está sempre bagunçado e com cheiro de fralda. Ahh, e a vida de casal gira em torno do bebê, então quaisquer cinco minutos pra conseguir dormir abraçado é lucro.

Tudo normal, é assim mesmo. E nessa de que é tudo normal você se dá conta da ciranda que nossas avós e mães faziam para dar conta de tudo, numa época em que não havia fralda descartável e mamadeira anti-cólicas, sem enlouquecer. Pode ser normal, mas não é fácil. E isso sem contar do desgaste físico que são a gravidez e a amamentação.

Em alguns momentos você vai querer sair correndo, vai entrar em pânico, se desesperar absurdamente, normal também! Não se assuste, você não está sozinha nessa. Uma dica: converse com mulheres que estejam passando pela mesma fase que você ou que passaram recentemente. Elas vão te entender, te ajudar e nunca te julgar, diferentemente das mais velhas, que já esqueceram como é ou das totalmente inexperientes – essas são as que mais criticam e atiram pedras, mas elas não tem a mais vaga ideia do que a gente passa.

Outra dica: se achar que a coisa está grave demais, que vai enlouquecer e que não ê solução para nada, converse com o médico. Se precisar, tome remédio, mas procure ajuda. , mais importante que tudo: tenha em mente que o desespero passa e que tudo será recompensado pelo primeiro sorriso o neném a cada manhã.